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terça-feira, 6 de abril de 2010

O Brasil é o campeão mundial dos agrotóxicos


Estudo traça perfil do mercado de agrotóxicos no Brasil


Em 2009, 65% dos agrotóxicos registrados no Brasil não chegaram a ser comercializados. Dos mais de 2 mil produtos disponíveis, apenas 783 chegaram às mãos dos agricultores. Os dados fazem parte do estudo “Monitoramento do Mercado de Agrotóxicos” , organizado pelo professor da Universidade Federal do Paraná Victor Pelaez.

A notícia é de Danilo Molina, da Anvisa, e publicada por EcoDebate, 29-03-2010.

Outro dado apresentado pelo estudo é de que as dez maiores empresas do setor de agrotóxicos concentram mais de 80% das vendas no país. “A criação de um portfólio de registros não utilizados adquire uma lógica mais financeira do que produtiva, ao se constituir como reserva de valor para as empresas”, explica Pelaez.

Para o diretor da Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa), José Agenor Álvares, a não utilização dos novos registros apontam para uma contradição do setor. “À medida que somos cada vez mais cobrados para dar agilidade aos processos de avaliação dos registros de agrotóxicos, os produtos que são autorizados não são colocados no mercado”, afirma Álvares.

Os dados também apontam a consolidação do Brasil como maior mercado e com maior ritmo de expansão no consumo de agrotóxicos em todo mundo. Ao longo desta década, o mercado brasileiro cresceu 176%, quase quatro vezes mais do que a média mundial.

De acordo com Álvares, os números apresentados comprovam o alto grau de comprometimento que as indústrias de agrotóxicos devem ter com o Brasil. “O setor do agronegócio deve praticar uma concorrência honesta, de modo que proporcione preços acessíveis para os pequenos produtores e agrotóxicos da forma mais limpa possível para toda população”, explica o diretor da Anvisa.

Mercado

O mercado brasileiro de agrotóxicos é o maior do mundo, com 107 empresas aptas a registrar produtos, e representa 16% do mercado mundial. Só em 2009, foram vendidas mais de 780 mil toneladas de produtos em nosso país.

O Brasil também ocupa a sexta posição no ranking mundial de importação de agrotóxicos. A entrada desses produtos em território nacional aumentou 236%, entre 2000 e 2007.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Contratos secretos da Monsanto são revelados





Contratos confidenciais que detalham as práticas de negócios da Monsanto Co. revelam como a maior desenvolvedora de sementes do mundo está pressionando competidores, controlando companhias menores de sementes e protegendo seu domínio sobre o mercado multibilionário de sementes geneticamente modificadas.

A reportagem é de Chirstopher Loenard, publicada pela Associated Press e pelo sítio The Atlanta Journal-Constitution, 14-12-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Com os genes patenteados da Monsanto inseridos em cerca de 95% de toda a soja e de 80% de todo o milho produzid o nos EUA, a companhia também está usando seu amplo alcance para controlar a habilidade de novas empresas biotécnicas de obter uma grande distribuição de seus produtos, de acordo com uma investigação de diversos acordos de licenciamento da Monsanto e dezenas de entrevistas com participantes da indústria das sementes e com especialistas em direito e em agricultura.

A queda da competição no negócio de sementes poderia levar a uma elevação de preços que atingiriam a mesa de todas as famílias. É por isso que os flocos de milho que você come no café-da-manhã, o refrigerante que você bebe no almoço e o molho de carne que você janta provavelmente foram produzidos a partir de sementes que cresceram com os genes patenteados da Monsanto.

Os métodos da Monsanto são explicados em detalhe em uma série de acordos de licenciamento comercial confidenciais obtidos pela Associated Press. Os contratos, de 30 pági nas, incluem termos básicos para a venda de sementes manipuladas resistentes ao herbicida Roundup da Monsanto, junto com acordos suplementares mais curtos, que se referem às novas características da Monsanto ou a outras emendas de contratos.

A companhia usou os acordos para difundir sua tecnologia – dando a cerca de 200 companhias menores o direitos de inserir genes da Monsanto em suas variedades separadas de pés de milho e de soja. Mas, segundo a investigação da AP, o acesso aos genes da Monsanto vem com um custo e uma grande quantidade de outros anexos pendentes.

Por exemplo, uma cláusula de um contrato proíbe que empresas independentes cultivem plantas que contenham tanto os genes da Monsanto e os genes de qualquer um de seus concorrentes, a menos que a Monsanto tenha lhes dado uma permissão p révia por escrito – dando à Monsanto a possibilidade de efetivamente trancar a porta para que seus concorrentes insiram suas características patenteadas na vasta parcela das sementes norte-americanas que já contêm genes da Monsanto.

As estratégias de negócio e os acordos de licenciamento da Monsanto estão sendo investigadas pelo Departamento de Justiça dos EUA e por pelo menos dois procuradores gerais do Estado, que estão tentando determinar se essas práticas violam as leis antitruste dos EUA. As práticas também estão no centro de processos antitruste civis contra a Monsanto apresentados por seus concorrentes, incluindo um processo de 2004 apresentado pela Syngenta AG, que foi decidido por meio de um acordo, e uma litigação em curso pedida neste verão pela DuPont em resposta à ação judicial da Monsanto.

A gigante da agricultura com sede no subúrbio de St. Louis di sse que não fez nada errado.

"Nós acreditamos que não haja qualquer mérito para alegações sobre nossos acordos de licenciamento ou seus termos", disse o porta-voz da Monsanto, Lee Quarles. Ele disse que não poderia comentar sobre cláusulas específicas dos acordos, porque eles são confidenciais e estão sujeitos a uma litigação em curso.

"Nossa atitude com relação ao licenciamento a muitas companhias é pró-competição e permitiu que literalmente centenas de empresas de sementes, incluindo todos os nossos principais concorrentes diretos, oferecessem milhares de novos produtos para sementes aos agricultores", disse.

O benefício da tecnologia da Monsanto para os fazendeiros é inegável, mas alguns de seus principais concorrentes diretos e empresas de sementes menores afirmam que a companhia está usando táticas repressivas para promover o seu controle.

"Acreditamos agora que a Monsanto tem controle sobre algo como 90% das sementes transgênicas. Esse nível de controle é quase inegável", disse Neil Harl, economista agrícola da Iowa State University, que estudou a indústria das sementes durante décadas. "O resultado disso é que está se intensificando o controle da Monsanto e tornando-lhes possível o aumento de seus preços a longo prazo. E temos visto isso acontecer durante os últimos cinco anos, e o fim não está ao alcance dos olhos".

Aumento dos preços

Questiona-se quanto poder uma única empresa pode ter sobre as sementes, o fundamento do suprimento de alimentos do mundo. Sem uma competição forte, a Monsanto pode elevar o preço de suas sementes o quanto quiser, o que, por sua vez, pode elevar o custo de tudo, desde a ração animal até o pão branco e os biscoitos.

