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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Na Europa, o poder é do Goldman Sachs



Na Europa, o poder é do Goldman Sachs


Eles pertencem à rede que o Goldman Sachs teceu no Velho Continente e, em diferentes graus, participaram da mais truculenta operação ilícita orquestrada pela instituição americana. Além disso, não estão sozinhos.

A reportagem é de Eduardo Febbro e publicado pelo Página/12, 23-11-2011. A tradução é do Cepat.

Os adeptos das teorias conspiratórias estão vendo suas expectativas se cumprirem. Onde está o poder mundial? A resposta cabe num nome e num lugar: na sede do banco de negócios Goldman Sachs.

O banco americano consegui uma façanha rara na história política mundial: colocar os seus homens à frente de dois governos europeus e do banco que rege os destinos das políticas econômicas da União Europeia. Mario Draghi, o atual presidente do Banco Central Europeu; Mario Monti, presidente do Conselho italiano, que substituiu Silvio Berlusconi e Lucas Papademos, o novo primeiro-ministro grego; todos pertencem à galáxia do Goldman Sachs.

Estes governantes, dois dos quais Monti e Papademos, são a ponta de lança da anexação da política pela tecnocracia econômica, pertencem à rede Sachs e participaram das mais truculenta operação ilícita orquestrada pela instituição americana. Além disso, eles não estão sozinhos. Pode-se também mencionar Petros Christodoulos, hoje à frente do organismo que administra a dívida pública grega e ex-presidente do Banco Nacional da Grécia, a quem Sachs vendeu o produto financeiro conhecido como swap e com o qual as autoridades gragas e Goldman Sachs orquestraram a maquiagem das contas gregas.

O dragão que protege os interesses de Wall Street conta com homens chaves nos postos mais decisivos, mas não apenas na Europa. Henry Paulson, ex-presidente do Goldman Sachs, foi nomeado secretário do Tesouro americna, enquanto que William C. Dudley, outro das altas esferas do Goldman Sachs, é o atual presidente do Federal Reserve de Nova York.

Mas o caso dos líderes europeus é mais paradigmático. O lugar de honra cabe a Mario Draghi.

O hoje, presidente do Banco Central Europeu, BCE, foi vice-presidente da Goldman Sachs para a Europa entre 2002 e 2005. O título de seu cargo era “empresas e dívidas públicas”. Precisamente nessa cargo, Draghi teve como missão vender o incendiário produto swap. Este instrumento financeiro é chave na ocultação da dívida pública, ou seja, na maquiagem das contas gregas. Foi essa ardilosa armação que permitiu a Grécia se qualificar para fazer parte dos países que entrariam no euro, a moeda única europeia. Tecnicamente, e com o Goldman Sachs como operador, transformou-se a dívida externa da Grécia de dólares para euros.

Com isso, a dívida grega desapareceu dos balanços negativos e Goldman Sachs (GS) levou uma suculenta comissão. Logo depois, em 2006, Goldman Sachs vendeu parte desse pacote de Swaps ao principal banco comercial do país, o National Bank of Greece, liderada por um outro homem da GS, Petros Christodoulos, um ex-corretor da Goldman Sachs e atual diretor do órgão de gestão da dívida da Grécia que ele mesmo e, os citados anteriormente, até então ajudaram esconder.

Mario Draghi tem uma história pesada. O ex-presidente da República Italiana, Francesco Cossiga acusou Draghi de ter favorecido Goldman Sachs na adjudicação de grandes contratos, quando era diretor do Tesouro da Itália e estavam em pleno processo de privatização. A verdade é que agora o diretor do Banco Central Europeu, aparece como o grande vendedor de Swaps em toda a Europa.

Neste emaranhado de falsificações aparece o chefe do Executivo grego, Lucas Papademos. O primeiro-ministro foi o governador do banco central grego entre 1994 e 2002. Esse é precisamente o período em que Sachs foi cúmplice na ocultação da realidade econômica grega. Papademos, responsável pela entidade bancária nacional, não podia ignorar a armação que estava sendo montada. As datas em que ocupou o cargo fazem dele um operador da montagem.

Na lista de notáveis segue Mario Monti. O atual presidente do Conselho italiano foi conselheiro internacional do Goldman Sachs desde 2005. Em síntese, muitos dos homens que fabricaram o desastre foram chamados agora para tomar as rédeas de postos chaves, com a missão de reparação às custas dos benefícios sociais do povo, conseqüências que eles mesmos criaram. Não há dúvida de estamos vendo o que os analistas chamam de "um governo Sachs europeu”.

