Mostrando postagens com marcador ecovilas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ecovilas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Gestão e sustentabilidade emulados no espaço urbano

Cidades como Objeto de Desejo: gestão e sustentabilidade emulados no espaço urbano
 
 
"Quando se discute o tema das cidades sustentáveis, há várias noções e abordagens em disputa. Fenômeno típico de um campo marcado pela polissemia e pelas controvérsias em torno de visões de mundo concorrentes, a sustentabilidade no espaço urbano remete necessariamente à busca pelo bem viver", escreve Armindo dos Santos de Sousa Teodósio, em artigo publicado na revista Plurale, 13-01-2014.
 
Eis o artigo.
 
Sendo assim, é matéria por definição política, tanto em sua referência às formas de se viver junto na pólis, na cidade, quanto à própria essência da visão de mundo e das ideologias que ensejam. Ao contrário do que as visões tecnicista e gerencialista sobre o espaço urbano defendem, infelizmente também presentes nas disputas pelo significado da sustentabilidade, não se trata apenas de um agrupamento de melhores práticas, estratégias e recursos de gestão empregados em prol da preservação do meio ambiente nas cidades.
Nesse emaranhado de visões, debates e embates, a inexistência de uma concepção monolítica e fechada sobre o que vêm a ser as cidades sustentáveis, ao contrário do que muitos ativistas socioambientais podem imaginar, não é problema ou uma suposta etapa de uma trajetória ainda inicial de uma visão de mundo que uma dia se tornará precisa, delimitada, hegemônica e definitiva. Pelo contrário, a riqueza de opiniões e opções é fruto de um dos componentes mais importantes do desenvolvimento sustentável, que muitas vezes passa despercebido para aqueles que focalizam suas lentes sobre a natureza e se esquecem que a preservação ambiental é sempre um assunto do encontro entre “bichos, plantas e gentes”, o componente das liberdades democráticas e da construção do interesse público. Portanto, os caminhos do desenvolvimento sustentável nas cidades são muitos e levam a muitas “Romas”, a muitas cidades.
A cidade sustentável se sustenta em cima de alguns pilares. O primeiro deles é a crença de que a noção de desenvolvimento sustentável é melhor do que a de sustentabilidade, pois indica que é processo contínuo e se conecta a outras discussões sobre desenvolvimentoque marcaram e marcam os debates em sociedade sobre o bem viver e o interesse público, presentes na também rica polissemia de adjetivos para o desenvolvimento: econômico, local, urbano, comunitário…
Ao se trabalhar com a noção de desenvolvimento sustentável como guia para a compreensão da realidade e a intervenção social continua-se na mesma trilha da discussão sobre desenvolvimento e não se perde os avanços que o adjetivo sustentável tem conseguido arregimentar, apesar de sofrer com os duros golpes de incompreensão, pouca criatividade, covardia e interesses escusos que teimam em se aproveitar dele.
Além disso, cabe notar que sustentabilidade, por mais em voga que esteja, não é atributo de cidades. Não existem cidades sustentáveis! Existem cidades que desenvolvem dinâmicas favoráveis, mas que precisam ser sempre contínuas e refeitas, além de aprimoradas, em direção ao desenvolvimento sustentável. Não adianta sustentar o meio ambiente de uma cidade e o entorno ser degradado. Aliás, isso nem é passível de ocorrer.
Da mesma forma, ao contrário do que o discurso da moda adora defender, não existem empresas sustentáveis, lideranças sustentáveis, práticas sustentáveis, existem sim organizações, pessoas, posturas e ações que contribuem para o processo de desenvolvimento sustentável e aquelas contribuem muito pouco ou nada e ainda aquelas que se opõem a isso.
O desenvolvimento sustentável não se constitui em etapa final de uma longa jornada de uma cidade, uma empresa, uma liderança, na qual se atinge a sustentabilidade, mas sim na própria caminhada ad infinitum, sempre caminhada, sempre esforço, sempre mais exigente e sempre diante de novos desafios para toda a sociedade, até mesmo porque a natureza e as comunidades estão constante mutação, em direção ao bem viver e deixar outros seres e coisas bem viver e existir.
Cabe destacar também que a ideia de sustentabilidade nunca foi apenas preservar o meio ambiente, desde que Ignacy Sachs ajudou a formular a noção de ecodesenvolvimento, que depois se transformou, para pior, convenhamos, em desenvolvimento sustentável.
Usando as ideias de Ignacy Sachs, pode-se compreender que o desenvolvimento sustentável é sempre em um território e, portanto, varia de um local para outro, não existindo o desenvolvimento sustentável, mas os processos de desenvolvimento sustentável em diferentes cidades. E para que ele se efetive, Sachs defende que a participação popular é essencial, visto que a defesa do meio ambiente não se mantém em contextos de baixa participação popular, restrição de liberdades democráticas, limitação autocrática da atuação da imprensa, reduzida transparência e controle social frágil.