O preço das sementes já está aumentando. A Monsanto aumentou o preços de algumas sementes de milho no ano passado em 25%, com 7% adicionais de aumento planejados para as sementes de milho em 2010. As sementes de soja da marca Monsanto subiram 28% no último ano e ficarão estáveis ou aumentarão 6% em 2010, disse a porta-voz da empresa, Kelli Powers.

O grande uso de acordos de licenciamento pela Monsanto colocou as suas características biotécnicas entre as tecnologias mais ampla e rapidamente adotadas na história da agricultura. Nestes dias, quando os agricultor es compram fardos de sementes com marcas obscuras como AgVenture ou M-Pride Genetics, eles estão pagando por produtos de licença da Monsanto.

Uma das inúmeras cláusulas nos acordos de licenciamento é a proibição de misturar genes – ou "amontoar", na gíria industrial –, o que aumenta o poder da Monsanto.

Uma cláusula contratual provavelmente ajudou a Monsanto a comprar 24 empresas de sementes independentes em todo o Cinturão Agrícola [Estados do Meio Oeste dos EUA como Iowa, Kansas, Minnesota, Nebraska, Dakota do Norte e do Sul] ao longo dos últimos anos: esse acordo sobre as sementes de milho afirma que, se uma empresa menor muda de proprietário, seu inventário com as características da Monsanto "deve ser destruído imediatamente".

No entanto, Quarles disse que não sabia desse acordo mais antigo, obtido pela AP, mas disse que, "da forma como eu entendo", a Monsanto inclui cláusulas em todos os seus contratos que permitem que as empresas vendam seu inventário se o proprietário mudar, em vez de forçá-las a destruir o inventário imediatamente.

Outra cláusula de contratos do início da década – referentes a descontos – também ajuda a explicar o rápido crescimento da Monsanto ao ampliar os novos produtos.

Um contrato dava a uma empresa de sementes independente grandes descontos se a companhia assegurasse que os produtos da Monsanto atingissem 70% do total do seu inventário de sementes de milho. Em sua ação judicial de 2004, a Syngenta chamou os descontos como uma parte da "campanha de terra arrasada" da Monsanto para manter as novas características da Syngenta fora do mercado.

Quarles disse que os descontos foram usados para atrair as empresas de sementes a divulgar produtos da Monsanto quando a tecnologia era nova e os agricultores ainda não a haviam usado. Agora que os produtos estão bem difundidos, a Monsanto não deu continuidade aos descontos, disse ele.

Os contratos da Monsanto revistos pela AP proíbem que as empresas de sementes discutam termos, e a Monsanto tem o direito de cancelar acordos e destruir os inventários de um negócio se as cláusulas de confidencialidade são violadas.

Thomas Terral, diretor geral da Terral Seed, em Louisiana, disse que recentemente rejeitou um contrato da Monsanto porque colocava muitas restrições ao seu negócio. Mas Terral recusou apresentar o contrato não firmado à AP ou mesmo discutir seus conteúdos porque ele tinha medo de q ue a Monsanto o retaliasse e cancelasse o resto de seus acordos.

"Eu estaria tão envolvido com o que seria capaz de fazer que basicamente eu não teria valor nenhum para qualquer outra pessoa", disse ele. "A única pessoa à qual eu teria valor seria a Monsanto e continuaria pagando milhões para eles em taxas".

Os proprietários de empresas de sementes independentes poderiam renunciar a seus contratos com a Monsanto e retornar às vendas de sementes convencionais, mas disseram que isso poderia ser financeiramente desastroso. O gene Roundup Ready da Monsanto se tornou o padrão industrial ao longo da última década, e as pequenas empresas temem a perda de consumidores se renunciarem a ele. Também poderia levar anos de cultivos e investimentos para misturar os genes da Monsanto em uma linha de produtos de uma companhia de sementes, por isso renunciar aos genes poderia ser muito custoso.

A Monsanto reconhece que os advogados do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) estão procurando documentos e entrevistando empregados da empresa sobre suas práticas de mercado o DOJ não quis comentar.

Um representante do procurador-geral de Iowa, Tom Miller, disse que o escritório está examinando possíveis violações antitruste. Além disso, duas fontes íntimas à investigação no Texas disseram que o escritório do procurador-geral do Estado, Greg Abbott, estão investigando as mesmas questões. Os Estados têm a autoridade de fazer valer as leis antitruste federais, e os procuradores-gerais muitas vezes estão envolvidos nesses casos.

O presidente e diretor-executivo da Monsanto, Hugh Grant, disse aos analistas de investimentos durante uma conferência que os aumentos de preços se justificam por causa do estímulo de produtividade que os agricultores tiveram com as sementes da companhia. Os agricultores e os p roprietários de empresas de sementes concordam que a tecnologia da Monsanto impulsionou os rendimentos e os lucros, economizando o tempo que eles antes gastavam eliminando as pragas e o dinheiro que gastavam com pesticidas.

Mas os recentes aumentos de preços ainda têm sido duros para engolir nas fazendas.

"É como se eu tivesse sido atingido por um mal tempo e tivesse tido um rendimento pobre. Isso apenas significa que eu ganhei menos no fim das contas", disse Markus Reinke, produtor de milho e soja perto de Concordia, Missouri, que assumiu a fazenda de sua família em 1965. "Eles podem cobrar porque podem fazer isso e prosseguir normalmente. Nós, agricultores, só nos queixamos, balançamos nossas cabeças e seguimos em frente com isso".

Qualquer caso do Departamento de Justiça contra a Monsanto poderia dar origem a um novo patamar ao equilibrar um direito da empresa de controlar seus p rodutos patenteados ao mesmo tempo em que protege o direito à competição livre e aberta, disse Kevin Arquit, ex-diretor da Federal Trade Commission Competition Bureau e atual procurador antitruste com a empresa Simpson Thacher&Bartlett LLP, em Nova York.

"Há questões muito interessantes e não apenas para as empresas, mas para o Departamento de Justiça", disse Arquit. "Eles estão em uma área em que há incerteza na lei e há implicações sobre o bem-estar do consumidor e sobre as políticas governamentais independentemente do resultado".

Outras empresas de sementes seguiram a liderança da Monsanto incluindo cláusulas restritivas em seus acordos de licenciamento, mas seus produtos penetraram apenas em segmentos menores do mercado de sementes dos EUA. O gene Roundup Ready da Monsanto, por outro lado, está em um conjunto tão amplo de sementes que seus acordos de licenciame nto podem ter um efeito massivo nas leis do mercado.

