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terça-feira, 17 de novembro de 2009

O fim da propriedade intelectual ?



O mundo mudou e com ele as formas de propriedade também mudaram”.

Entrevista especial com Sergio Amadeu


Um dos principais defensores do compartilhamento de arquivos pela Internet, Sérgio Amadeu, conversou, por telefone, com a IHU On-Line sobre pirataria, autoria, banda larga entre outros temas que cercam a questão da troca de informações via rede digital. Segundo ele, “a indústria fonogr áfica está em crise, a imprensa e a ideia de gatekeeper estão em crise e também os partidos estão em crise porque no mundo das redes existem várias formas de articulação direta entre os cidadãos”. Sérgio explica que as redes digitais não substituem o Poder Legislativo ao proporcionar uma participação direta da população, mas “permitem que as pessoas que defendem uma determinada causa possam ter essa defesa ampliada para o escopo político sem necessariamente se ligar a um ou outro partido”.


Sérgio Amadeu da Silveira é sociólogo formado pela Universidade de São Paulo, onde também obteve o título de mestre e doutor em Ciência Política. Atualmente, é professor na Faculdade Cásper Líbero e é consultor do Instituto Campus Party. Entre os livros que escreveu, destacamos: Exclusão Digital: a miséria na era da informaçÍ ?o. (São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2001), Software Livre: a luta pela liberdade do conhecimento (São Paulo: Editora Perseu Abramo, 2004) e Ciberespaço: a luta pelo conhecimento (São Paulo: Editora Salesiana, 2008).

Confira a entrevista.


IHU On-Line – Entre os brasileiros que têm Internet em casa, 45% revelam que baixam conteúdo pirata. No mundo, os números são parecidos com a realidade brasileira. A pirataria venceu?

Sergio Amadeu – Não. Eu acho que copiar arquivos digitais ou baixar um arquivo que estava disponível na rede não tem nada a ver com pirataria, porque a metáfora é feita para manter um modelo, são negócios construídos no mundo industrial que não têm mais sentido nas redes digitais. No mundo das redes digitais, quando alguém copia um arquivo, não está tomando nada do original. A metáfora da pirataria não é nada mais do que uma metáfora, ou seja, quando o navio pirata encostava num outro navio e o roubava, ele levava os bens materiais, e o navio que foi roubado fica sem aqueles produtos. Agora, quando você entra num repositório e copia, por exemplo, uma música, isso não tem nada a ver com aquilo que era feito pelos piratas no passado. Aquilo é uma imagem que é equivocada, assim como é equivocada a ação das indústrias de copyright no mundo das redes di gitais. É uma coisa completamente absurda. A Internet é uma rede baseada em computação digital.


Os computadores digitais baseiam-se em cópias o tempo todo, quando abro uma página no meu navegador, o que eu fiz foi copiar instruções binárias e que mandam orientações para meu browser. Toda a Internet é baseada, portanto, em cópia. Falar para não copiar nas redes digitais é ir contra a natureza técnica das próprias redes. Não é à toa que a indústria de copyright está afundando. Isso está acontecendo não por cópia não autorizada por eles, mas por causa da diversidade de produtos culturais que temos disponíveis na rede e que eles nunca tiveram no mundo controlado pelo mass-media. Na semana passada, tive acesso a uma pesquisa que mostra que as pessoas que mais baixam músicas pela Internet são as que mais compram cd’s. Então, o alvo criminal deles é o que sustenta a velha indústria da intermediação. O que está acontecendo com a Internet é basicamente a crise dos vários intermediários, porque ela permite que um grupo de música, por exemplo, entre em contato diretamente com seu fã sem a necessidade da intermediação da indústria do copyright. O mundo digital está alterando muito esse “ecossistema” da produção e distribuição de bens culturais.

IHU On-Line – Processar piora a situação para a indústria de filmes e músicas?

Sergio Amadeu – Eles vão ficar processando pessoas comuns. Veja o caso do Pirate Bay, um site que tinha um cracker, ou seja, tinha um mecanismo de busca onde os próprios internautas se registravam no site e quando alguém buscava alguma música ou vídeo, não baixava do site, mas dos computadores das pessoas diretamente. Essa prática de compartilhamento é muito comum, é uma prática antiga. Um exemplo: antigamente, as pessoas pegavam o vinil, botavam no seu aparelho de 3 em 1, gravavam uma fita cassete, emprestavam para os amigos, e isso não era considerado um grande problema. A questão virou um problema quando essa prática, que é comum, encontrou um meio técnico que permite que a prática seja feita com mais intensidade. Então, processar as pessoas é tão ridículo quanto a frase do Elton John que, há algum tempo, disse: “as pessoas não compram mais minha música por causa da Internet, então peço a vocês que fechem a Internet por alguns anos”. Isso é ridículo!

IHU On-Line – Como você vê iniciativas como a do Partido Pirata?

Sergio Amadeu – O programa do Partido Pirata é baseado na liberdade de compartilhamento, de fluxo de bens culturais, de conhecimento. Eles utilizam o nome pirata num sentido bastante irônico, porque trabalham contra a ideia de que existe a pirataria. Mas eles utilizam esse nome para poder chocar e fazer com que as pessoas prestem a atenção para o que está acontecendo no mundo dos bens culturais e do próprio conhecimento. A tentativa dos grandes grupos é a de bloquear ao invés de garantir a livre disseminação da cultura, o que é muito importante numa sociedade que se baseia cada vez mais em informação. Então, acho que a iniciativa é extremamente interessante nesse sentido.


Por outro lado, acho que é bastante complicado montar um partido só sobre um tema, por isso acho que ele cumpre um papel importante, mas ele é limitado porque é um partido mono temático. Penso que hoje os partidos têm de ter um papel muito mais amplo. Por isso acho que o que está em crise hoje é um conjunto de intermediários, como já havia dito. A indústria fonográfica está em crise, a imprensa e a ideia de gatekeeper estão em crise e também os partidos estão em crise porque no mundo das redes existem várias formas de articulação direta entre os cidadãos. Não estou dizendo que o Poder Legislativo está em crise e que vamos substituí-lo por participação direta da população, mas estou dizendo que hoje as redes digitais permitem que as pessoas que defendem uma determinada causa possam ter essa defesa ampliada para o escopo político sem necessariamente se ligar a um ou out ro partido.


IHU On-Line – A banda larga deveria ser regulada? De que forma?

Sergio Amadeu – Na verdade, no Brasil, precisamos que antes ela seja ampliada. O Brasil tem uma carência muito grande de banda larga, ela está presente em apenas alguns lugares. Na maioria dos municípios, a banda larga ainda não chegou, o que gera uma conexão completamente assimétrica, distante das possibilidades de uso multimídia, o que é um absurdo. Além disso, a banda larga nas periferias das grandes cidades também não chega como deveria. Nós temos que exigir uma regulamentação que faça com que essas operadoras – que são oligopólios que controlam a conectividade – levem a banda larga a ser um serviço unive rsal como é a telefonia fixa.