Esse pesquisador também defende que o desenvolvimento sustentável precisa se fundar na redução das desigualdades sociais e da pobreza, visto que populações em situação de vulnerabilidade estão mais sujeitas a se vitimarem com as tragédias ambientais e a darem vazão a processos de degradação ambiental para garantirem sua sobrevivência, ao passo que grupos que detém renda muito elevada em relação à média da sociedade podem desenvolver um estilo de vida baseado em consumo exagerado e desnecessário, que se torna referência para outros segmentos sociais, disseminando modos de vida pouco ou nada compatíveis com o desenvolvimento sustentável.
Em suma, o desenvolvimento sustentável tem estreita conexão com o modo de vida das comunidades, sendo assim também uma expressão cultural dos diferentes grupos sociais que compõem as cidades. Por fim, ele opera dentro da chamada economia verde e inclusiva, aquela que se desenvolve em bases que protegem o meio ambiente e ajudam a mitigar desigualdades econômicas, sociais, políticas e no acesso ao meio ambiente.
Vários campos de conhecimento, como já é amplamente sabido, se cruzam na construção dos saberes ambientais, como defende Enrique Leff. No campo das chamadas ciências sociais e humanas, as tradições de estudo do Urbanismo, Economia, Direito, Gestão Pública, Ciências Sociais, Antropologia, Ciências Políticas e Administração se embaralham oferecendo múltiplas abordagens e perspectivas que devem ser resgatadas e postas em ação e diálogo para a promoção do desenvolvimento sustentável nas cidades.
Nesse caldeirão, devem estar presentes o planejamento regional e urbano, o estudo dos modos de vida e sociabilidade urbanos, a análise de políticas públicas, a discussão sobre a ampliação da cidadania e as dinâmicas de democracia participativa, o direito à moradia, à mobilidade e à regularização fundiária nos espaços urbanos e uma série de outros temas, abordagens e tradições de estudos que têm como objeto de análise e de desejo as cidades.
Numa época em que as cidades também recebem inúmeros adjetivos que vão desde as cidades competitivas, cujo um dos casos emblemáticos é Barcelona, passando pelas cidades inteligentes, digitais, democráticas, inovadoras até chegar nas cidades resilientes, as cidades sustentáveis podem se transformar apenas em mais uma meta bem abstrata em um oceano repleto de possibilidades, com muitos riscos de inanição diante de tantos focos de ação, dispersando esforços e lutas.
A arte e a maestria por detrás da construção dos processos de desenvolvimento sustentável nas cidades reside em se alcançar o difícil, mas necessário equilíbrio entre pluralidade de caminhos e frentes de ação e a convergência de esforços, energias e avanços nas formas de vida e convivência urbanas.
Ainda assim, nessa multiplicidade de estudos, abordagens, ferramentas de trabalho e possibilidades de ação, algumas referências são essenciais. Mesmo correndo-se o risco de deixar de lado algumas obras e pesquisadores seminais, pode-se dizer que sem algumas discussões e análises dificilmente se consegue alcançar uma compreensão mais robusta e capaz de suportar mais e melhores estratégias, políticas, programas e instrumentos deintervenção socioambiental nas cidades.
São elas geradas por Pedro Jacobi e seus estudos sobre participação e meio ambiente, movimentos sociais ambientais e construção da consciência ambiental no ambiente urbano;Ricardo Abramovay e sua compreensão sobre as estreitas conexões entre mercados e realidades sociais e culturais, oferecendo inovadoras análises sobre formas híbridas de construção de dinâmicas econômicas capazes de preservar o meio ambiente e mitigar desigualdades sociais; José Eli da Veiga e a sua compreensão dos limites das dinâmicas econômicas tradicionais e os mitos da difusão da chamada “economia verde”, capaz de tudo, menos de efetivamente esverdear as cidades; Saskia Sassen, uma das maiores estudiosas das cidades, e sua discussão sobre espaço urbano, globalização, gentrificação e resistência espacial; Ladislau Dowbor e os aparatos teóricos que mobiliza para discutir desenvolvimento local de forma a valorizar, respeitar e ajudar a promover os saberes locais na construção das bases da chamada economia inclusiva e criativa; Richard Sennett e sua trajetória de estudos sobre as cidades, demonstrando como podem ser um espaço privilegiado de construção da cooperação, mas também locais repletos de contradições e ambiguidades na construção das chamadas cidades inteligentes e inovadoras; David Harvey, outro pesquisador essencial, e sua visão sobre a dinâmica econômica das cidades, sua inserção no circuito