O crescimento do gigante

A Monsanto era apenas um concorrente de um nicho específico nos negócios de sementes há 12 anos. Ela chegou ao topo graças à inovação de seus cientistas e ao agressivo uso da lei de patentes por seus procuradores.

Primeiro, veio a ciência, quando a Monsanto, em 1996, introduziu a primeira variedade comercial de sementes geneticamente modificadas de soja do mundo. As plantas Roundup Ready era resistentes ao herbicida, permitindo que os agricultores passassem Roundup quando quisessem, em vez de terem que esperar até que a soja tivesse crescido o suficiente para suportar o produto químico.

A companhia logo colocou à disposição outras sementes transgênicas, como os pés de milho que produziam um pesticida natural para afugentar insetos. Mesmo que a Monsanto tivesse produtos que eram um sucesso de venda, ela ainda não tinha um ponto de apoio em uma indústria de sementes feita de centenas de empresas que abasteciam os agricultores.

Foi aí que entraram as inovações legais, quando a Monsanto se tornou uma das primeiras a patentear amplamente seus genes e a conquistar o direito de controlar estritamente como deviam ser usados. Esse controle permitiu-se difundir sua tecnologia por meio de acordos de licenciamento, ao mesmo tempo em que formava o mercado ao redor deles.

Ainda na década de 70, universidades públicas desenvolveram novas variedades para as sementes de milho e de soja que faziam com que crescessem de forma resistente e resistissem às pestes. As empresas de sementes pequenas obtinham as variedades a preço baixo e podiam misturá-las a sementes de espécies superiores sem restrições. Mas os acordos deram à Monsanto o controle sobre a mistura de múltiplas variedades biotécnicas de sementes.

As restrições atingiam até pesquisadores financiados pelos contribuintes.

Roger Boerma, pr ofessor pesquisador da Universidade da Georgia, está desenvolvendo variedades especializadas de sementes de soja que crescem bem nos Estados do sudeste norte-americano, mas sua pesquisa atual está presa por essas restrições da Monsanto e de seus competidores.

"Tornou uma fase da nossa vida incrivelmente desafiador e difícil", disse Boerma.

As regras também podem restringir a pesquisa. Boerma parou uma pesquisa sobre uma linha de novas plantas de soja que continham uma característica de um competidor da Monsanto quanto ele soube que a característica era inefetiva a menos que pudesse ser misturado ao gene Roundup Ready da Monsanto.

Boerma disse que ele nem pensou em pedir permissão da Monsanto para misturar suas características com a variedade do competidor.

"Eu acho que a mistura da tecnologia de características deles com a tecnologia de características de outra companhia provavelmente seria um sério pr oblema para eles", disse.

Ao mesmo tempo, os direitos de patente da Monsanto dão-lhe a autoridade para dizer até que ponto as empresas são independentes para usar suas características, disse Quarles.

"Tenham em mente que, como o desenvolvedor de propriedade intelectual, é nosso direito determinar quem irá obter os direitos sobre nossa tecnologia e para qual objetivo", disse.

"Se as empresas de sementes independentes estão perdendo sua licença e têm que destruir suas sementes, elas não vão ter nada, com efeito, para vender", disse Boies. "Isso requer que elas destruam coisas – destruam coisas que pagaram – se se tornarem competitivas. Esse é exatamente o tipo de restrição sobre escolhas competitivas que as leis antitruste proíbem".

Alguns donos de empresas de semente independentes disseram se sentem crescentemente prejudicados com o fortalecimento da liderança da Monsanto na indústria.

"Eles têm o capital, têm os recursos, são donos de muitas empresas e estão comprando mais. Nós somos uma cidade do interior, eles são a Wall Street", disse Bill Cook, co-proprietário da empresa de sementes M-Pride Genetics, em Garden City, Missouri, que também não quis discutir ou fornecer os acordos. "É muito difícil competir nesse ambiente contra empresas como a Monsanto".

sábado, 5 de dezembro de 2009

Para além da natureza e da cultura




Abaixo, três matérias recentes e que, lidas em conjunto, parecem oferecer algum sentido comum.

Deixo para a inteligência e imaginação do leitor do Blog estabelecer as possíveis conexões...


Internet das coisas: uma revolução na web


O nome já diz tudo. “Internet das coisas” é aquela que irá se conectar à objetos físicos: de um talão de cheques à uma bicicleta. A transição para a web 3.0 cobrirá toda a infra-estrutura necessária (hardware, software e serviços) para suportar esta rede de conexão de objetos. O professor e pesquisador do PPG em Design da Unisinos, Gustavo Fischer, conversou com o IHU sobre o assunto. Em outubro do ano passado a Comissão Européia lançou uma consulta pública que propunha ações para que a região lidere esta “passagem”. As previsões da Europa são de que as primeiras soluções estarão no mercado em cinco anos.

Esta conexão de objetos permite que eles próprios tenham um papel ativo no processo de informação, já que além de fazerem a troca de dados, terão a capacidade de comportarem sua identidade, com as propriedades físicas e informação sobre o ambiente. Será possível, por exemplo, o uso de sensores para o controle de energia e temperatura nas residências, ou a captação de informações sobre os produtos em exposição nas lojas.

Do ponto de vista sociológico, o uso de objetos com essas características possibilita a redução de uma visão inicial e preconceituosa que “divide” o mundo em ambiente real e virtual, segundo o professor. Para ele, ao tornarmos os objetos mais “clicáveis” estaremos tornando a idéia de rede de dados menos submissa às lógicas de um aparelho preso à mesa, ou mesmo a dispositivos móveis convencionais. “A idéia apressada de entender a internet como potencializadora do isolamento e do individualismo ficará ainda mais relativizada. Por outro lado, há sim que se ter uma preocupação com o quanto que esse processo tensiona o campo das privacidades individuais e/ou coletivas. A internet foi fundada na dicotomia entre liberdade e proteção e parece que a cada nova "onda" de soluções advindas dela, essa lógica ou dicotomia se renova”, afirma Gustavo.

A “internet das coisas” permite, ainda, uma integração entre objetos, fazendo com que eles “saibam” a localização uns dos outros e se comuniquem. Para o professor ainda é prematuro tecer afirmativas definitivas sobre como essa prática pode modificar nosso cotidiano, mas a primeira idéia a ser pensada é a de que passaremos a visualizar o espaço e os objetos ao nosso redor com um conjunto de lentes distintas que poderão ser usadas isoladamente ou em conjunto. “Por exemplo: ao dotar um parque com diversos dados (histórico das manifestações que ali já ocorreram) passamos a passear por um território informacional e, eventualmente, poderemos não apenas "ler" os dados previamente colocados ali ligados a serviços, mas quem sabe acrescentar nossas próprias narrativas das cidades (imagens, histórias)”, explica.