Também devemos incentivar que os municípios liberem o sinal e criem nuvens de conexão gratuita. Está mais claro que isso reduz o custo enormemente. Várias cidades estão abrindo o sinal e aumentando a conectividade, incentivando as pessoas a comprarem computadores. Um dos grandes problemas no Brasil é o alto custo da telecomunicação. Aqui, o megabitt chega a ser 20 vezes mais caro do que na Europa. Nós temos um modelo absurdo de precificação da comunicação de dados da banda larga. E tem outro problema: mesmo quando a cidade abre o sinal, essa prefeitura tem que comprar o sinal de uma rede de alta velocidade. Geralmente, ela mensura a sua rede para 200 usuários, por exemplo, mas isso incentiva a conectividade e esse número pula para mil. Com isso, vai querer aumentar a disponibilidade de banda no provedor, e esta empresa que provê a rede passa a cobrar o que quiser do município. Ou seja, essas empresas cobram cada vez mais caro quando aumenta o uso , o que acaba gerando uma megacrise nesses municípios que implantam o programa Cidades Digitais. Temos que ter uma regulamentação que seja completamente diferente do que a ANATEL faz hoje no país.


IHU On-Line – De que forma o conceito de autoria foi modificado com a Internet?

Sergio Amadeu – A sociedade cria os seus arranjos culturais, jurídicos e políticos. A autoria, antes do Renascimento, era uma coisa pouco importante para a criação. Com a industrialização, nasce o processo de divisão do trabalho que existe no mundo das fábricas para o mundo das artes. O compositor passa a ser um cara que não executa, o executor é uma função especializada, e isso vai acontecendo com o conjunto das artes. Isso faz parte do desenvolvimento histórico social que est á ligado aos processos e contradições na sociedade, principalmente a ocidental. A ideia de autoria se disseminou a partir do Renascimento, antes não fazia sentido isso, a arte era de domínio comum. Quando a sociedade muda e acaba apostando num tipo de tecnologia que é baseado na troca de bens e materiais, que não tem desgaste nem escassez, de arquivos digitais que podem ser copiados uma vez ou um milhão de vezes sem nenhuma alteração do seu original, nós estamos numa outra fase.

Essa fase dissolve a autoria e coloca novos problemas para essa ideia e retoma noção de que a cultura é um bem comum e que a maior parte das criações têm como base a própria cultura. Aí começamos a ver que não tem sentido sustentarmos uma indústria da intermediação que vive efetivamente do controle da produção cultural. Exemplo: que sentido tem a proteção de uma obra, como diz na nossa legislação, 70 anos depois da morte do autor? Lá atrás diziam que faziam isso para incentivar o criador. O criador morreu há 70 anos, ou seja, não há incentivo ao criador, mas sim estamos mantendo uma indústria da intermediação, que é a maior afetada pelas redes digitais. O mundo mudou e com ele as formas de propriedade também mudam.


IHU On-Line – O senhor já afirmou que a Internet sofre grande influência da cultura hacker. Como podemos compreender essa cultura?

Sergio Amadeu – A Internet é fortemente influenciada pela cultura hacker. No início da Internet, esse grupo de programadores talentosos enfrentava desafios por livre e espontânea vontade. Ao superar esses desafios, eles compartilhavam com todos os outros as soluções. Essa prática de compartilhamento foi combatida pela indústria de software e hardware e passou a chamar de hackers ou crackers, ou seja, passou a confundir o hacker com um criminoso. Isso é uma disputa semiológica e ideológica. A imprensa é financiada pelos grandes grupos, e, assim, passou a disseminar a ideia do hacker como um criminoso. Os historiadores da rede e da Internet apontam, como no livro A Galáxia da Internet (Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003), escrito por Manuel Castells, que a cultura hacker é uma das culturas fundamentais na criação da rede aberta, não proprietária, que nós temos hoje, que se chama Internet. É uma rede que permite que se crie formatos, novos conteúdos e novas tecnologias sem pedir permissão a ninguém. Uma rede que é de controle, mas que a cultura hacker garante que esse controle não chegue ao indivíduo porque garante a comunicação anônima. Toda essa construção é baseada também e principalmente na cultura hacker.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Uma ilha sem estrangeiros, sem câmeras e sem problemas


A política xenófoba praticada pelo ministério do interior italiano, através do ministro Roberto Maroni, da Liga Norte, provoca abandono de centro de refugiados em Lampedusa (Itália).

A reportagem é de Stefan Troendle e publicada no sítio Deutsche Welle, 21-09-2009.

O lema do ministro italiano do Interior, Roberto Maroni, é evitar que refugiados cheguem a território italiano. Pequenas embarcações conseguem, apesar da política do governo, aportar na Itália, mas os passageiros estão sendo discretamente transportados para a Sicília, passando ao largo das observações da mídia.

As associações que o nome Lampedusa até agora desencadeavam se deviam ao superlotado campo de admissão de refugiados situado no centro da ilha. Um campo que, na verdade, já havia se tornado quase num pequeno povoado. Até há pouco, praticamente todo imigrante ilegal que chegava à Itália era levado para esse centro, onde permanecia pelo menos por alguns dias.

Às moscas

No ano passado, 31 mil refugiados passaram por ali. Hoje, o centro se encontra vazio. No início de junho último, os últimos habitantes do campo foram removidos, e agora não há mais nenhum imigrante ilegal em Lampedusa.

"É surreal. Não encontro outras palavras para descrever. Durante muito tempo, havia 1.500 pessoas aqui. E agora só nós. Parece completamente diferente", resume Paola Silvino, vice-diretora do centro. Silvino lembra, por exemplo, o mês de outubro de 2008, um momento em que o número de refugiados em Lampedusa atingiu seu ápice. "Outubro foi um mês recorde, com a chegada de incontáveis embarcações. Em alguns dias, tivemos aqui mais de duas mil pessoas. Foi um desses meses todos se acotovelavam por aqui", conta Silvino.

Apreensões em alto-mar

A vice-diretora do centro não cita oficialmente as razões pelas quais o campo se encontra agora vazio, embora elas sejam óbvias. O ministro Maroni, da Liga Norte, partido italiano de extrema direita, quer assim provar o sucesso de sua política xenófoba para refugiados.

Desde maio deste ano, ele ordena que as embarcações de refugiados sejam apreendidas em alto-mar e que dali sejam levadas à Líbia, antes que qualquer passageiro tenha posto os pés na Itália e adquira, assim, a possibilidade de requerer asilo.

A Itália, desta forma, transgride a Convenção para Refugiados de Genebra. Além disso, Lampedusa é um dos pontos nevrálgicos nessa questão. Se dali não saem imagens de refugiados para serem divulgadas pela mídia, isso significa, na lógica que Maroni vende como bem-sucedida, que não há mais refugiados no país.

Deportação imediata

Apesar disso, ainda há imigrantes que conseguem chegar ao país por via marítima, mesmo que em número bem menor do que no ano passado. Estes, no entanto, não estão mais sendo levados a Lampedusa, mas sim a Porto Empedocle, na Sicília, ou a outros lugares, quando não são deportados de imediato.