O Português Antonio Borges dirigia até pouco tempo – acaba de renunciar - o Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional. Até 2008, Antonio Borges foi vice-presidente do Goldman Sachs. O sumido Karel Van Miert – Bélgica –, foi comissário europeu da Competividade e também um quadro do Goldman Sachs. O alemão Ottmar Issing foi sucessivamente presidente do Bundesbank, conselheiro internacional do banco de negócios americano e membro do Conselho de Administração do Banco Central Europeu.

Peter O'Neill é outro homem do emaranhado: presidente do Goldman Sachs Asset Management, O'Neill, apelidado de O Guru do Goldman Sachs, é o inventor do conceito Brics, o grupo de países emergentes composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Acompanha O'Neill outro peso pesado, Peter Sutherland, ex-presidente da Goldman Sachs International, membro da seção Europeia da Comissão Trilateral, assim como Lucas Papademos, ex-membro da Comissão de Competividade da União Europeia, fiscal-geral da Irlanda e influente mediador do plano que desembocou no resgate da Irlanda.

Alessio Rastani é que tem toda a razão. Este personagem que se apresentou diante da BBC como um trader disse faz poucas semanas: "Os políticos não governam o mundo. Goldman Sachs governa o mundo". Sua história é exemplar do duplo jogo, como as personalidades e as carreiras dos braços mundiais do Goldman Sachs. Alessio Rastani disse que ele era um trader londrinense, mas logo depois descobriu-se que nada tinha de trader e que fazia parte do Yes Men, um grupo de ativistas que, através da comédia e da infiltração nos meios de comunicação, denunciam o liberalismo.

Ficará para as páginas da história mundial a impunidade desses personagens. Empregados por uma empresa americana, orquestraram uma dos maiores golpes já conhecidos, cujas conseqüências estão sendo pagas hoje. Foram premiados, agora, com o leme da crise, planejada por eles mesmos.

terça-feira, 25 de maio de 2010

A crise, motor do capitalismo




“Os bancos já grandes demais para falir tornaram-se ainda maiores! Nestas condições, desmantelar esses grandes conglomerados, por exemplo, separando-os em bancos de investimento e bancos de depósitos, deveria ser uma prioridade. Um banco grande demais para falir deveria ser igualmente grande demais para existir. Mas essa política implica uma profunda mudança das mentalidades, o que, ao menos por enquanto, parece bastante remota. Globalmente, o G-20 continua a pensar no contexto do capitalismo neoliberal. No entanto, se o nosso diagnóstico estiver correto, a persistência da crise vai exigir uma mudança de paradigma”, escreve André Orléan em artigo publicado no Le Monde, 30-03-2010. A tradução é do Cepat.

André Orléan nasceu em 1950 em Paris. Foi membro do Conselho Científico da Comissão das Operações da Bolsa, que se fundiu, em 2003, com o Conselho de Mercados de Capitais para formar a Autoridade dos Mercados Financeiros (AMF). Desde 2006, é diretor de estudos na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS). Faz parte do comitê executivo da revista Annales. Histoire, Sciences Sociales.

Orléan é autor de vários livros, entre eles Le pouvoir de la finance [O poder das finanças] (Odile Jacob, 1999), A violência da moeda (Brasiliense), escrito em parceria com Michel Aglietta, e Da euforia ao pânico, já comentado em Notícias Diárias.

Eis o artigo.

A história do capitalismo coincide com a história de suas crises. Ao longo do período 1970-2007, podemos contar nada menos que 124 crises bancárias, 208 crises cambiais e 63 crises de dívida soberana! Mesmo que a maioria delas seja limitada a países periféricos, não deixa de ser uma declaração muito impressionante.

Confrontado com estes números, a ideia de auto-regulação dos mercados parece ser insuficiente. Para entender como o capitalismo administra seus excessos, parece que a hipótese alternativa de uma regulamentação pelas crises não carece de argumentos. Para se convencer disso, basta considerar o que se chama de "grandes crises" ou crises estruturais. Uma vez que são períodos de profunda mudança, seu papel no desenvolvimento histórico do capitalismo é crucial. O mais célebre deles é a Grande Depressão (1929-1939).