Carne para todos: surge na Holanda o bife hi-tech


É a descoberta que potencialmente poderia abrir a porta para a solução do problema da fome no mundo: carne artificial, produzida em laboratório. Pode-se produzir quanto for necessário, sem limites e até sem o carregamento de emissões de gás nocivos que acompanha os métodos tradicionais usados até hoje, durante milhares de anos, para colocar na mesa essa comida fundamental, isto é, a criação de bovinos ou de outras espécies.

A reportagem é de Enrico Franceschini, publicada no jornal La Repubblica, 01-12-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Já haviam sido feitos outros avanços, mas agora, pela primeira vez, os cientistas anunciaram que a experiência foi realizada perfeitamente: pesquisadores da Universidade de Eindhoven, na Holanda, anuncia o jornal londrino Daily Telegraph, "criaram" um bife de porco fazendo-o crescer a partir de um tecido, um músculo de suíno, imerso em uma espécie de caldo derivado do sangue de fetos animais.

"Perfeitamente" obtido, exceto por uma particularidade de uma certa importância: ninguém submeteu o primeiro bife artificial da história a um teste, ou seja, ninguém o provou. A opinião dominante é que não teria sido acolhida com críticas entusiásticas, mas os especialistas estão convencidos de que o produto é rapidamente melhorável e que poderá ser comestível, de modo a ser lançado no mercado, colocado em venda nos supermercados e lojas de produtos alimentícios dentro de cinco anos.




"O que temos neste momento é o equivalente de um tecido muscular de descarte", diz o professor Mark Post, professor de fisiologia da Universidade de Eindhoven e principal autor da descoberta. "Temos que encontrar a forma de melhorá-lo, mas acreditamos que podemos chegar a isso em tempos relativamente breves. Esse produto fará bem ao meio ambiente e reduzirá os sofrimentos dos animais. Se tiver o aspecto e o gosto da carne, as pessoas irão comprá-lo e comê-lo".

A equipe de pesquisadores liderada pelo professor Post extraiu células do músculo de um porco vivo para depois submetê-lo aos procedimentos de laboratório necessários para fazer com que crescesse um pedaço de carne artificial. As células se multiplicaram no "caldo" de sangue de fetos animais e criaram um novo tecido muscular. O projeto, que tinha o apoio do governo holandês e de uma empresa produtora de salsichas, segue a criação de filés de peixe obtidos de células musculares de pequenos peixes.

As primeiras reações, porém, são discordantes. Na Grã-Bretanha, um porta-voz do Peta, um grupo que luta pela defesa dos direitos dos animais, comenta: "No que se refere a nós, se a carne não é mais um pedaço de animal morto, nós não temos nenhuma objeção de caráter ético". Mas um comunicado da Vegetarian Society, a associação britânica dos vegetarianos, se questiona como "é possível garantir que aquilo que se está comendo é carne artificial em vez de ser carne de um animal mandado ao açougue".

O surgimento da carne crescida em laboratório, indica o Daily Telegraph, poderia reduzir os bilhões de toneladas de gases nocivos emitidos a cada ano pelos animais de criadouros e, ao mesmo tempo, poderia ajudar a satisfazer o constante crescimento da demanda mundial de carne que, segundo estimativas das Nações Unidas, irá dobrar até 2050.

Críticas ao experimento chegaram também do lobby antialimentos geneticamente modificados. Justamente na semana passada, o príncipe Charles, da Inglaterra, um tenaz opositor dos alimentos geneticamente modificados, declarou que iniciativas desse gênero criam um problema, porque "tratam os alimentos como uma mercadoria e não como um precioso dom da natureza ao homem". Sobre o tema, registram-se reações semelhantes também em outros países.

E enquanto isso uma pesquisa divulgada no Reino Unido indica que os homens são mais carnívoros que as mulheres: comem o dobro de carne e são menos conscientes dos riscos para a saúde de uma alimentação à base de gorduras animais.




Nano-agricultura: efeitos gigantescos sobre o crescimento das plantas


Os nanotubos de carbono vêm ocupando os dois lados de uma polêmica no mundo científico há vários anos: de um lado, eles são vistos como um dos materiais mais promissores já encontrados pela ciência, com utilizações possíveis que vão da eletrônica até materiais super-resistentes e ultra leves.

A reportagem é do sítio Inovação Tecnológica, 03-12-2009.

No outro lado da polêmica estão os eventuais efeitos que os nanotubos podem ter sobre a saúde humana. Sendo menores do que as células, alguns estudos apontam que eles possuem uma toxicidade potencial que supera largamente a do já quase totalmente banido amianto.

Nanotubo, hipercrescimento

Mas, de acordo com uma pesquisa feita na Universidade do Arkansas, quando se trata de células vegetais, mais especificamente de sementes de tomate, os nanotubos têm efeitos que podem revolucionar a agricultura, com um potencial gigantesco de elevação da produção.

Os cientistas descobriram que as sementes de tomate expostas aos nanotubos de carbono de parede única - tubos de carbono cuja parede tem um único átomo de espessura - germinaram mais rapidamente e geraram mudas muito maiores e mais fortes do que as sementes da mesma linhagem que não passaram pelo tratamento.

Segundo os pesquisadores, esse efeito de incremento no crescimento dos vegetais pode representar uma revolução na produção de biomassa, seja de alimentos, seja de vegetais para a produção de biocombustíveis.

Nano-agricultura

A descoberta inaugura o campo da nano-agricultura, a aplicação da nanotecnologia ao cultivo industrial de vegetais.

A análise das sementes indica que os nanotubos de carbono penetram na camada externa mais dura das sementes, eventualmente elevando a capacidade de absorção de água, o que poderia explicar o estímulo ao crescimento da planta.

"Os efeitos positivos dos nanotubos de carbono sobre a germinação das sementes poderão ter importância econômica significativa para a agricultura, a horticultura e para o setor de energia, na produção de biocombustíveis," afirmam os pesquisadores.

Os resultados ainda são primários e a interpretação das razões que levaram ao maior crescimento das plantas ainda deverá ser objeto de novos estudos. A seguir, os cientistas deverão avaliar o destino dos nanotubos de carbono depois que as plantas crescem.




Fontes:

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=28029

e

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=27992



sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Agrotóxicos no seu estômago





"Na safra passada, as empresas transnacionais, e são poucas (Basf, Bayer, Monsanto, Du Pont, Sygenta, Bungue, Shell química...), comemoraram que o Brasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Foram despejados 713 milhões de toneladas! Média de 3.700 quilos por pessoa. Esses venenos são de origem química e permanecem na natureza. Degradam o solo. Contaminam a água. E, sobretudo, se acumulam nos alimentos", escreve João Pedro Stédile, economista e integrante da coordenação nacional do Movimento dos Sem Terra (MST), em artigo publicado no jornal O Globo, 24-09-2009.