Os funcionários do campo de acolhimento em Lampedusa não têm alternativa exceto esperar. "Estamos sempre a postos, nossos funcionários estão aqui 24 horas por dia. Da administração até as assistentes sociais, passando pelos trabalhadores especializados, para nós nada mudou. Garantimos uma prestação de serviços em potencial, pois, no momento, não há nenhum imigrante ilegal aqui. Mas estamos prontos, caso chegue alguém", descreve uma funcionária.

Protestos veementes

Outra razão pela qual Lampedusa deixou de ser centro de admissão de refugiados foram os protestos furiosos na ilha. No início do ano, o governo italiano quis concentrar ali todos os refugiados que chegavam ao país por via marítima (chamados de boatpeople), até que estes fossem deportados, o que desencadeou um estado de emergência na ilha.

Os moradores de Lampedusa foram às ruas protestar e no campo superlotado houve uma revolta no dia 18 de fevereiro, quando refugiados queimaram colchões e provocaram um incêndio, destruindo o prédio principal.

Hoje, já está tudo consertado, conta Paola Silvino. "Está tudo reconstruído, do jeito como era antes. Os trabalhos estão quase encerrados e todas as instalações prontas para serem usadas de novo. O prédio tinha sido completamente queimado e teve, por isso, que ser construído de novo."

Embora tudo indique que as instalações irão permanecer vazias, pelo menos a médio prazo. Parecem ter sido completamente deixados de lado, mesmo que não oficialmente, os planos de ampliação para um segundo campo de deportação, a ser construído numa caserna da Marinha desativada na outra extremidade da ilha.

Fechado para sempre?

Os prédios, todos em decadência, ainda estão sendo vigiados por três soldados, com alguns cães de guarda ao redor, embora não haja mais nenhum sinal de uma reforma em andamento. No campo de admissão na ilha, há oficialmente lugar para 850 pessoas. A vice-diretora Paola Silvino não sabe dizer quanto tempo essas instalações ainda permanecerão vazias, se algum dia serão reocupadas ou se serão até mesmo fechadas para sempre.

Apenas de uma coisa ela se diz certa: da qualidade dos serviços prestados ali. Para os funcionários do campo de acolhimento, a postura xenófoba do ministro do Interior, que afirmou publicamente que o país deveria "ser mau" com os refugiados, não tem vez em Lampedusa, garante Silvino. "Aqui nunca ninguém foi maltratado. Sempre tentamos fazer o melhor que podíamos para tratar essas pessoas da forma mais digna possível", resume.






quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O viver junto com o outro é uma das grandes questões do século XXI



Duas semanas depois de a França ter fechado a "selva" de Calais, refúgio de 800 imigrantes ilegais a caminho da Grã-Bretanha, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgou uma verdadeira acusação contra as políticas anti-imigratórias. Apresentado nesta segunda-feira (5), o relatório anual do Pnud é inteiramente consagrado a este tema, sob o título explícito "Levantar as barreiras, migração e desenvolvimento humanos".

Catherine Wihtol de Wenden, diretora de pesquisa no Centro de Estudos e Pesquisas Internacionais, que acaba de publicar A Globalização Humana, depois do recente Atlas Mundial das Migrações (editora Autrement), também acredita que os governos estão no caminho inverso ao privilegiar a abordagem da segurança.

A pesquisadora concedeu entrevista à Grégoire Allix do Le Monde, 11-10-2009, reproduzida pelo Uol Notícias Internacional com tradução de Eloise De Vylder.

Eis a entrevista.

Por que podemos falar da globalização das migrações?

Quase todas as regiões do mundo estão agora preocupadas seja com saída, seja com a recepção, seja com o trânsito de migrantes. É uma revolução considerável. Em menos de vinte anos, o mundo entrou em movimento. Mas este período de mobilidade generalizada não traduz necessariamente uma migração de povoamento. Muitos migrantes desejam a mobilidade como modo de vida. A mobilidade é valorizada pelos mais qualificados, pelos mais ricos, mas os pobres também a aspiram. As pessoas não aceitam mais a fatalidade de nascer em um país pobre, mal governado, sujeito a riscos climáticos.

Em que isso obriga as sociedades a evoluir?

Esse fenômeno diz respeito a viver junto com o outro, ou seja, a própria definição de cidadania. Os países europeus vivem há pouco tempo a experiência desse multiculturalismo, que conduziu os Estados Unidos, o Canadá e a Autrália a redefinirem sua cidadania durante os anos 60. O viver junto com o outro é uma das grandes questões do século 21: todas as sociedades estarão envolvidas com a migração. Isso também é verdade no sul: o Marrocos, o México, a Turquia ainda são países de saída, mas também passaram a ser países de recepção e trânsito. Há uma confusão de status dos países, mas também das categorias de migrantes. Ao longo de sua vida, uma pessoa pode ser um imigrante ilegal, um trabalhador qualificado, um refugiado.

Por que essa evolução é tão dolorosa para a Europa?

A Europa tem dificuldades para aceitar que é um continente de imigração. Ela até hoje não integrou o fato de ter se tornado uma região de recepção, porque ela foi por muito tempo uma região de saída de emigrantes. De repente, ela se tornou uma terra não somente de imigração - depois da 2ª Guerra Mundial -, mas de povoamento. Os imigrantes passaram a fazer parte da população dos países europeus. Há um sentimento por parte de certos grupos de opinião de que a Europa está perdendo sua identidade. A imigração é vista de uma forma defensiva, daí a tensão quanto ao controle de fronteiras, os clandestinos, etc.

Portanto, o Pnud afirma que a imigração beneficia os Estados...

Sim, é o que todos os estudos mostram. Mas os países só ganham se os imigrantes tiverem seu status reconhecido, se pagarem as contribuições sociais, consumirem, enviarem dinheiro para seus parentes... E não se tiverem de se esconder o tempo todo. Ainda assim, na maior parte dos países desenvolvidos, os menos qualificados, aqueles que têm os trabalhos mais duros, são ilegais. É urgente desenvolver um estatuto do imigrante. Isso faz muita falta no mundo de hoje. As mobilidades não são acompanhadas, elas são impedidas. Em matéria de saúde, de meio ambiente, os governos escutam as recomendações dos especialistas. As migrações são o único domínio onde os Estados fazem sistematicamente o contrário daquilo que todos os especialistas preconizam.

É possível que haja um direito universal à mobilidade?

Isso está progredindo. É uma diplomacia paralela, proposta pelas Nações Unidas no fórum mundial sobre a migração e o desenvolvimento, que se reunirá pela terceira vez em Atenas em novembro. Colocaremos na mesma mesa não só os países de acolhimento, até agora os únicos que decidiram as políticas migratórias, mas também os países de saída, os empregadores, os sindicatos, as ONGs... A convenção das Nações Unidas sobre os direitos dos trabalhadores migrantes só foi assinada por quarenta Estados, todos do terceiro mundo. Os países de acolhimento têm muita dificuldade em aceitar que devem adotar uma posição em comum, como em matéria de clima.

Isso não acontece porque o direito à mobilidade coloca em questão o modelo de Estado-nação?