Trata-se de crises profundas, não só pela sua intensidade quantitativa, mas também qualitativamente pela extensão das transformações institucionais que elas iniciam. Estas crises são causadas pelo esgotamento de um modelo de crescimento que não consegue mais conter seus desequilíbrios. Para recomeçar, o sistema econômico necessita de novas regras, novas instituições e novos compromissos. Esta é a questão das grandes crises: reinventar um novo modelo de crescimento.

Assim, durante o período de 1929-1945, o capitalismo soube se transformar ao propor um projeto original, baseado não mais na concorrência para todos, mas sobre um ajuste permanente, centrado na grande empresa industrial, entre aumentos do salário real, ganhos de produtividade e crescimento. Para descrever este modelo que surge no final da II Guerra Mundial, fala-se de "regulação fordista”, por referência a Henry Ford, que havia compreendido que conseguir vender carros e obter lucros, os seus trabalhadores deveriam receber bons salários.

Após conhecer uma excepcional prosperidade, conhecido como os Trinta Gloriosos (1945-1973), o regime fordista entra, por sua vez, em crise. É a estagflação dos anos 1970 (1973-1982), que mistura de maneira inédita inflação e baixo crescimento. Se esta grande crise difere da de 1929, o seu significado permanece o mesmo: o fim de uma era e o advento de uma nova forma de capitalismo. Assim, após a estagflação dos anos 1980, emerge o capitalismo financeiro, também chamado de "capitalismo patrimonial" ou "capitalismo neoliberal".

A ruptura com o regime anterior é prodigiosa, especialmente pela magnitude experimentada pela desregulamentação financeira. Assistimos ao desmantelamento progressivo do quadro regulatório que, notavelmente, levou à eliminação de qualquer crise bancária durante o período fordista, entre 1945 e 1970. Politicamente, é a chegada ao poder dos governos liberais Margareth Thatcher, no Reino Unido (maio 1979), e de Ronald Reagan, nos Estados Unidos (janeiro de 1981), que marca o início desta nova fase. Mas, do ponto de vista da regulação econômica, a origem desse novo capitalismo se encontra na transformação revolucionária que a política monetária conhece. Agora, a inflação é o alvo prioritário.

Para combatê-la, Paul Volcker, feito presidente do Federal Reserve (Fed), em 1979, pratica um aumento impressionante das taxas de juros no curto prazo, que chegam a 20% em junho de 1981. Essa política cria uma mudança completa e definitiva do equilíbrio de poder entre devedores e credores em favor dos últimos. De agora em diante, os proprietários de ativos financeiros não correm mais o risco de ver sal sua rentabilidade sendo corroída pela inflação. Eles têm o campo livre. Assim começou um período de 25 anos, que tem por característica central a de colocar a finança de mercado no centro da regulação, bem além da mera questão técnica do financiamento. Para dizê-lo com palavras simples, são os mercados financeiros que controlam de agora em diante os direitos de propriedade, algo nunca visto até então.

Nos capitalismos anteriores, a propriedade do capital era exercida sob a forma do controle majoritário em estruturas específicas fora do mercado, a exemplo do Hausbank alemão (“banco da casa") ou do controle familiar. O representante emblemático do capitalismo patrimonial é o investidor institucional. Ele é portador de uma nova governança corporativa, centrada sobre o “valor acionário".

A crise que começou em agosto de 2007 deve, em nossa opinião, ser entendida como marcando a chegada dos limites do capitalismo patrimonial e sua entrada em grande crise. Assim como os capitalismos precedentes, sucumbe quando o próprio princípio do seu dinamismo está se voltando contra ele para tornar-se uma fonte de desequilíbrios. Neste caso, é a questão financeira que se torna determinante. O capitalismo patrimonial não é mais capaz de controlar a expansão de seu setor financeiro, cujo peso é uma desvantagem ultrapassado um determinado umbral.

Para ver isso, consideraremos a dívida total dos Estados Unidos, no conjunto de todos os setores. Entre 1952 e 1981, durante o período fordista, seu crescimento permanece moderado: entre 126% e 168% do PIB. Durante a fase neoliberal, essa relação explode, chegando a 349% em 2008! O mesmo acontece com o total dos ativos financeiros dos Estados Unidos. Ele permanece estável de 1952-1981, entre 4 e 5 vezes o PIB, para depois aumentar em mais de 10 vezes o PIB em 2007. Em nível mundial, a observação é a mesma: o total dos ativos financeiros, que equivalem a 110% do PIB mundial em 1980, atingem 346% em 2006.