global de transações mercantis e o curto-circuito da economia capitalista nos tempos atuais; Jeremy Rifkin e sua discussão sobre economia de baixo carbono, do acesso e do compartilhamento; Mike Davis, autor de Planeta Favela, obra essencial para o entendimento da “morte e vida severina” nas cidades pelo mundo afora e seus estudos sobre a crescente urbanização, degradação do meio ambiente nas cidades, desigualdade e exclusão; Andrea Zhouri e suas análises sobre os avanços, dificuldades e ambiguidades da construção de políticas públicas ambientais e de uma governança urbana mais compartilhada na gestão do meio ambiente; Henri Acselrad e suas investigações baseadas nas noções de justiça ambiental e racismo ambiental, que oferecem um olhar essencial sobre as contradições ambientais bem escondidas no ambiente urbano; Raquel Rolnik e suas análises sempre contundentes sobre as cidades que excluem e desrespeitam direitos das populações em situação de risco e vulnerabilidade, colocando-as em maior e mais incisiva degradação através de políticas públicas higienistas, sobretudo em tempos de megaeventos esportivos; e enfim, mas não em último lugar, Yves Cabannes e seus estudos sobre a apropriação coletiva do espaço urbano, construindo dinâmicas compartilhadas e democráticas de governança dos bens públicos urbanos tanto em cidades ricas quanto em espaços urbanos de países pobres e em desenvolvimento.
Mas como sempre perdura a pergunta, principalmente por parte do leitor ávido por se envolver nas batalhas socioambientais urbanas, de como promover efetivamente essa utopia tão necessária, urgente e possível de ser conquistada, mesmo que a duras penas, a difusão mais robusta do desenvolvimento sustentável em sua cidade, cabe listar algumas frentes de ação principais. O desenvolvimento sustentável nas cidades brasileiras opera necessariamente pela:
a) ampliação dos espaços de participação popular na discussão sobre caminhos para o desenvolvimento e por parcerias intersetoriais, ou seja, entre governos, organizações da sociedade civil e empresas que não sejam capturadas pelos parceiros mais fortes e por interesses privados travestidos de públicos;
b) dinâmica econômica que permita que pequenos empreendimentos inovadores em termos sociais ambientais floresçam com crédito justo e que geram trabalho, renda e condições de trabalho justas, mitigando a pobreza e reduzindo as diferenças de renda dentro do espaço urbano;
c) promoção de políticas públicas que contribuam para o transporte coletivo em detrimento do individual;
d) ampliação do acesso a parques, jardins e natureza não apenas para quem tem renda, status e poder nas cidades;
e) política de tratamento adequado da água capaz de efetivamente mitigar problemas de enchentes ou de escassez para os pobres; e) redução dos níveis de poluição atmosférica;
f) difusão de uma educação ambiental capaz não apenas de informar e conscientizar sobre os problemas ambientais urbanos, mas de mudar atitudes e posturas no dia-a-dia da realidade das cidades;
g) ampliação do saneamento urbano para todos, principalmente para as comunidades periféricas;
h) promoção do encontro e da vida compartilhada entre diferentes grupos que compõem o espaço urbano, fazendo florescer a diversidade em suas diferentes dimensões na concretude de um mesmo local, ao contrário de segregá-las em bairros populares, periferias e guetos;
i) difusão da expressão cultural das populações periféricas, combatendo o “racismo ambiental”;
j) promoção de formas compartilhadas de acesso e gerenciamento da habitação popular em oposição ao lobby dos interesses imobiliários urbanos;
l) ampliação da cultura de transparência, prestação de contas e controle social;
m) implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, sem que nenhuma concessão seja feita para dinâmicas empresariais ávidas por excluir os recicladores da riqueza gerada pelo lixo atualmente e por difundir tecnologias de incineração, comprovadamente desfavoráveis ao meio ambiente e a saúde humana.
Como vários caminhos levam ao desenvolvimento sustentável e como isso é quase que mudar tudo ao mesmo tempo agora e promover na Terra a “Cidade de Deus” de Santo Agostinho, pode-se começar com um passo de cada vez. Para tanto, é preciso que floresçam nas cidades não apenas o belo e contagiante espírito de indignação contra as mazelas das políticas públicas e da política no Brasil, mas também uma multiplicidade de organizações da sociedade civil, atuando nos múltiplos campos de promoção do desenvolvimento sustentável no espaço urbano, movidas por uma indignação que resulta em obras, ações, maiores e melhores debates, maiores e melhores dúvidas e controvérsias, que semeadas em solo democrático, podem levar a melhores formas de se bem viver nas cidades desde que sejam sempre regadas pelo compromisso com o interesse público.
 