Eis o artigo.

Os porta-vozes da grande propriedade e das empresas transnacionais são muito bem pagos para todos os dias defender, falar e escrever de que no Brasil não há mais problema agrário. Afinal, a grande propriedade está produzindo muito mais e tendo muito lucro. Portanto, o latifúndio não é mais problema para a sociedade brasileira. Será? Nem vou abordar a injustiça social da concentração da propriedade da terra, que faz com que apenas 2%, ou seja, 50 mil fazendeiros, sejam donos de metade de toda nossa natureza, enquanto temos 4 milhões de famílias sem direito a ela.

Vou falar das consequências para você que mora na cidade, da adoção do modelo agrícola do agronegócio.

O agronegócio é a produção de larga escala, em monocultivo, empregando muito agrotóxicos e máquinas.

Usam venenos para eliminar as outras plantas e não contratar mão de obra. Com isso, destroem a biodiversidade, alteram o clima e expulsam cada vez mais famílias de trabalhadores do interior.

Na safra passada, as empresas transnacionais, e são poucas (Basf, Bayer, Monsanto, Du Pont, Sygenta, Bungue, Shell química...), comemoraram que o Brasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Foram despejados 713 milhões de toneladas! Média de 3.700 quilos por pessoa. Esses venenos são de origem química e permanecem na natureza. Degradam o solo. Contaminam a água. E, sobretudo, se acumulam nos alimentos.

As lavouras que mais usam venenos são: cana, soja, arroz, milho, fumo, tomate, batata, uva, moranguinho e hortaliças. Tudo isso deixará resíduos para seu estômago.

E no seu organismo afetam as células e algum dia podem se transformar em câncer.

Perguntem aos cientistas aí do Instituto Nacional do Câncer, referência de pesquisa nacional, qual é a principal origem do câncer, depois do tabaco? A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) denunciou que existem no mercado mais de vinte produtos agrícolas não recomendáveis para a saúde humana. Mas ninguém avisa no rótulo, nem retira da prateleira. Antigamente, era permitido ter na soja e no óleo de soja apenas 0,2 mg/kg de resíduo do veneno glifosato, para não afetar a saúde. De repente, a Anvisa autorizou os produtos derivados de soja terem até 10,0 mg/kg de glifosato, 50 vezes mais. Isso aconteceu certamente por pressão da Monsanto, pois o resíduo de glifosato aumentou com a soja transgênica, de sua propriedade.

Esse mesmo movimento estão fazendo agora com os derivados do milho.

Depois que foi aprovado o milho transgênico, que aumenta o uso de veneno, querem aumentar a possibilidade de resíduos de 0,1 mg/kg permitido para 1,0 mg/kg.

Há muitos outros exemplos de suas consequências. O doutor Vanderley Pignati, pesquisador da UFMT, revelou em suas pesquisas que nos municípios que têm grande produção de soja e uso intensivo de venenos os índices de abortos e má formação de fetos são quatro vezes maiores do que a média do estado.

Nós temos defendido que é preciso valorizar a agricultura familiar, camponesa, que é a única que pode produzir sem venenos e de maneira diversificada. O agronegócio, para ter escala e grandes lucros, só consegue produzir com venenos e expulsando os trabalhadores para a cidade.

E você paga a conta, com o aumento do êxodo rural, das favelas e com o aumento da incidência de venenos em seu alimento.

Por isso, defender a agricultura familiar e a reforma agrária, que é uma forma de produzir alimentos sadios, é uma questão nacional, de toda sociedade.

Não é mais um problema apenas dos sem-terra. E é por isso que cada vez que o MST e a Via Campesina se mobilizam contra o agronegócio, as empresas transnacionais, seus veículos de comunicação e seus parlamentares, nos atacam tanto.

Porque estão em disputa dois modelos de produção. Está em disputa a que interesses deve atender a produção agrícola: apenas o lucro ou a saúde e o bem-estar da população? Os ricos sabem disso e tratam de consumir apenas produtos orgânicos.

E você precisa se decidir. De que lado você está?

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Roleta Genética




Abaixo reproduzo duas matérias extraídas do excelente Blog Orgânicos do Brasil:

O Livro Roleta Genética, de Jeffrey M. Smith foi lançado no Brasil


O livro Roleta Genética, do autor Jeffrey M. Smith foi lançado no Brasil, na semana do dia 7 a 14 de maio, em uma série de debates e palestras sobre os riscos dos OGM - Organismos Geneticamente Modificados.

Em Roleta Genética - seu segundo livro sobre os riscos dos "OGMs" - Jeffrey M. Smith revela documentos com informações, pouco ou não divulgadas, sobre testes de segurança de transgênicos, que revelam como as mais poderosas companhias de agrobiotecnologia do mundo blefam e enganam os críticos, o Congresso e o FDA, sobre a pesquisa de segurança de alimentos dos produtos que os consumidores compram diariamente.

Quem organizou as palestras e a visita de Jeffrey Smith foi a ONG Ética da Terra (http://www.eticadaterra.com/).


Comentários Sobre o autor



Autor Internacional bestselling, Jeffrey M. Smith é um porta-voz líder sobre os perigos à saúde causados pelos transgênicos ou organismos geneticamente modificados. Sua pesquisa respeitada globalmente e seu estilo magnético de comunicação capturaram a atenção do público em 2003, com seu primeiro livro sobre os sérios, mas ainda desconhecidos efeitos colaterais dos alimentos transgênicos, Seeds of Deception.

O livro tornou-se o mais vendido no mundo sobre os riscos à saúde dos OGMs e é creditado como motivador de mudanças nos hábitos de compra de consumidores por alimentos mais seguros, não OGMs. Em Roleta Genética, Jeffrey M. Smith revela documentos com informações, pouco ou não divulgadas, sobre testes de segurança de transgênicos, que certamente provocarão fortes emoções no leitor.

Roleta Genética mostra como as mais poderosas companhias de agrobiotecnologia do mundo blefam e enganam os críticos, o Congresso e o FDA, sobre a pesquisa de segurança de alimentos dos produtos que os norte-americanos compram diariamente. No Brasil, varias marcas de óleo de soja são feitas a partir de grãos transgênicos e estão presentes em nossos restaurantes.

Jeffrey Smith tem assessorado líderes mundiais em todos os continentes, influenciando as primeiras leis estaduais regulamentando OGMs, e está reunindo lideranças para a campanha The Campaign for Healthier Eating in America, um movimento revolucionário da indústria e de consumidores para remover todos os transgênicos da indústria de alimentos naturais.