Se, inicialmente, a expansão financeira participou ativamente na formação do crescimento neoliberal, parece que hoje se tornou desproporcional. Acredito que este setor se apropria de 40% dos lucros totais norte-americanos em 2007, contra 10% em 1980, ao passo que representa apenas 5% do emprego. A desproporção é extrema. Ela pesa sobre a economia global, através de muitos canais. Primeiro, através das exigências de rentabilidade. A mundialização financeira dos direitos de propriedade deu aos acionistas substituídos pelos investidores institucionais um poder sem precedentes. Permitiu o surgimento de um padrão de desempenho em cerca de 15% para as empresas cotizadas. Esta exigência de rentabilidade é insustentável no longo prazo. Pouquíssimas atividades industriais oferecem retornos tão elevados.

Por conseguinte, a falta de empregos rentáveis, sob a pressão do valor acionário, as empresas foram obrigadas a fornecer capital aos acionistas através de dividendos ou recompra de ações. Sabemos que nos Estados Unidos a emissão líquida de ações é negativa nos últimos quinze anos. Em outras palavras, o mercado bursátil norte-americano financia os acionistas e não o contrário. Pelo fato de pesar sobre o crescimento dos países desenvolvidos e alimentar as estratégias de deslocalização, esta rentabilidade exigida leva a uma queda significativa do emprego industrial na Europa e nos Estados Unidos.

A segunda consequência é deduzida imediatamente: uma forte pressão sobre os salários. Ela decorre de uma relação de forças extremamente desigual entre uma representação unificada dos acionistas e uma extrema fragmentação das organizações sindicais. Por conseguinte, enquanto no regime fordista uma parte significativa dos ganhos de produtividade era devolvida aos trabalhadores, o que alimentava o dinamismo da demanda aquecida, isso não mais é verdade no capitalismo patrimonial. Os salários reais estagnaram, o que é um freio permanente para o crescimento econômico. Daí o recurso ao endividamento das famílias com os efeitos que conhecemos.

Terceira consequência: um grande aumento das desigualdades. Com efeito, uma característica central da nova governança corporativa é ter derrubado o alto management do lado dos proprietários. É toda a questão das novas regras de remuneração com vistas a alinhar os interesses dos dirigentes com os dos acionistas. Seguiu-se uma explosão das desigualdades nos países desenvolvidos. A diferença entre o salário médio dos operários e dos dirigentes passou de 40 para 500 nos Estados Unidos.

Ainda mais impressionante: se considerarmos os 90% dos trabalhadores menos ricos e compararmos a sua renda média com o 1% mais rico, no período entre 1973-2006 (33 anos) constataremos que em termos reais a renda média dos primeiros diminui ligeiramente quando é multiplicada por 3,2 para os mais ricos. Lembremos que no período precedente - 1933-1973 - houve uma certa recuperação. Essas desigualdades têm efeitos tanto políticos, como econômicos. Em última análise, é a unidade da sociedade que fica comprometida.

É impressionante constatar o quanto os mercados foram incapazes de influenciar ou mesmo simplesmente atenuar esses desequilíbrios. É uma lição que é preciso manter em mente. Assim, de acordo com a teoria da eficiência financeira, a concorrência teria que aumentar o bem-estar dos consumidores, ou seja, dos devedores de hipotecas, fornecendo produtos de boa qualidade, capazes de gerenciar os riscos que comporta o acesso à propriedade, a custos baixos.

É em nome de um tal resultado que a liberalização dos mercados foi justificada. E não para aumentar os bônus bancários. Isso não aconteceu. Da mesma forma, atraídos pelos altos salários, muitos dos nossos engenheiros mais bem formados migram para o setor financeiro. Será esta uma situação satisfatória quando se consideram todos os desafios técnicos que temos que enfrentar? A entrada em crise corresponde ao momento em que esses desequilíbrios são tão grandes que a coerência global é questionada. Levanta-se então a questão de uma nova regulação.

No entanto, a crise não oferece soluções fáceis. Longe disso, inicialmente, ela só agrava os problemas porque exacerba as tendências próprias ao capitalismo patrimonial. Tomemos a questão financeira, que, como vimos, exerce um papel crucial. Durante os últimos quinze anos, o setor bancário evoluiu para um elevado grau de concentração em torno de um pequeno número de bancos muito grandes. Esta tendência é problemática porque produz gigantes que, devido ao seu tamanho, são portadores de risco sistêmico.