PARA LER MAIS:
 
02/08/2012 - O que pode levar a uma cidade sustentável?
25/11/2013 - Sustentabilidade, muito além da questão ambiental, artigo de Gelma Reis
01/11/2013 - “Estado do Mundo 2013” pergunta: a sustentabilidade ainda é possível?
17/08/2011 - Para além do "desenvolvimento sustentável"
 
VEJA TAMBÉM:
 
Desenvolvimento sustentável: fundamentação teórico-prática. Revista IHU On-Line, Edição nº 203
A política na condução do desenvolvimento sustentável. Revista IHU On-Line, Edição nº 358
A incompatibilidade entre sustentabilidade, pobreza e miséria. Revista IHU On-Line, Edição nº 384
Rio+20: centrada no equilíbrio entre a sustentabilidade e a equidade. Revista IHU On-Line, Edição nº 384
Vale do Sinos inova em tecnologia e sustentabilidade. Revista IHU On-Line, Edição nº 328
 

domingo, 14 de setembro de 2008

A pílula vermelha


Por: Gardel Silveira
(http://sitiocurupira.wordpress.com/a-pilula-vermelha/)


Você já se sentiu como se não tivesse certeza de que a realidade que vemos, ouvimos e sentimos é verdadeira? Nós acordamos todo dia, ligamos a tv, nos alimentamos, ouvimos rádio, levamos nossos filhos para escola, vamos para o trabalho, pagamos nossas contas, dirigimos o carro do ano, temos nossa casa própria, tv a cabo e todo ano viajamos de férias para poder compensar todo sofrimento que passamos para conquistar tudo isso. Costumo dizer para meus amigos que boa parte da humanidade dedica quase toda sua vida trabalhando num emprego que não gosta para comprar coisas que não precisa. Todos concordam, mas quase ninguém faz nada para mudar.

Mesmo com toda essa dedicação e trabalho parece que está sempre faltando algo, há sempre um vazio que não consegue ser preenchido. E a televisão, o oráculo da sociedade moderna, nos diz que, para sermos mais felizes, temos que nos desfazer das coisas velhas e comprar, consumir, possuir o novo. A mídia é um instrumento pelo qual nossa sociedade adquire todos esses desejos e conhecimentos. Não obtemos mais o conhecimento diretamente da terra, pois perdemos os contatos com as fontes da nossa sobrevivência. Não cultivamos mais o nosso próprio alimento ou aprendemos diretamente com nossas próprias experiências. Nem temos nossa família como a raiz de nossas opções, basicamente somos como um astronauta no espaço flutuando em um universo metálico desconectados das fontes da terra e somos completamente dependentes de informações que recebemos de lugares longínquos. Talvez isso explique o fascínio dos cientistas da Nasa em tentar achar vida em Marte. Será que eles não perceberam que há vida na Terra?