Reconhecido como palestrante principal, já realizou palestras em 25 países e foi citado por lideranças governamentais e centenas de veículos de mídia de todo o globo, incluindo, The New York Times, Washington Post, BBC WorldService, Nature, The Independent, Daily Telegraph, New Scientist, TheTimes (Londres), Associated Press, Reuters News Service e Genetic Engineering News. Jeffrey Smith dirige The Campaign for Healthier Eating in America, doInstitute for Responsible Technology, onde é diretor executivo. É também, produtor de uma série de vídeo documentários, The GMO Trilogy,e escreve uma coluna mensal internacional, a Spilling the Beans.

O Institute for Responsible Technology
http://www.responsibletechology.org é uma organização sem fins lucrativos dedicada à educação pública, trabalha com cientistas e cidadãos responsáveis de todo o mundo, nas principais iniciativas públicas voltadas à divulgação de principais com cientistas e cidadãosresponsáveis de todo o mundo para trazer informações sobre os perigosdos OGMs.

Antes de fundar o Instituto, Jeffrey Smith era vice-presidente de comunicação com o mercado de um laboratório de detecção de OGMs e um consultor para grupos industriais e organizações líderes. Jeffrey Smith escreve extensivamente sobre o assunto OGM há mais de uma década.


Transgênicos Monsanto ameaçam o mundo

Monsanto, a maior empresa de biotecnologia e agricultura é produtora de sementes geneticamente modificadas.

As sementes Monsanto são alteradas para suportar os efeitos danosos do herbicida Monsanto: Roundup, que dá a companhia US$ 620Milhões/ano e provê 40% de seu lucro operacional.(1)

Inicialmente, fazendeiros de todo o mundo acrecitaram que sementes geneticamente modificadas fossem boas para a agricultura moderna, usando Roundup, eles podiam eliminar milhares de ervas "daninhas" enquando nada acontecia à colheita.

Antes que os fazendeiros comprem as sementes resistentes ao Roundup, eles são obrigados a assinar um acordo de tecnologia que permite à Monsanto executar investigações e definir "que direitos um fazendeiro tem e não tem em plantar, colher e vender sementes modificadas genéticamente".(2)

Isso é ultrajante, mas a Monsanto seguiu adiante pois suas sementes são patenteadas. De acordo com eles, é violaçãodas patentes guardar sementes de colheitas sadias e replantá-las no futuro, ou seja, a Monsanto força os fazendeiros a comprar suas sementes todo ano. De acordo com o Center for Food Safety- CFS(2), o acordo de tecnologia assinado levou a Monsanto a processar agressivamente milhares de fazendeiros que tenham violado a patente das sementes.

O fazendeiro deve pagar multa contratual ou ir para a justiça. O CFS afirma que a Monsanto já recolheu mais de US$ 15 MILHÕES só em processos a seu favor(2). Mesmo fazendeiros que nunca compraram sementes Monsanto nem nunca assinaram qualquer acordo com a mesma são alvo dos processos. Se o polen de uma plantação de sementes Monsanto polinizar um campo geneticamente não modificado ou outra fazenda que resulte em plantas viáveis,o fazendeiro é responsável segundo as leis americanas de violação de patente, MESMO QUE NÃO QUEIRA SEMENTES GENETICAMENTE MODIFICADAS EM SUA FAZENDA.

A Monsanto tem sido tãobem sucedida em processos para dominar o suprimento de alimentos no mundo que estão prontos para dar o grande salto. Em 14 de Abril de 2009,a companhia processou o Governo da Alemanha por recusar usar sua semente de milho (3)!!!!

Embora o milho Monsanto tenha sido permitido na Alemanha desde 2005, a ministra da agricultura Ilse Aigner interrompeu planos da plantação de 8892 acres para a colheita do verão.
Aigner afirma ter tido razões legítimas para acreditar que o milho seria um perigo ao meio ambiente.

As leis da União Européia permitem que países membros imponham tais restrições mas o processo da Monsanto diz que uma vez que uma planta tenha sido aprovada, não pode ser banida, a menos que evidências científicas provem o perigo.

A França baniu sementes de milho Monsanto em 2008 e a Hungria e Austria também planejam fazê-lo embora o European Food Safety Authority tenha concluído que elas não apresentem perigo para humanos ou animais.A senhora Aigner pode estar certa em suas preocupações sobre os efeitos danosos de sementes geneticamente modificadas ao meio ambiente. De acordo com GeneWatch-Reino Unido(4), outras colheitas e plantas silvestres podem ser contaminadas com os genes adicionados ao milho Monsanto.

Novas "super hervas daninhas" podem evoluir e tornar ainda maisdifícil ou até mesmo impossível erradicá-las. Poluição decorrentedo uso de herbicidas tóxicos podem aumentar ou diminuir. A vida selvagem pode ser prejudicada por novas toxinas no meio ambiente ou pela mudança nas práticas da agricultura.

Nos Estados Unidos, hervas daninhas super-resistentes, resistentes inclusive ao Roundup, estão ameaçando colheitas de algodão e de soja(5).

Em 2007, 10 mil acres em Macon County, Georgia, sofreram a praga de hervad daninhas super-resistentes e foram ABANDONADOS.

INACREDITAVELMENTE, a Monsanto está encorajando esses fazendeiros a misturar Roundup com outros pesticidas como 2,4-D (ingrediente usado no Agente Laranja, arma química usada na guerra do Vietnã com consequências catastróficas até os dias de hoje). Três países escandinavos baniram o 2,4-D por causar cancer, deficiência cognitiva e danos reprodutivos.

Uma vitória do Governo Alemão será uma vitória para todos nós,um grande passo na derrubada de mega-corporações inescrupulosas que almejam dominar todos os aspectos de nossas vidas, inclusive que comemos e bebemos. Você pode ajudar a melhorar a segurança alimentar e a responsabilidade ambiental visitando o seguinte website e assinando suas petições :



Referências:









quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Milho transgênico invade campo brasileiro




Das 261 novas cultivares de milho registradas no Ministério da Agricultura desde 2008, mais da metade são transgênicas. Gabriel Fernandes, da AS-PTA, avalia que maioria das cultivares deve ser comercializada até a próxima safra. Contaminação genética e dependência às multinacionais serão sentidas pelo agricultor.

A reportagem é de Raquel Casiraghi e publicada pela Agência de Notícias Chasque, 10-02-2009.

Levantamento da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), com base em dados do Ministério da Agricultura (MAPA), mostra um cenário nebuloso para o campo brasileiro já na próxima safra. Das 261 novas cultivares de milho registradas no MAPA entre 2008 e janeiro deste ano, 146 são transgênicas. Ou seja, 56% das novas sementes que estão entrando no mercado são geneticamente modificadas.

O assessor técnico da AS-PTA, Gabriel Fernandes, estima que boa parte das cultivares já esteja à venda na próxima safra. Ele prevê que as empresas do setor forcem a substituição do milho convencional pelo transgênico mais rápido do que ocorreu com a soja.