Consequentemente, as autoridades públicas são, de fato, obrigadas a vir em seu auxílio em caso de dificuldades. Todos os economistas concordam em que essa situação não seja aceitável. Ela leva esses atores a assumirem riscos excessivos, posto que os lucros lhes revertem ao passo que as perdas são socializadas. Ora, a crise e as medidas de emergência tomadas pelas autoridades públicas acentuaram ainda mais a concentração do setor bancário. Tendo os bancos Bear Stearns, Lehman Brothers, Merril Lynch, Wachovia e Washington Mutual desaparecido, os demais tornaram-se ainda mais importantes.

Em outras palavras, os bancos já grandes demais para falir tornaram-se ainda maiores! Nestas condições, desmantelar esses grandes conglomerados, por exemplo, separando-os em bancos de investimento e bancos de depósitos, deveria ser uma prioridade. Um banco grande demais para falir deveria ser igualmente grande demais para existir. Mas essa política implica uma profunda mudança das mentalidades, o que, ao menos por enquanto, parece bastante remota. Globalmente, o G-20 continua a pensar no contexto do capitalismo neoliberal. No entanto, se o nosso diagnóstico estiver correto, a persistência da crise vai exigir uma mudança de paradigma.

As próximas dificuldades a serem enfrentadas são de duas ordens: não só a manutenção de um desemprego em massa nos países desenvolvidos, mas também o desenvolvimento de grandes dificuldades monetárias. Note-se que, até agora, a crise foi principalmente de natureza financeira e bancária. As autoridades públicas têm conseguido controlá-la graças à manipulação vigorosa da arma monetária. Para colocá-lo simplesmente, elas afogaram as dificuldades de liquidez com o apoio ativo dos bancos centrais.

Hoje, no entanto, a massa de liquidez assim produzida associada ao crescimento vertiginoso das dívidas públicas marca o início de uma nova fase em que a questão do valor das moedas comparece como central. A este respeito, não faltam os cenários de uma possível ruptura: o que aconteceu com a hegemonia do dólar, a unidade da zona do euro, a paridade do yuan ou a fraqueza da libra esterlina? É a coesão internacional do neoliberalismo que se encontrará então diretamente questionada.

As forças de instabilidade que vieram à tona em agosto de 2007 ainda não terminaram de fazer sentir seus efeitos devastadores.

sábado, 9 de janeiro de 2010

A cruzada contra o aquecimento global



Por: Ladislau Dowbor



Não há dúvidas sobre o aquecimento global, nem sobre o peso das atividades humanas na sua geração. No entanto, depois de dois anos de uma gigantesca campanha de mídia, envolvendo também a criação de ONGs fajutas e de movimentos aparentemente “grass-root”, portanto “espontâneas e comunitárias”, e sobre tudo listagens de cientístas “céticos” visando dar impressão de “quantidade”, temos resultados, e para os grupos do petróleo, do carvão e semelhantes, terá valido a pena. Segundo The Economist, a proporção de americanos que achavam existir evidências sólidas de aumento das temperaturas globais caiu de 71% em abril de 2008 para 57% em outubro de 2009.(in Carta Capital, 16/12/2009, p. 48)

O estudo de James Hoggan não é sobre o clima, mas sobre comunicação, e consiste essencialmente em mapear como a campanha foi montada e como hoje funciona. A articulação é poderosa, envolvendo instituições conservadoras como o George C. Marshall Institute, o American Enterprise Institute (AEI), o Information Council for Environment (ICE), o Fraser Institute, o Competitive Enterprise Institute (CEI), o Heartland Institute, e evidentemente o American Petroleum Institute (API) e o American Coalition for Clean Coal Electricity (ACCCE), além do Hawthorne Group e tantos outros. Sempre petróleo, carvão, produtores de carros, muitos republicanos e a direita religiosa.

Os grandes grupos corporativos aparecem mais discretamente, com exceção da ExxonMobil que inundou com dinheiro o mercado de consultoria e de comunicação. Este “inundou”, naturalmente, é um conceito relativo: são centenas de milhões de dólares, mas New Scientist lembra que “as empresas de petróleo têm vastos lucros. Só a ExxonMobil lucrou US$45 bilhões em 2008. Num mundo sano, certamente encontrariamos uma maneira de desviar um pouco deste dinheiro para resolver os problemas que o próprio petróleo está gerando. A questão é: estamos vivendo num mundo sano?” (NS, 5/12/2010, p. 5) Não custa lembrar que estas empresas não “produzem” petróleo, e sim extraem e comercializam um bem herdado da natureza, e que está acabando.