Sim, de fato. O grande perdedor com essa mobilidade é o Estado, em sua tentativa de impor sua soberania sobre o controle das fronteiras, sobre a definição da identidade nacional. Os governos resistem muito fortemente, confortados por suas opiniões públicas mais conservadoras. Durante o endurecimento recente das políticas migratórias, houve o efeito da crise econômica, é claro, mas também o fato de que consideramos as migrações, antes de mais nada, como uma questão de segurança. Nós criminalizamos a migração, em detrimento da abordagem econômica e social que prevalecia antes.


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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Criminalização do Outro


Itália endurece leis contra imigração e cria patrulhas civis de vigilância


O Parlamento da Itália aprovou ontem um controvertido pacote de medidas propostas pelo governo do premiê Silvio Berlusconi para reforçar o combate à imigração ilegal. Entre os artigos mais polêmicos está um que transforma em crime a imigração clandestina e outro que legaliza as patrulhas noturnas comandadas por civis para controlar a segurança nas ruas.

A notícia é do jornal O Estado de S. Paulo e La Repubblica, 03-07-2009.

O projeto - apresentado pelo partido de tendência xenófoba Liga Norte - já havia passado em maio pela Câmara de Deputados e foi aprovado pelo Senado com 157 votos a favor, 124 contra e 3 abstenções. "Queremos dizer a todos os cidadãos que o governo está agindo para garantir a segurança", afirmou o ministro do Interior, Roberto Maroni, autor da legislação.

A iniciativa foi duramente condenada pela oposição, por organizações de defesa dos direitos humanos e pela Igreja Católica. Durante uma discussão acalorada no Senado, legisladores de esquerda acusaram o governo de violar os direitos dos imigrantes e afirmaram que as patrulhas civis correm o risco de se transformar em grupos de vigilantes que fazem as leis com as próprias mãos. As chamadas "rondas cidadãs", que já estão em funcionamento há alguns meses no norte da Itália, serão formadas por voluntários que, a princípio, não poderão andar armados. O controle dessas patrulhas ficará sob a responsabilidade dos prefeitos de cada cidade.

Segundo o novo pacote de leis, imigrantes ilegais podem ser punidos com multas entre 5 mil e 10 mil. Com a nova lei, também se amplia para até seis meses o tempo de retenção dos que não têm documentos - antes, o período era de 60 dias.

Além disso, uma taxa entre 80 e 200 terá de ser paga para aqueles que solicitarem permissão de trabalho, assim como o pagamento de 200 no caso de imigrantes que obtenham a nacionalidade italiana.

Os proprietários de imóveis que alugarem casas ou oferecerem residência para ilegais também poderão receber penas de 6 meses a 3 anos de prisão.

O Vaticano criticou o pacote, afirmando que são leis que trarão "muita dor e dificuldade". "(As leis) não levam em conta os direitos humanos fundamentais", disse o arcebispo Agostino Marchetto, da Pastoral dos Imigrantes.

Entidades de direitos civis acreditam que as medidas podem fazer com que imigrantes deixem de procurar tratamento médico em hospitais ou de matricular seus filhos em escolas, temendo ser denunciados. Os estrangeiros residentes na Itália constituem 5% da população - algo em torno de 3 milhões -, segundo dados oficiais de 2007.

Segundo a Conferência Episcopal Italiana - CEI -, trata-se de "uma lei que criminaliza e sataniza tantos e tantos estrangeiros que vêm aqui somente para serem ajudados", informa o jornal La Repubblica.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

CODEX Alimentarius: os últimos dias de liberdade na saúde?


(Fonte: enzimato.blogspot)


A partir de 01 de Janeiro de 2010 entra em vigor o polêmico Codex Alimentarius.

Mas você não sabe exatamente o que é isso, pois não?... Pois é exatamente o que eles querem!

O Codex Alimentarius é um Programa Conjunto da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação - FAO e da Organização Mundial da Saúde - OMS. Trata-se de um fórum internacional de normalização sobre alimentos - sejam estes processados, semiprocessados ou crus - criado em 1962, e suas normas têm como finalidade "proteger a saúde da população", assegurando práticas equitativas no comércio e manuseio regional e internacional de alimentos. Sua influência se estende a todos os continentes e seu impacto na saúde dos consumidores e nas práticas do comércio de alimentos em todo o planeta será incalculável.

As normas Codex abrangem ainda aspectos de higiene e propriedades nutricionais dos alimentos, código de prática e normas de aditivos alimentares, pesticidas e resíduos de medicamentos veterinários, substâncias contaminantes, rotulagem, classificação, métodos de amostragem e análise de riscos.

Olhado assim, na versão oficial (exceto as aspas), parece uma coisa boa, certo? Bem, não exatamente... e, na verdade o Codex é olhado com total "desconfiança" (para usar uma palavra elegante) por todos os que denunciam que essa regulação tão "abrangente" virá a ser uma fonte poderosa de controle sobre as grandes populações e de apreciável lucro para as grandes corporações, especialmente as dos ramos químico e farmacêutico.

Quem controla a comida, controla o mundo!

Traduzido em miúdos, o Codex vai trazer severas restrições à nossa já precária LIBERDADE de escolha em termos de alimentação e prevenção/tratamento de doenças. Sem falar que considerações mais complexas podem ser feitas sobre o impacto dessas medidas no controle populational do planeta e na concentração de riquezas...

Os opositores do Codex fizeram uma síntese do que representará essa complexa rede de regulamentações, que, quando implementadas, serão MANDATÓRIAS para todos os países membros, cerca de 170 - o que inclui o Brasil:

- Suplementos nutricionais, como vitaminas, por exemplo, não poderão mais ser vendidos para uso profilático ou curativo de doenças; potências de qualquer suplemento liberado, estarão limitadas a dosagens extremamente baixas, sub-dosagens, na verdade, e somente as empresas farmacêuticas terão autorização para produzir e vender esses produtos (preferencialmente na sua forma sintética) em potências mais altas - no caso da vitamina C, por exemplo, qualquer coisa acima de 200mg será considerada "alta", e será necessária uma receita médica para se poder comprá-la.

- Alimentos comuns, como o alho ou o hortelã, por exemplo, poderão ser classificados como drogas, que somente as empresas farmacêuticas poderão regulamentar e vender. Qualquer alimento ou bebida com qualquer possível efeito terapêutico poderá ser considerado uma droga.

- Alimentos geneticamente modificados não precisarão ser identificados como tal, e não saberemos a origem do que estamos comendo; a criação de animais geneticamente modificados também já consta dessa mesma pauta, ou seja, vai ser difícil saber que bicho se está comendo.

- Aditivos alimentares, a maioria sintéticos, como o aspartame, por exemplo, serão aprovados para consumo sem que se tenha conhecimento dos efeitos a longo prazo de cada um nem das interações entre eles a curto e longo prazos.

- Todos os animais destinados ao consumo humano, deverão receber hormônios e antibióticos como medida profilática; sabe aquele "gado orgânico", criado solto em pastagens e tratado só com homeopatia?... nunca mais!