"A informação que mais chama a atenção é que, como existe uma concentração muito forte no mercado de sementes, são quatro, cinco empresas que controlam o setor, o que achamos é que em pouco tempo essas empresas irão tirar do mercado as variedades não-trangsênicas. E vão deixar somente as transgênicas. Acho que este é o grande sinal de alerta", diz.

Fernandes analisa que a principal disputa deve se dar na fase da comercialização, já que muitos países, principalmente europeus, têm resistência ao milho transgênico. No Brasil, como as indústrias que usarem o geneticamente modificado deverão rotular os seus produtos, a população poderá rejeitar a semente.

Para os agricultores, a situação é mais grave do que no plantio de soja transgênica. Como o milho tem polinização cruzada, o perigo da contaminação é bem maior. O milho transgênico também deverá ser suscetível às estiagens e à criação de resistência a pragas, como já ocorre com a soja.

"O grande problema agora é a contaminação que vai ocorrer. Esse milho, uma vez plantado, vai se espalhar seja pelo pólen, seja pela mistura dos grãos, e vai contaminar qualquer tipo de milho que não seja transgênico. O grande desafio hoje é saber como vai ser possível manter o cultivo convencional ou agroecológico sem a contaminação", diz.

A comercialização do milho transgênico foi liberada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) em 2008.



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13/2/2009

Nova tentativa de reabilitação do milho transgênico na França


Estariam os OGM sendo reabilitados? A Diretora-geral da Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Alimentos (AFSSA), Pascale Briand, teria, segundo o Le Figaro desta quinta-feira, 12 de fevereiro, assinado um parecer relativo ao milho geneticamente modificado, o Monsanto 810. A reportagem é de Hervé Kempf e publicada no jornal francês Le Monde, 13-02-2009. A tradução é do Cepat.

O parecer, datado em 23 de janeiro e que era “mantido em segredo” até agora, retoma na essência as conclusões da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar de 31 de outubro de 2008 e que dizia que “não foi fornecida nenhuma prova científica, em termos de riscos para a saúde humana ou animal ou ambiental para justificar a invocação de uma cláusula de salvaguarda”.

O parecer da AFSSA faz menção ao relatório redigido pelo professor Yvon Le Maho cujas conclusões, contrárias às da EFSA, levaram a direção geral da Saúde a frear a Agência Francesa. O governo francês tomou o relatório Le Maho para justificar a sua decisão de proibir o plantio do milho transgênico invocando a cláusula de salvaguarda junto à Comissão Europeia.

A questão, pois, é saber se o governo manterá a sua posição apesar desta contundente advertência. Ao saber que o Ministério da Ecologia também fundamentou seu argumento sobre critérios não apenas sanitários, mas também ambientais, está em condições de solicitar o prolongamento da cláusula de salvaguarda.

Desaceleração no mundo

É neste contexto que novamente vem à tona a questão da área real que as culturas transgênicas ocupam no mundo. O organismo que anualmente publica a avaliação desta estatística, o ISAAA (International Service for the Acquisition of Agro-Biotech Applications), vê seus resultados fortemente contestados pela rede internacional dos Amigos da Terra. E a França está justamente no centro desta polêmica.

O ISAAA é um organismo sediado na Universidade de Cornell, de Nova York, e é financiado por organizações como a Fundação Rockefeller ou empresas como a Monsanto e a Syngenta, que produzem os OGM. Ele publica anualmente, desde 1997, um relatório sobre a difusão dos OGM mundo afora. Em seu estudo da situação para 2008, publicado nesta quarta-feira nos Estados Unidos, o ISAAA dá a entender que a área cultivada na Europa cresceu 21%. Errado, calcula a ONG Amigos da Terra, que observa que o ISAAA excluiu a França da sua contagem. A moratória adotada pela França metropolitana em 2008 sobre o milho MON 810 fez a área cultivada dos OGM na Europa diminuir em cerca de 50.000 hectares.

Como aumento, o ISAAA conta a Romênia para 2007 e 2008, ao passo que a excluía em 2006. Entretanto, a Romênia cultivava OGM em 2006. A explicação desta manipulação, segundo Amigos da Terra: a Romênia diminuiu fortemente a sua cultura de OGM quando ela passou a fazer parte da Europa, em 2007. O “esquecimento” de 2006 permite inchar a aparente progressão.

No total, segundo Amigos da Terra, a área cultivada de OGM na União Europeia não aumentou 21% em 2008, mas, ao contrário, diminuiu 2%. Esta crítica enfraqueceu drasticamente a confiança que se pode ter nos dados apresentados pelo ISAAA. Em 2008, Amigos da Terra também havia mostrado que o Instituto supervalorizou o número de hectares cultivados com OGM na Índia em mais de 400.000 hectares.

Apesar do que aparece como uma propensão à supervalorização, os números do ISAAA mostram uma diminuição da progressão dos OGM no mundo. Em seu relatório para 2008, o Instituto calcula que a área cultivada em 2008 aumentou em 9,4%, atingindo 125 milhões de hectares. Essa taxa é bem menor que aquela de 2007 (-12%), quando era avaliada em 12%. A desaceleração é contínua visto que, em 2006, a progressão era calculada em 13%, em 2005 em 11%, em 2004 em 20%, em 2003 em 15%, em 2002 em 12% e em 2001 em 19%.

Amigos da Terra, por sua vez, publica um relatório (intitulado Who benefits from GM crops?) no qual a associação ecológica destaca que 80% dos OGM cultivados no mundo são produzidos em apenas três países: Estados Unidos, Argentina e Brasil. Por outro lado, o ISAAA observa que a cultura dos OGM começou em 2008 em Burkina Fasso, Egito e Bolívia, mesmo que em áreas pequenas. Em outro ponto de fricção, Amigos da Terra estima que na maioria dos casos os OGM não trazem benefícios para os agricultores, mas para os grandes exploradores agrícolas.






Fontes:

http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=19917



e

http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=19956

domingo, 23 de março de 2008

Abaixo , resenha do livro da Dra. Vandana Shiva, física nuclear e ativista ambiental. Dra. Shiva é uma das entrevistadas no documentário THE CORPORATION.

FONTE: www.comciencia.br/resenhas/transgenicos


Biopirataria - a pilhagem da natureza e do conhecimento. Vandana Shiva. Ed. Vozes, 2001.

por Marta Kanashiro

A mercantilização da semente e os efeitos perversos dos transgênicos

O leitor desavisado pode imaginar que Vandana Shiva, a autora de Biopirataria, a pilhagem da natureza e do conhecimento é apenas "mais uma" ativista, seja por sua liderança em protestos contra a Monsanto - que envolveram a queima de colheitas - sua dedicação às causas feminista e ecológica, por sua identificação com os agricultores sem terra da Índia, pela participação no Fórum Social Mundial ou pela radicalidade de suas opiniões contra a agrobiotecnologia, os transgênicos, a Revolução Verde, os direitos de propriedade intelectual e as patentes.