Em termos de personagens, encontraremos os das causas conservadoras e muitos personagens “flexíveis”, como Frank Luntz, Christopher Walker, Fred Singer, Patrick Michaels, Arthur Robinson, Steven Milloy, Benny Peiser e numerosos outros, além da eterna estrela do “contra”, o dinamarquês Lomborg, que graças à sua disponibilidade anti-clima ganha financiamentos para incessantes palestras.

Profissionais das relações públicas (sim, o nome é este) estão sempre presentes. Hoggan, o autor deste estudo, é um profissional de relações públicas, e conhece profundamente como funciona a indústria da construção e da destruição das reputações de pessoas ou de causas. Isto o levou a fazer o presente levantamento detalhado de como se estrutura, com o impressionante poder das tecnologias modernas de comunicação, a manipulação da opinião pública. Independentemente da causa, no caso o drama do aquecimento global, o que é muito interessante no livro é entender esta indústria da desinformação.

Naomi Oreskes organizou uma meta-pesquisa, com o buscador “mudança climática global”, e limitada a artigos revistos por pares (peer review). Encontrou 928 artigos, nenhum colocando dúvidas sobre a realidade do processo climático. Nos jornais, no entanto, comentando a pesquisa, 53% dos artigos, buscaram ouvir “os dois lados”, e colocaram de maneira equilibrada opiniões de contestadores. Zero porcento de artigos científicos contestadores sobre o processo climático em si, mas nos jornais aparecia como “um tema em discussão”. O que era o objetivo. O tema está em discussão, afirmam gravemente os grandes grupos geradores do aquecimento (não diretamente, sempre através de listas de livre inscrição), portanto o assunto “é controverso”. Os “céticos” passam a se apresentar não como contestadores do fenômeno, mas como os que têm uma visão equilibrada, sem extremismos, portanto acreditam que talvez haja um problema, mas temos de ser ponderados, e adiar decisões.

No caso de Naomi Oreskes, é curioso, pois um Dr. Benny Peiser, professor de educação física (esporte mesmo, não física), realizou uma pesquisa sobre “mudança climática” (e não “mudança climática global”) e apresentou uma lista não de 928 artigos, mas de mais de 12 mil. Portanto, os 928 representariam apenas uma pequena parcela das opiniões. Os jornais, devidamente estimulados (a Fox em particular, naturalmente), fizeram alarde. Faltava demonstrar que os 12 mil tinham opinião contrária. Pressionado por revistas científicas que se recusavam a publicar o seu artigo, Peiser conseguiu localizar 34 artigos “que rejeitam ou duvidam da visão de que as atividades humanas são a principal causa do aquecimento observado nos últimos 50 anos”. Pressionado ainda para mostrar os artigos e os argumentos científicos em artigos “peer reviewed”, Peiser finalmente chegou a um artigo científico de contestação. Não era revisto por pares, e foi publicado na American Association of Petroleum Geologists. (102)

Tudo isto, evidentemente, amplamente divulgado, em particular por redes de institutos empresariais conservadores, utilizando em parte os mesmos grupos de relações públicas utilizados nas campanhas de caça-voto dos republicanos, e apoiados nas tecnologias de ampla divulgação como youtube. O resultado de tudo? Frente a tanta celeuma, os grupos interessados puderam passar a dar entrevistas “equilibradas”, pois estaria claro que “há controvérsias”. Que era o único objetivo da campanha. Não de negar o inegável, mas de dar a entender que as pessoas comedidas, equilibradas, não vão fazer nada, e muito menos pressionar os agentes do aquecimento global.

O livro é muito instrutivo para quem lida com comunicação, com teoria dos lobbies, com manipulação política. O próprio Hoggan menciona como é cansativo, a cada vez que aparece um cientista de peso mencionado no grupo “cético”, fazer circular a carta de denegação do cientista, ou destrinchar uma lista de milhares de “opositores” para ver se há no meio alguém que realmente tenha feito alguma pesquisa sobre a única coisa finalmente relevante, que não é a “opinião”, e sim dados científicos novos que provem algo diferente. E depois tentar fazer circular a informação de que a “notícia” afinal não era notícia, isto numa mídia onde as corporações financiam a publicidade.