Estamos mentalmente dormentes. Entorpecemos nossos sentidos da manhã até a noite, seja com o desejo de consumir mais e mais ou pelo cárcere de um emprego que nos trata como escravos em troca de dinheiro para manter todo este ciclo vicioso e destrutivo. Ficamos cegos para a verdadeira beleza. E, se estamos insensíveis à beleza do mundo, então procuramos substitutos.

Eric Hoffer já dizia, “Você nunca pode ter o bastante daquilo que não quer de verdade”, quer dizer, nos ocupamos com o trabalho, viajamos de férias para o Caribe, consumimos tudo o que desejamos, mas sempre há uma sensação de carência, de perda. Essa sensação é porque nós não sabemos o que perdemos. E o que perdemos foi à beleza do mundo. E a gente tenta compensar isso conquistando o mundo, possuindo o mundo. Só que nesse consumo compulsivo e desenfreado estamos literalmente consumindo nosso limitado planeta. Estamos acabando com o único planeta capaz de prover a nossa vida em todo sistema solar, quiçá da galáxia ou do universo. Basta dar uma olhadinha pelo Google Erth e visualizar as grandes cidades da superfície da Terra. Elas parecem um câncer de pele que se espalha pela superfície do planeta, destruindo sua fina camada natural de vida e transformando tudo em asfalto e concreto. E os rios, que são o sistema circulatório do planeta, estão congestionados de poluentes industriais e dejetos humanos. É possível perceber esta infecção até mesmo na temperatura do planeta, pois a febre é um sintoma do que já está acontecendo. Furacões, secas, derretimento das geleiras, enchentes, são apenas sintomas de que a humanidade está doente. Sim meus amigos, a doença do planeta é um reflexo de uma doença humana. A deterioração do meio ambiente de nosso planeta é um espelho externo de um estado interno. Tal externo, tal interno.

Meu objetivo não é listar razões para vocês entenderem que devemos mudar nossa maneira de pensar, agir, escolher e consumir. Não vai adiantar, pois tenho certeza que todos irão concordar comigo, mas quantos realmente tomarão uma atitude? Na experiência que tive em contatos com humanos civilizados, não adianta discursar, dizer que estamos errados agindo assim ou assado. Tem que haver um esforço pessoal seguido de um despertar interno de cada um.

Bem, vejo que ficou uma série de perguntas e lacunas sem respostas, esta foi minha intenção com este texto. Nestes últimos meses consegui reunir uma série de documentários e filmes que tratam exclusivamente destes assuntos. Talvez até vocês já tenham visto algum. A página “Pílula Vermelha” terá esta função: citar livros, títulos, resenhas e trailers de filmes que irão ajudar neste despertar interno.

Temos o privilégio de viver em uma era onde a tecnologia faz com que as informações andem tão rápido que mesmo antes do fato terminar já virou notícia em algum site ou blog independente. Isso quer dizer que não vai ser por ignorância que destruiremos a vida que conhecemos no planeta.

Termino este texto com a célebre frase de um homem que não precisou presenciar efeito estufa, destruição da camada de ozônio e derretimento das geleiras para saber o que devemos fazer.

“Um homem deve decidir se vai andar na luz do altruísmo criador ou na escuridão do egoísmo destrutivo” Martin Luther King

Um grande abraço a todos e desfrutem da pílula vermelha, Gardel Silveira.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Projeto Visão do Futuro

Reproduzo abaixo o texto de apresentação do Projeto Visão do Futuro, extraído do site http://www.visaofuturo.org.br/inicio.html.