- Todos os alimentos de origem vegetal deverão ser irradiados antes de serem liberados para consumo: frutas, verduras, legumes, nozes... nada mais chegará à nossa mesa como a natureza fez - tem gente brincando de Deus, mas desta vez não para criar, e sim para DEScriar.

- Os produtos "orgânicos" estarão completamente descaracterizados, pois terão seu padrão de pureza reduzido a níveis passíveis de atender às necessidades de produção em grande escala; alguns aditivos químicos e várias formas de processamento serão permitidos; tampouco haverá obrigatoriedade por parte do produtor de informar que produtos usou e em que quantidades - rótulos não serão obrigatórios na era pós-Codex.

- Para a agricultura convencional, os níveis residuais aceitáveis de pesticidas e herbicidas estarão liberados em níveis que ultrapassam em muito os atuais limites de segurança! Em outras palavras, estarão envenenando nossa comida.

Em síntese: os objetivos do Codex incluem (1) globalização das normas, (2) abolição da agricultura/criação orgânica, (3) introdução de alimentos geneticamente modificados, (4) remoção da necessidade de rótulos explicativos de qualquer espécie, (5) restrição de todos os remédios naturais, que serão classificados como drogas.

O Codex, na verdade, já começou a "acontecer" por aqui - alguém já reparou que não se consegue comprar nada numa farmácia de manipulação sem ter uma receita médica? Nem uma inocente vitamina C... Em compensação pode-se comprar praticamente qualquer coisa SEM receita médica numa farmácia regular, que vende produtos industrializados, mesmo se forem antibióticos, anti-inflamatórios... - e até aquela mesma vitamina C que nos negaram há pouco na outra farmácia...

Indicar aquele chazinho para um amigo? Ou quem sabe informar ao vizinho que farelo de aveia ajuda a reduzir o colesterol? Sugerir que mamão solta e banana prende?... Nem pensar! Poderá ser considerado "prática ilegal da medicina"! Não se poderá dizer que produtos naturais curam doenças porque não são medicamentos e, na era pós-Codex, só medicamentos APROVADOS pelas novas regras poderão ser referidos para tratar doenças... e assim mesmo, só por um médico!

Exagero? Quem sabe? - já teve gente presa na França por vender 500mg de vitamina C... é que lá essa potência já é considerada "remédio", e não pode ser vendida sem receita médica.

Medicina alernativa, tibetana, ayurveda, homeopatia, essencias florais... só se a turma do Codex disser que pode. Se esse "programa" entrar em vigor (daqui há pouco mais de 1 ano) da forma como vem sendo "curtido" há mais de 45 anos, e alertado mundo afora, teremos perdido nossa liberdade de optar por uma medicina e nutrição naturais, poderemos vir a precisar de receita médica até para ir à feira...

Se isso acontecer, não vai ter graça nenhuma.

Vale a pena saber mais!

sábado, 2 de agosto de 2008

Fascismo avança sobre a Internet






O projeto sobre crimes na internet.


Uma ameaça aos direitos civis


"Quem destravar o celular (que se encaixa na definição do projeto de "dispositivo de comunicação") para utilizá-lo por outra operadora estará sujeito a pena de um a três anos de prisão. A mesma penalidade sofrerá quem, fazendo uso do direito de acesso a conteúdos em domínio público, destravar um CD ou DVD", escrevem Oona Castro, integrante do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social, Pablo Ortellado, professor do curso de gestão de políticas públicas da USP e Sérgio Amadeu da Silveira, professor do mestrado da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 02-08-2008. Segundo os autores, '"ao legislar sobre os crimes de internet, nossos senadores perderam a oportunidade de enfatizar o interesse público. Poderiam ter proibido o cruzamento de bancos de dados e a troca de informações privadas de usuários por empresas (como fez a União Européia) ou impedido a constituição de travas que bloqueiam o acesso legal a conteúdos".

Eis o artigo.

Na madrugada de 9 de julho, o Senado aprovou o substitutivo do senador Eduardo Azeredo ao projeto de lei 89/03, que tipifica os crimes digitais. Preocupado em punir atividades ilegais na internet, o projeto possui artigos dúbios e se mostrou incapaz de dar soluções técnicas que impeçam o abuso na sua aplicação, a invasão de privacidade e a violação de direitos civis.

Especialistas apresentaram várias críticas ao projeto, mas as soluções propostas não resolveram os problemas. Um deles é o fato de o projeto ser "over-inclusive", ou seja, cria-se um filtro muito mais rigoroso do que o necessário, criminalizando práticas legítimas. Outro problema são as definições de conceitos -algumas ambíguas, outras amplas demais e outras simplesmente inexistentes -, dando espaço para aplicações arbitrárias da lei, mesmo que essa não seja a intenção do legislador.

Em alguns casos, dá-se a combinação desses dois problemas. O artigo 2º, por exemplo, ao alterar o Código Penal, transforma em crime todo acesso não autorizado a redes de computadores, sistemas informatizados e dispositivos de comunicação protegidos por expressa restrição de acesso, seja a restrição legal ou não.

Dessa forma, quem destravar o celular (que se encaixa na definição do projeto de "dispositivo de comunicação") para utilizá-lo por outra operadora estará sujeito a pena de um a três anos de prisão. A mesma penalidade sofrerá quem, fazendo uso do direito de acesso a conteúdos em domínio público, destravar um CD ou DVD.

Empresas poderão limitar acessos permitidos pela Lei de Direitos Autorais ou pelo Código de Defesa do Consumidor, transformando travas tecnológicas em instrumentos acima da legislação. Trata-se da criminalização de ações triviais dos usuários.

Já o artigo 22 cria para os provedores de acesso à internet a obrigação de repassar sigilosamente para as autoridades denúncias que tenham recebido que contenham indícios da prática de crime. Obriga também o registro e o arquivamento de todos os acessos dos usuários por três anos.

Iniciativas de inclusão digital, receosas por serem responsabilizadas por crimes, podem passar a restringir o acesso de usuários ou até banir redes sem fio.

Mesmo condicionando o fornecimento das informações ao poder público a decisão judicial, o projeto ignora a precariedade da proteção aos dados e o fato de o Brasil ter baixa tradição de respeito à privacidade, com estimados 400 mil grampos telefônicos e venda de dados sigilosos da Receita Federal por camelôs.

Sem conseguir impedir que verdadeiros criminosos se furtem aos controles propostos com medidas simples, como servidores no exterior, o projeto abre a possibilidade de vazamentos de dados de usuários comuns.

O substitutivo atende fundamentalmente a interesses de bancos que têm sofrido prejuízos com fraudes pela internet e a reivindicações da indústria de direito autoral dos Estados Unidos, que exige a criminalização da quebra de travas tecnológicas.

Publicamente, a justificativa mais usada pelos defensores do projeto foi o combate à pedofilia - de fato, um problema seriíssimo. Porém, na mesma madrugada em que o PLC 89 foi votado, os senadores aprovaram outro projeto, proposto pela CPI da Pedofilia, com apoio de entidades da sociedade civil, que trata dessa questão.