Certamente, a atuação política de Shiva colabora para que ela seja considerada, na atualidade, uma das principais expoentes do mundo na defesa do conhecimento tradicional e na crítica aos efeitos perversos dos transgênicos e da propriedade intelectual. Mas ela também se destaca pelo embasamento de suas críticas no campo da filosofia da ciência, que cursou em Londres após distanciar-se da física de partículas, sua área de formação. Essa mistura entre suas polêmicas posições políticas e sua atuação como intelectual é análoga à mescla semelhante feita pelo sociólogo Pierre Bourdieu, no período em que este atuou no movimento antiglobalização. Em ambos, a imagem de militante acabou, em determinada fase de suas carreiras, misturando-se ou sobrepondo-se à figura de intelctual. Atualmente, a ativista e filósofa indiana dirige a Research Foundation for Science, Technlogy and Ecology, em Nova Délhi, e é membro da Third World Network .

Em Biopirataria, Shiva analisa o processo de mercantilização da semente, que passa de recurso regenerativo, parte de ecossistemas sustentáveis, a mercadoria. Esse processo envolve os modelos tecnológicos da agricultura, seja os da Revolução Verde ou dos transgênicos e o processo de globalização neoliberal que os envolve, a ciência reducionista que os informa, e os direitos de propriedade intelectual e sistemas de patentes que legitimam apenas esse tipo de conhecimento como válido.

Logo na introdução das 152 páginas do livro, o primeiro da autora publicado no Brasil, Shiva compara já no título "Pirataria através das patentes, a segunda chegada de Colombo", as patentes à pirataria e aos processos de colonização praticados nos séculos XV e XVI e afirma:"Noções eurocêntricas de propriedade e pirataria são as bases sobre as quais as leis de Direitos de Propriedade Intelectual do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (Gatt) e da Organização Mundial do Comércio (OMC) foram formuladas ... Parece que os poderes ocidentais ainda são acionados pelo impulso colonizador de descobrir, conquistar, deter e possuir tudo, todas as sociedades, todas culturas. As colônias foram agora estendidas para os espaços interiores, os códigos genéticos dos seres vivos, desde micróbios e plantas, até animais, incluindo seres humanos".

Para a autora, a posição e a lógica dos europeus de que deveriam civilizar os primitivos é retomada na medida em que os países detentores de tecnologia apropriam-se da biodiversidade do terceiro mundo, do conhecimentos tradicional e médico e do uso de plantas medicinais, porque acreditam que esses sistemas de conhecimento são primitivos e que podem ser melhorados através de suas ferramentas de engenharia genética. "No coração da descoberta de Colombo estava o tratamento da pirataria como um direito natural do colonizador, necessário para a salvação do colonizado. No coração do GATT e suas leis de patentes está o tratamento da biopirataria como um direito natural das grandes empresas ocidentais, necessário para o desenvolvimento das comunidades do Terceiro Mundo. A biopirataria é a descoberta de Colombo 500 anos depois de Colombo. As patentes ainda são o meio de proteger essa pirataria da riqueza dos povos não ocidentais como um direito das potências ocidentais".

Segundo Hugh Lacey (veja artigo na ComCiência – fazer link) e Marcos Barbosa de Oliveira, que fizeram o prefácio do livro, Vandana Shiva reconhece que a Revolução Verde (RV) aumentou a produtividade, mas também causou uma série de consequências drásticas: extinção da agricultura tradicional de pequena escala, perda do conhecimento que a informa, deslocamentos sociais que deram origem a fome e a violência entre comunidades, degradação do meio ambiente, perda da biodiversidade e crescimento da dependência em relação ao capital internacional. Para Shiva, as culturas transgênicas vão aprofundar e exacerbar estas consequências.

Por outro lado, o mesmo aumento da produtividade proporcionado pela RV poderia ter sido realizado através de métodos tradicionais de agricultura. Além disso, para Vandana a defesa dos transgênicos como solução para a fome e desnutrição insere-se não só no contexto de uma nova colonização como não são válidos, na medida em que a produtividade também foi o mote da RV e, apesar de ter ocorrido, não solucionou o problema. Nesse sentido, ela argumenta que o problema da fome não está na produção, mas na distribuição igualitária de alimentos.

A autora defende que a aplicação dos diferentes métodos agrícolas que se abrigam sob o nome de agroecologia são capazes de preservar o conhecimento tradicional sem desprezar as possíveis contribuições da ciência reducionista. Paralelamente, esses métodos associam à semente a idéia de recurso renovável ou regenerativo, algo que o processo de mercantilização minou através de insumos químicos, entre outros. É também nesse sentido que a semente é para Shiva um símbolo das lutas contemporâneas.

As sementes segundo ela, possuem diferentes facetas, sendo simultaneamente entidade biológica, parte de sistemas ecológicos e produto de desenvolvimento humano e, neste último sentido, compatíveis com valores culturais e organização social locais. A mercantilização da semente quebra a articulação entre esses itens. Hugh Lacey e Marcos Barbosa de Oliveira afirmam "A mercantilização baseia-se assim na quebra da unidade da semente, de um lado como geradora de uma colheita, de outro como reprodutura de si mesma. Liga-se dialeticamente com a transformação das relações sociais na agricultura na direção de um crescente domínio do agribusiness e da agricultura em grande escala voltada para a exportação e, num certo nível de análise, está inequivocamente a serviço dos interesses das multinacionais."

É por tudo isso que a semente é símbolo. Como mercadoria ela simboliza poder de mercado, como recurso renovável representa possibilidade de fortalecimento local, auto gestão, alimentação para todos, preservação da diversidade cultural e biológica, promoção da sustentabilidade ecológica e coloca alternativas à uniformidade das instituições neoliberais. Vandana conclui a dimensão simbólica no final de seu livro, num desfecho apaixonado, demonstrando sua vivência como ativista aliada ao universo intectual de uma ciência nada reducionista: "A semente tornou-se o lugar e o símbolo da liberdade nessa época de manipulação e monopólio de sua diversidade. Ela faz o papel da roda de fiar de Gandhi no período da recolonização pelo livre comércio. A roda de fiar tornou-se um importante símbolo de liberdade não por ser grande e poderosa, mas por ser pequena; ela podia adquirir vida como sinal de resistência e criatividade nas menores cabanas e nas mais humildes famílias. Seu poder reside na sua pequenez. A semente também é pequena. Ela incorpora a diversidade e a liberdade de continuarmos vivos ... Na semente a diversidade cultural converge com a biológica. Questões ecológicas combinam-se com a justiça social, a paz e a democracia".