Trata-se de uma iniciativa de vida alternativa, inserindo-se dentro da reflexão do comunitarismo, já abordado anteriormente neste Blog. Sem entrar no mérito do grau, da amplitude e profundidade dessa iniciativa – se ela tem o potencial (ou não) de promover as rupturas necessárias para a superação das diversas cisões promovidas pela cultura hegemônica – considero a proposta como avanço construtivo e concreto nesse sentido.

(agradeço à VKITSIS por ter noticiado a existência do projeto neste Blog)

Segue o texto:

A SOLUÇÃO: IMITANDO A NATUREZA com a“BIOECONOMIA”

O Parque Ecológico Visão Futuro em Porangaba, no interior do estado de São Paulo, é uma comunidade integrada (uma “eco-vila”) que tem a proposta de mostrar, na prática, como essa situação pode ser revertida.
O projeto do Parque é baseado na “BIOECONOMIA” – a aplicação dos princípios operacionais dos sistemas biológicos da natureza, tanto na vida social quanto na econômica. Sua meta é suprir as necessidades básicas da vida (alimento, vestuário, educação, saúde, moradia e energia) através de sistemas cooperativos, auto-organizadores e auto-suficientes, gerando mínima entropia e buscando a máxima utilização de todos os recursos humanos e naturais.

AUTOSUFICIÊNCIA, AUTONOMIA & DIGNIDADE

Com a falência das sociedades urbanas complexas em toda a parte, as comunidades locais estão cada vez mais buscando restaurar a noção de identidade e participação. O Parque Ecológico Visão Futuro oferece um mini laboratório social com vistas a explorar soluções viáveis para os 4 bilhões de seres humanos excluídos do processo de globalização. Baseados nos princípios de mínima entropia e máxima utilização dos recursos, os sistemas sustentáveis que dispomos, de agricultura orgânica, reciclagem de água e de resíduos, assim como de energia renovável, restauram os ciclos naturais para que se alcance um estado de equilíbrio dinâmico. Por meio de micro agro-indústrias, cooperativamente administradas que suprem a comunidade com as necessidades básicas da vida – alimento, vestuário e medicamentos – podemos revitalizar as raízes locais e criar microeconomias auto-suficientes. É possível quebrar o ciclo vicioso da pobreza, da exclusão social e da degradação ambiental, pela reativação das economias locais e pelo resgate da dignidade de todos os seres.

O Parque Ecológico Visão Futuro, uma área de 65 hectares no interior do estado de São Paulo, próximo da cidade de Porangaba, foi fundado com o objetivo de tornar-se um modelo de desenvolvimento rural integrado, conforme a filosofia da máxima utilização do mestre indiano Prabhat Rainjan Sarkar. Essa iniciativa deu-se a partir da II Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (“Eco-92”), no Rio de Janeiro, em 1992, com doações dos governos sueco e alemão (Agência Internacional de Desenvolvimento – SIDA) e a Fundação de Tecnologia Alternativa em Frankfurt, através do ONG Fundação Globetree, da Suécia). O projeto do Parque consistia, em seu início, de uma casa com 7 cômodos, um barracão precário, um velho cobertor e uma única colher. Durante os anos seguintes, com o apoio de incontáveis simpatizantes e doações, e com o trabalho incansável de dezenas de voluntários de todas as partes do mundo, o sonho tornou-se realidade.
Durante a fase inicial (1993-4), o Parque serviu como um centro de educação ambiental para eventos com grupos de adultos, jovens e crianças de escolas da região circunvizinha, tendo sido objeto de grande reconhecimento, tanto nacional como internacional, como um modelo de vida ecológica. Especialistas suecos em meio ambiente denominaram o Parque como uma “pequena fazenda de mínima entropia”, que demonstra, na prática, como uma comunidade rural pode obter auto-suficiência em alimento, remédios, energia e educação, enquanto, ao mesmo tempo, preserva os ciclos naturais de água e biomassa, gerando um desperdício mínimo e prevenindo a degradação ambiental. Numerosas atividades educacionais e culturais têm sido conduzidas no Parque desde o seu início, incluindo:
• O “Projeto Crescer” – treinamento de líderes infantis, na cidade próxima de Tatuí, para conscientizar outras crianças e adultos da importância de reciclagem de lixo, patrocinado pelo Unibanco Ecologia (1994-5).
• “Projeto Visão Futuro” – associado ao World Future Studies Foundation, da Austrália, e patrocinado pela UNESCO, para desenvolver consciência ecológica entre os jovens universitários (1996-8).
• Cursos sobre Biopsicologia e outros tópicos, que promovem o desenvolvimento integrado do ser humano, para adultos, a partir de 1998. Esses cursos estão numa fase de expansão, através de seminários de treinamento de multiplicadores, por todo o Brasil, que oferecem uma série de cursos e seminários sobre desenvolvimento humano, nas suas respectivas localidades.