Ao legislar sobre os crimes de internet, nossos senadores perderam a oportunidade de enfatizar o interesse público. Poderiam ter proibido o cruzamento de bancos de dados e a troca de informações privadas de usuários por empresas (como fez a União Européia) ou impedido a constituição de travas que bloqueiam o acesso legal a conteúdos. Na contramão, desencorajam políticas desejáveis e legitimam a violação da privacidade e o cerceamento de direitos.

Com o retorno do projeto à Câmara dos Deputados, nossos representantes terão a oportunidade de rejeitá-lo integralmente ou, ao menos, suprimir os artigos que atacam frontalmente os direitos dos cidadãos.






quinta-feira, 24 de julho de 2008

Feliz 1984


O fascismo avança sobre o nosso cotidiano.

Já tive oportunidade de comentar, em diversas postagens deste Blog, o fenômeno da "criminalização do cotidiano".
Essa criminalização é essencial à dinâmica de poder do atual sistema ideológico: o medo, disseminado entre os cidadãos comuns pela mídia e pelo Estado, constitui hoje um dos maiores motores da história.
Não me recordo qual dos filósofos da Escola de Frankfurt - se Adorno ou Horkheimer - que observou : não obstante serem o amor romântico e a família instituições burguesas, em tempos de avanço do totalitarismo, entretanto, constituem eles as mais poderosas fontes de resistência contra o fascismo.
Ora, sintomaticamente e talvez por essa mesma razão, o que temos observado é um desmedido ataque aos últimos bastiões que resguardam nossa intimidade e autonomia, desferido por meio da desproporcional divulgação de eventos em que justamente a família e as relações afetivas são colocadas em cheque, dando lugar à insegurança e ao medo com relação àqueles que se encontram mais próximos de nós (estou me referindo aqui ao destaque promovido pela mídia acerca dos crimes praticados por filhos contra os pais e vice-versa).
Qual a "leitura" do cidadão comum, geralmente "desavisado, em relação a isso ? Ora, de que o perigo se esconde em cada esquina e, mais do que isso, "estou morando e dormindo" com meu inimigo !
Não é de hoje, tão pouco, a demonização com que são retratados os adolescentes - justamente os jovens que, em qualquer sociedade menos "psiquica e culturalmente cindida", deveriam ser considerados a fonte de renovação e esperança para o grupo social !
Em qualquer conversa fica patente que o sentimento dos pais em relação aos filhos é de um temor subterrâneo (de que o filho se perca nas drogas, no crime, na delinquência, na devassidão ou promiscuidade etc etc). Os pais - e sobretudo a escola - se dedicam a uma permanente vigilância e disciplinamento de seus filhos. Ao invés de vê-los como seres que aspiram a uma legítima e plena libertação, a qual eles próprios, pais, não souberam conquistar, os adolescentes são percebidos como ameaças em potencial, espécie de "bombas relógios" comportamentais, podendo explodir a qualquer momento, até que atinjam uma "idade segura".
Por que não conceder voz à legítima revolta e rebeldia de seus filhos - canalizando-a criativamente? Por que se dedicar ao seu disciplinamento e ao massacre realizado nos verdadeiros campos de concentração em que se transformaram as escolas ?


(veja a esse propósito e apenas como exemplo: uma introdução às propostas de Maurício Tragtenberg - http://diacrianos.blogspot.com/2008/06/educao-e-anarquismo-em-maurcio.html - ou o "anti-modelo" de universidade de Onfray - em http://metamorficus.blogspot.com/2008/02/michel-onfray-o-filsofo-francs-que.html; ou ainda o diagnóstico de Dany-Robert Dufour em - http://metamorficus.blogspot.com/2008/01/rumo-ao-capitalismo-total.html)


O fascismo, entretanto, precisa avançar, sob pena de, não o fazendo, desmoronar.
Não é por outra razão que temos observado o avanço em nosso cotidiano de inúmeras medidas destinadas ao controle e manipulação de informações, à disseminação do medo e a redução ou eliminação de qualquer autonomia.
Abaixo, coletei apenas algumas dessas medidas que estão sendo implementadas bem perto de nós.
Trata-se da implantação de chips em veículos, cães e até em seres humanos - sistemas de controle "vendidos" pela mídia e pelosaparelhos de estado como avanços para a "proteção do cidadão" contra o terrorismo, a criminalidade, ou o próximo que está ao seu lado...


1)
Em julho de 2004, conforme anunciou o jornal El Universal, o Procurador-Geral da Republica e mais 160 funcionarios do Ministerio Publico do Mexico receberam implante de um biochip sob a pele:



2) Instalação de chip em veículos será gratuita para motorista de São Paulo
Por: Tabata Pitol Peres
11/04/08 - 18h50
InfoMoney
SÃO PAULO - O chip eletrônico que será implantado nos veículos em 2009 - com o objetivo de aumentar a segurança da população, otimizar a gestão do tráfego e melhorar a fiscalização do carro - não custará nada aos proprietários dos automóveis.O prefeito Gilberto Kassab assinou nesta sexta-feira (11) um decreto que criou o Fundo Municipal de Desenvolvimento do Trânsito para financiar programas e projetos que melhorem o trânsito da cidade, entre eles, a instalação do equipamento.
O Fundo obriga as administrações municipais a se adequarem ao Código Brasileiro de Trânsito, que estabelece o investimento de 95% da arrecadação de multas dos municípios em melhorias de trânsito. Os 5% restantes devem ser aplicados em educação do trânsito. Com a regulamentação, a aplicação dos recursos arrecadados com multas exclusivamente em programas voltados para melhorar as condições do trânsito fica determinado por lei.
Identificação Automática de Veículos
Com este decreto, será possível viabilizar a implementação do Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos. A Prefeitura e o Governo do Estado assinaram um convênio, em outubro de 2007, que fará de São Paulo o primeiro município do Brasil a adotar o novo sistema.O chip será fixado no pára-brisa dos veículos. Nele, ficará gravada a identificação do automóvel com informações como o número do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), placa e número do chassi.Na fase inicial de implantação do sistema, os custos de instalação ficarão por conta da empresa que irá operar a novidade. Os veículos novos já sairão das fábricas com o equipamento.
Sem que a maioria se dê conta, inúmeras medidas estão sendo adotadas bem perto de nós e que, pouco a pouco, vão afetando nosso cotidiano.

(Fonte: http://web.infomoney.com.br/templates/news/view.asp?codigo=1057360&path=/suasfinancas/carros/cotidiano/)



3) Nova regra em S.Paulo obriga colocar chip em cães e gatos


Publicado 14 Abril, 2008

A Prefeitura de São Paulo mudou, na sexta-feira, as regras para venda e adoção de animais domésticos na cidade. Entre elas estão a instalação de microchips em cães e gatos e a assinatura de um contrato no ato da adoção ou compra de um animal.
As medidas, publicadas no Diário Oficial na última sexta–feira, valem para novos animais e visam incentivar a posse responsável, evitando o abandono e as compras por impulso.
Os microchips, que devem ser implantados nos animais, vão conter todos os dados relativos aos animais, como espécie, sexo, cor do pêlo, idade e raça, e por meio destas informações, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) vai ter mais controle sobre os animais.
Segundo Adriana Maria Lopes Vieira, gerente do CCZ, o microchip “é importante para a associação entre o animal e o responsável”. De acordo com ela, a ação não é uma ferramenta estritamente punitiva, “mas com ele se pode saber se o animal foi perdido ou submetido a maus-tratos”.
O abandono dos animais também deve ser prevenido por meio de um contrato que será firmado na hora da adoção. O documento vai definir as responsabilidades entre os novos donos e quem vende os bichos.