Uma pérola entre os argumentos, e uma das mais utilizadas: “Como podem os cientistas dizer que podem prever o clima dentro de 50 anos se não são capazes de prever a chuva de amanhã”. Como se meteorologia e estudos climáticos fossem da mesma área. Um britânico pode não saber se vai nevar amanhã, mas sabe perfeitamente prever que vai chegar o inverno e o frio correspondente, e não hesita em comprar um casaco. Mas o argumento pega, e se apoia numa fragilidade que é de todos nós: se nos dão um argumento que confirma a opinião que já estávamos propensos a ter, qualquer estribo vale.

O estudo bem poderia ser traduzido e utilizado para os nosso próprios problemas, como por exemplo o peso da bancada ruralista na opinião pública, ou as campanhas orquestradas pela Febraban, ou ainda a campanha contra a proibição de armas de fogo individuais, estribadas no “direito de se defender”, e até na “liberdade”. Nos Estados Unidos, temos precedentes interessantes e igualmente desastrosos tanto no caso das armas, como na batalha das grandes empresas de saúde privada aliadas com o “Big Pharma” para tentar travar o direito de acesso à serviços de saúde, sem falar das gigantescas campanhas das empresas de cigarros. O último livro de Robert Reich, aliás, Supercapitalim, também trata desta apropriação dos processos políticos pelas corporações. O filme O Informante mostra como isto se deu com a indústria do cigarro, enquanto The Corporation, (resenhado aqui), explicita o mecanismo de maneira ampla. Marcia Angell fez um excelente estudo dos procedimentos equivalentes na indústria farmacêutica (em português, A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos). A própria desinformação se transformou numa indústria. É a indústria da opinião pública.

No caso da mudança climática, como qualificar a dimensão ética do que constitui uma clara compra de opiniões? Ou os ataques impressionantes das empresas de advocacia das corporações, que processam qualquer pessoa que ouse sugerir que uma opinião poderia envolver não a verdade mas interesses corporativos? O liberalismo tem uma concepção curiosa da liberdade. (L.Dowbor)



Fonte:

http://dowbor.org/resenhas_det.asp?itemId=3434e126-013c-4f95-9262-b95b38220409


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Contratos secretos da Monsanto são revelados





Contratos confidenciais que detalham as práticas de negócios da Monsanto Co. revelam como a maior desenvolvedora de sementes do mundo está pressionando competidores, controlando companhias menores de sementes e protegendo seu domínio sobre o mercado multibilionário de sementes geneticamente modificadas.

A reportagem é de Chirstopher Loenard, publicada pela Associated Press e pelo sítio The Atlanta Journal-Constitution, 14-12-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Com os genes patenteados da Monsanto inseridos em cerca de 95% de toda a soja e de 80% de todo o milho produzid o nos EUA, a companhia também está usando seu amplo alcance para controlar a habilidade de novas empresas biotécnicas de obter uma grande distribuição de seus produtos, de acordo com uma investigação de diversos acordos de licenciamento da Monsanto e dezenas de entrevistas com participantes da indústria das sementes e com especialistas em direito e em agricultura.

A queda da competição no negócio de sementes poderia levar a uma elevação de preços que atingiriam a mesa de todas as famílias. É por isso que os flocos de milho que você come no café-da-manhã, o refrigerante que você bebe no almoço e o molho de carne que você janta provavelmente foram produzidos a partir de sementes que cresceram com os genes patenteados da Monsanto.

Os métodos da Monsanto são explicados em detalhe em uma série de acordos de licenciamento comercial confidenciais obtidos pela Associated Press. Os contratos, de 30 pági nas, incluem termos básicos para a venda de sementes manipuladas resistentes ao herbicida Roundup da Monsanto, junto com acordos suplementares mais curtos, que se referem às novas características da Monsanto ou a outras emendas de contratos.

A companhia usou os acordos para difundir sua tecnologia – dando a cerca de 200 companhias menores o direitos de inserir genes da Monsanto em suas variedades separadas de pés de milho e de soja. Mas, segundo a investigação da AP, o acesso aos genes da Monsanto vem com um custo e uma grande quantidade de outros anexos pendentes.

Por exemplo, uma cláusula de um contrato proíbe que empresas independentes cultivem plantas que contenham tanto os genes da Monsanto e os genes de qualquer um de seus concorrentes, a menos que a Monsanto tenha lhes dado uma permissão p révia por escrito – dando à Monsanto a possibilidade de efetivamente trancar a porta para que seus concorrentes insiram suas características patenteadas na vasta parcela das sementes norte-americanas que já contêm genes da Monsanto.