AGRICULTURA ORGÂNICA

A auto-suficiência na alimentação é alcançada por meio de uma agricultura orgânica extensiva, que provê todas as necessidades nutricionais da comunidade e comercializa na área circunvizinha, gerando assim emprego para a população rural.

PADARIA

A padaria produz ítens orgânicos e integrais para o consumo da comunidade e do bairro vizinho, o que também gera emprego para as pessoas locais.

PLANTAS MEDICINAIS

A horta de plantas medicinais (em forma de mandala, ou geometria sagrada), assim como o laboratório, produzem artigos naturais como xampus, sabonetes, e cosméticos, para o uso da população local e para comercialização, gerando mais empregos para as mulheres do bairro. O laboratório também produz chás medicinais, contribuindo para a auto-suficiência em remédios da comunidade.

VESTUÁRIO

Um centro de costura, usando máquinas de costura e tecidos doados, oferece treinamento para as mulheres locais aprenderem a produzir as necessidades de vestuário de suas famílias, e peças simples de roupa para serem vendidas, aumentando assim a renda familiar.

ENERGIA ALTERNATIVA

Um sistema integrado de energia renovável, incluindo-se luz solar (produzido por painéis fotovoltáicos), aquecimento solar de água, e bombas de água ativadas por energia solar e cata-ventos.

RECICLAGEM DE LIXO E ÁGUA

Os resíduos orgânicos da comunidade são reciclados na compostagem para a horta orgânica e a água do esgoto é tratada num sistema biológico de tratamento, a “zona das raízes”, que recicla toda a água usada domesticamente (incluindo dos banheiros) para irrigação.

CAPTAÇÃO DA ÁGUA DA CHUVA

Os ciclos naturais hidrológicos são restaurados através de numerosos açudes que captam a água da chuva para máxima utilização da mesma. Esses açudes são cercados por plantações de “mata ciliar” para conservar a água...

TRATAMENTO BIOLÓGICO DA ÁGUA

...e a água é limpa através de um sistema biológico de tratamento.

EDUCAÇÃO

Na Creche CreSer as crianças rurais não apenas aprendem a ler, escrever e contar, mas desenvolvem auto-motivação, dignidade, valores éticos, criatividade e uma atitude de amor para com todos os seres.

SAÚDE CORPO-MENTE - AYURVEDA

Um Centro Ayurvédico, “Centro Ananda”, foi estabelecido para promover tratamentos alternativos da milenar ciência de saúde da Ayurveda (a “Ciência da Vida”)

DESENVOLVIMENTO HUMANO

Vários cursos e seminários, que promovem o desenvolvimento integrado do ser humano – nos planos físico, mental e espiritual – são oferecidos nas amplas dependências do Parque – que dispõe de dormitórios, teatros, refeitórios, salas de reunião, etc.

ARTE

Consciência e Amor são os princípios fundamentais que norteiam a nossa arte. Através de peças, rituais e vivências artísticas nos cursos e oficinas de artes para as crianças e os jovens do bairro, a nossa arte serve sua proposta: "Arte para serviço e bem-aventurança". A Companhia de Teatro VerDeImproviso enxerga o ser humano na sua essência: sua natureza divina.

COOPERAÇÃO

Os projetos são gerados cooperativamente, as decisões tomadas coletivamente e os recursos financeiros compartilhados equitativamente, com uma justa e equilibrada distribuição de renda.

Fonte: http://www.visaofuturo.org.br/inicio.html