(Fonte: http://adestramento.wordpress.com/2008/04/14/nova-regra-em-sao-paulo-obriga-colocar-chip-em-caes-e-gatos-opine/)

4) A Prefeitura de Campo Grande, por meio do CCZ ? Centro de Controle de Zoonoses, está realizando a implantação de chip de identificação em cães. O trabalho iniciado nesta semana atende à lei 2.990/05, que sistematiza a posse responsável de cães e gatos no Estado, promulgada em novembro do ano passado.Segundo explicou a médica veterinária do CCZ, Iara Helena Domingos, os primeiros animais já foram identificados. A microchipagem tem o objetivo de registrar o animal e identificar o dono. O sistema já é comum em países da Europa e em algumas grandes cidades do país.

(Fonte: http://www.portalms.com.br/noticias/CCZ-comeca-a-implantar-chip-em-caes/Campo-Grande/Saude/11056.html)

5) A Prefeitura de Caraguatatuba, por meio do CCZ - Centro de Controle de Zoonoses, está realizando a implantação de chip de identificação em cães e gatos.O trabalho, que foi iniciado no começo de 2007, atende à lei 1.286/06 referente ao Programa de Registro e Identificação de Animais, pelo qual já foram identificados aproximadamente 300 animais na primeira fase.Segundo explicou o médico veterinário e chefe do CCZ, Guilherme Garrido, no processo de implantação do Programa, a primeira etapa, na qual os primeiros animais foram identificados, houve prioridade no critério de colocação dos chips. Assim, entre os eqüinos e bovinos, receberam chip os animais recolhidos e resgatados pelo proprietário, os leiloados e os doados. Os cães e gatos recolhidos e retirados pelo dono, e os adotados também receberam o sistema de identificação.A partir de janeiro de 2008 o Centro de Controle de Zoonoses está iniciando a segunda etapa do Programa de Identificação. Os proprietários de cães e gatos que queiram implantar o chip em seus animais devem comparecer ao CCZ e retirar a guia para recolhimento. O valor do chip é de 10 VRM para cães e gatos, e 20 VRM para bovinos e eqüinos, o que corresponde a R$ 18,41 e R$ 36,83, respectivamente.Conforme informou Garrido, o principal objetivo é identificar o maior número de animais, para inserir de forma concreta o conceito da "posse responsável".

(Fonte: http://www.jornalbaixadasantista.com.br/conteudo/zoonoses_chip_caes2007.asp)

Identificação em sere humanos - inclusive implante de microchips:

6)Na Holanda, o governo pretende abrir e manter um arquivo eletrônico para cada bebê nascido naquele país.

7) No México, para garantir segurança ao acesso ao escritório da advocacia da união do país, mais de 160 funcionários tiveram implantados em seus braços um chip para ter acesso às áreas seguras do escritório central.

8) Em Bruxelas, a comissão européia propôs uma lei que obriga todos os estados membros da Comunidade Econômica Européia a introduzir chips de identificação em seus passaportes emitidos para seus cidadãos contendo informações biométricas da face do proprietário e, possivelmente, sua impressão digital;

9) Nos Estados Unidos, um supermercado implantou um sistema de pagamento através da impressão digital armazenada em um banco de dados, permitindo que seus clientes paguem as compras sem a necessidade de levar dinheiro, passar o cartão de crédito ou débito.

10) Na Bélgica, um novo sistema via satélite de cobrança da taxa anual de veículos automotores funciona de forma que os carros são monitorados para saber o total de quilômetros percorridos individualmente podendo então cobrar as taxas aplicáveis de forma mais justa, acreditam as autoridades do país;

11)Na China, os 1,26 bilhões de habitantes terão suas carteiras de identidade trocadas por um novo modelo que virá com um chip contendo informações pessoais de cada pessoa, tendo como um de seus usos, fazer pedido de empréstimo bancário.

12) Na Finlândia, todo cidadão carrega uma identidade nacional, com um número identificador individual e todas as suas informações privadas e públicas estão armazenadas num gigantesco banco de dados no Governo, incluindo automóveis, empresas e todos os imóveis existentes no país. Toda esta parafernália de informações está disponível on-line.


13) Em setembro de 2004, a BBC informou que uma das boates mais badaladas das praias de Barcelona, a Baja Beach Club, estava implantando cartões de credito eletronicos debaixo da pele, para resolver o problema das pessoas que querem dançar, mas não querem carregar uma carteira: http://news.bbc.co.uk/2/hi/technology/3697940.stm

O sitio da boate confirma a informação: "Somos la primera discoteca del mundo en ofrecer el VIP VeriChip. Mediante un chip digital integrado, nuestros VIPs pueden identificarse como tal, así como pagar sus consumiciones sin la necesidad de aportar ningún tipo de documento." (http://www.baja-beachclub.com/bajaes/asp/zonavip.aspx).

14) A Motorola desenvolveu os biochipes BT952000, implantaveis em seres humanos, baseados na tecnologia medica e implantados por motivos clinicos, como o mal de Alzheimer, por exemplo. Esses biochipes transmitem permanentemente dados a satelites, através de impulsos curtos de altissima frequencia. O biochip da Motorola mede 7mm de comprimento e 0,75 mm de largura (mais ou menos o tamanho de um grão de arroz) e contém um transmissor-receptor e uma bateria de litio recarregavel. O carregamento da bateria faz-se através de um circuito de termopar com 250.000 componentes eletronicos que produz voltagem a partir das flutuações termicas do corpo. A bateria de litio mantém-se carregada durante a vida inteira através de uma variação maxima da temperatura corporal. A titulo de curiosidade, os pesquisadores gastaram 1,5 milhão de dolares para analisar as duas partes do corpo mais adequadas para receber o implante, com o proposito de tirar partido das variações maximas de temperatura. Após varios meses de estudo, concluiram que os dois melhores lugares eram, primeiro, a mão direita e, depois, a testa.

Mais noticias sobre o implante de chipes em seres humanos (em inglês):
http://www.guardian.co.uk/child/story/0,7369,785073,00.html
http://www.wnd.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=17705
http://www.wnd.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=23232
http://www.worldnetdaily.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=26316


(Fonte - 13 e 14 : http://www.grupos.com.br/blog/oitocolunas/permalink/11027.html)


Conforme atcertadamente analisa o site "Oito Colunas":

"A imprensa frequentemente anuncia que a era do dinheiro de papel está chegando ao fim, para ser substituida pela do dinheiro eletronico, ou virtual. Cada vez mais as transações comerciais e financeiras são realizadas eletronicamente, através dos modernos cartões de credito e de debito. Estes cartões nos parecem muito uteis, pois nos poupam da necessidade de andar com dinheiro no bolso. Até porque o crescimento descontrolado da criminalidade faz do carregar dinheiro um comportamento bem pouco recomendavel. Uma das metas dos controladores globais é criar uma sociedade sem dinheiro vivo, em que todas as transações sejam efetuadas forçosamente através do sistema bancario. O dinheiro de papel nos garante privacidade e anonimato, ou seja, liberdade e independencia. Se todas as transações comerciais forem feitas eletronicamente, por meio do sistema bancario, poderão ser rastreadas todas as nossas compras e despesas.

"O controle sobre nossa vida ficará ainda mais completo se um mesmo instrumento permitir não sòmente o acompanhamento de nossas transações financeiras e comerciais, como também o reconhecimento dos nossos dados de identificação pessoal (nome completo, estado civil, profissão, endereço, RG, CPF, carteira de motorista, tipo sanguineo, impressão digital, nacionalidade, religião e opinião politica).

"Segundo um professor norte-americano de Ciencia Politica, citado por Daniel Estulin: "Primeiro o mundo será obrigado a usar um novo sistema de identificação internacional computadorizado, com dados pessoais digitalizados de acesso imediato, como informações bancarias, classificações de credito e situação profissional. Pouco depois, todos os documentos de identidade existentes, cartões de debito, cartas de motorista e cartões de credito serão consolidados num unico cartão inteligente multifuncional e tecnologicamente avançado, equipado com um chip de circuitos integrados que é capaz de armazenar tanto o dinheiro eletronico como os dados de identificação pessoal. Quase ao mesmo tempo, o mundo terá ficado sem dinheiro, e todas as moedas serão ilegalizadas para que sejamos obrigados a comprar tudo por via informatica" (In: ESTULIN, 2005:187-8).

"Essa invenção seria saudada como um habil meio de se facilitar a vida. Mas ainda apresentaria inconvenientes: por exemplo, todos esses dados seriam perdidos se ladrões nos levassem o cartão. Para esse e outros problemas seria oferecido como solução definitiva o implante, debaixo da pele das mãos, de um biochip identificador que substituiria todos os nossos cartões e documentos de identificação. Ninguém poderá comprar ou vender coisa alguma sem ele.

"Numa monografia elaborada pela advogada Elaine M. Ramesh para o Franklin Pierce Law Centre (uma faculdade norte-americana de Direito) lê-se: "Um sistema nacional de identificação atavés da implantação de microchips poderia ser implementado em duas fases: na fase de apresentação, como um sistema voluntario, já em curso no rastreio de animais, a implantação do microchip parecerá agradavel. Depois de se criar uma familiaridade com o processo e de se conhecer as suas vantagens, a implantação seria obrigatoria"
(o sublinhado é meu. Quem quiser consultar a integra da monografia da Dra. Ramesh, acessar: http://www.piercelaw.edu/risk/vol8/fall/ramesh.htm)."

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Baixar arquivo na internet pode virar crime


Mais um capítulo da série: "Criminalizando o cotidiano"

Projeto de lei sobre crimes eletrônicos, ou cibercrimes, em tramitação adiantada no Senado, pode levar à criminalização em massa de usuários de internet que baixam e trocam arquivos (músicas, textos e vídeos) sem autorização do titular. A reportagem é de Elvira Lobato e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 03-07-2008.

Esse é o entendimento de seis professores da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas, em parecer conjunto divulgado no Rio. Segundo eles, as conseqüências iriam além do âmbito da internet. Pela amplitude da redação, poderia haver conseqüências até para donos de celulares que desbloqueiam seus aparelhos. O Brasil tem 130 milhões de celulares.

Assinam o parecer os advogados Ronaldo Lemos, Carlos Affonso Pereira de Souza, Pedro Nicoletti Miozukami, Sérgio Branco, Pedro Paranaguá e Bruno Magrani, fundadores do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV.

O projeto de lei foi aprovado pelas comissões de Assuntos Econômicos e de Constituição e Justiça do Senado, no mês passado, e está em fase de recebimento de proposta para votação em plenário.

O mesmo projeto já causara polêmica em 2006, quando especialistas e provedores de acesso à web reagiram contra a obrigatoriedade de identificação prévia dos internautas nas operações com interatividade, como envio de e-mails, que burocratizaria a rede.

O texto foi modificado, mas novos questionamentos estão sendo feitos. O parecer dos professores da FGV sustenta que os artigos 285-A e 285-B do projeto, que tratam dos crimes contra a segurança de sistemas informatizados, atingem ações triviais, praticadas por milhares de pessoas, na internet, e criam um instrumento de ""criminalização de massas".

O artigo 285 - A qualifica como crime - com pena de reclusão de 1 a 3 meses e multa- ""acessar rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado sem autorização do legítimo titular, quando exigida".

Segundo o professor Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, as pessoas poderiam ser condenadas por desobedecer a termos de uso criados por particulares.

"Cada "legítimo titular" decide quais são os termos de autorização e passa a ser dele o papel de preencher o conteúdo da lei penal. A violação passa a ocorrer de acordo com condições subjetivas e com interesses específicos, dando margem para abusos de direito", afirma o parecer dos professores.

MP3

Segundo Ronaldo Lemos, ao se referir a "rede de computadores", "dispositivos de comunicação " e ""sistema informatizado", o projeto engloba não só computadores mas reprodutores de MP3, aparelhos celulares, tocadores de DVD, sistemas de software e até conversores de TV digital, além de websites. Nessa linha, segundo ele, o projeto alcançaria até o desbloqueio de celular.

Os professores alegam que nenhum país criminaliza o acesso a informações na internet de forma tão ampla. "A legislação mais próxima ao que se propõe foi adotada nos EUA, que criminalizaram o ato de quebrar ou contornar medidas de proteção tecnológica. Mas nenhuma criminalizou o próprio acesso", diz o parecer.

O artigo 285-B qualifica como crime, também sujeito a reclusão de um a três anos, e multa "obter ou transferir dado ou informação" sem autorização do legítimo titular.

Os professores da FGV propõem a exclusão ou a mudança do texto dos dois artigos. Querem que só sejam considerados crime o acesso e a transferência de informações na internet se feito por meio fraudulento e com a finalidade de obter vantagem para si ou para outrem.

Vigilância

Um terceiro artigo do projeto de lei - o artigo 22 - também está sendo questionado tanto pelos provedores de acesso à internet quanto pelos professores da Escola de Direito da FGV do Rio de Janeiro. Ele cria a obrigação para os provedores de informar, sigilosamente, às autoridades indícios de prática de crime de que tenham tomado conhecimento.

Para os professores da FGV, o artigo cria um sistema de delação e de vigilância privada sobre os internautas, na medida em que os provedores estariam obrigados a informar os casos em que -de acordo com suas próprias convicções- haveria indício de crimes.


Extraído de: http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=15059