As estratégias de negócio e os acordos de licenciamento da Monsanto estão sendo investigadas pelo Departamento de Justiça dos EUA e por pelo menos dois procuradores gerais do Estado, que estão tentando determinar se essas práticas violam as leis antitruste dos EUA. As práticas também estão no centro de processos antitruste civis contra a Monsanto apresentados por seus concorrentes, incluindo um processo de 2004 apresentado pela Syngenta AG, que foi decidido por meio de um acordo, e uma litigação em curso pedida neste verão pela DuPont em resposta à ação judicial da Monsanto.

A gigante da agricultura com sede no subúrbio de St. Louis di sse que não fez nada errado.

"Nós acreditamos que não haja qualquer mérito para alegações sobre nossos acordos de licenciamento ou seus termos", disse o porta-voz da Monsanto, Lee Quarles. Ele disse que não poderia comentar sobre cláusulas específicas dos acordos, porque eles são confidenciais e estão sujeitos a uma litigação em curso.

"Nossa atitude com relação ao licenciamento a muitas companhias é pró-competição e permitiu que literalmente centenas de empresas de sementes, incluindo todos os nossos principais concorrentes diretos, oferecessem milhares de novos produtos para sementes aos agricultores", disse.

O benefício da tecnologia da Monsanto para os fazendeiros é inegável, mas alguns de seus principais concorrentes diretos e empresas de sementes menores afirmam que a companhia está usando táticas repressivas para promover o seu controle.

"Acreditamos agora que a Monsanto tem controle sobre algo como 90% das sementes transgênicas. Esse nível de controle é quase inegável", disse Neil Harl, economista agrícola da Iowa State University, que estudou a indústria das sementes durante décadas. "O resultado disso é que está se intensificando o controle da Monsanto e tornando-lhes possível o aumento de seus preços a longo prazo. E temos visto isso acontecer durante os últimos cinco anos, e o fim não está ao alcance dos olhos".

Aumento dos preços

Questiona-se quanto poder uma única empresa pode ter sobre as sementes, o fundamento do suprimento de alimentos do mundo. Sem uma competição forte, a Monsanto pode elevar o preço de suas sementes o quanto quiser, o que, por sua vez, pode elevar o custo de tudo, desde a ração animal até o pão branco e os biscoitos.

O preço das sementes já está aumentando. A Monsanto aumentou o preços de algumas sementes de milho no ano passado em 25%, com 7% adicionais de aumento planejados para as sementes de milho em 2010. As sementes de soja da marca Monsanto subiram 28% no último ano e ficarão estáveis ou aumentarão 6% em 2010, disse a porta-voz da empresa, Kelli Powers.

O grande uso de acordos de licenciamento pela Monsanto colocou as suas características biotécnicas entre as tecnologias mais ampla e rapidamente adotadas na história da agricultura. Nestes dias, quando os agricultor es compram fardos de sementes com marcas obscuras como AgVenture ou M-Pride Genetics, eles estão pagando por produtos de licença da Monsanto.

Uma das inúmeras cláusulas nos acordos de licenciamento é a proibição de misturar genes – ou "amontoar", na gíria industrial –, o que aumenta o poder da Monsanto.

Uma cláusula contratual provavelmente ajudou a Monsanto a comprar 24 empresas de sementes independentes em todo o Cinturão Agrícola [Estados do Meio Oeste dos EUA como Iowa, Kansas, Minnesota, Nebraska, Dakota do Norte e do Sul] ao longo dos últimos anos: esse acordo sobre as sementes de milho afirma que, se uma empresa menor muda de proprietário, seu inventário com as características da Monsanto "deve ser destruído imediatamente".

No entanto, Quarles disse que não sabia desse acordo mais antigo, obtido pela AP, mas disse que, "da forma como eu entendo", a Monsanto inclui cláusulas em todos os seus contratos que permitem que as empresas vendam seu inventário se o proprietário mudar, em vez de forçá-las a destruir o inventário imediatamente.

Outra cláusula de contratos do início da década – referentes a descontos – também ajuda a explicar o rápido crescimento da Monsanto ao ampliar os novos produtos.

Um contrato dava a uma empresa de sementes independente grandes descontos se a companhia assegurasse que os produtos da Monsanto atingissem 70% do total do seu inventário de sementes de milho. Em sua ação judicial de 2004, a Syngenta chamou os descontos como uma parte da "campanha de terra arrasada" da Monsanto para manter as novas características da Syngenta fora do mercado.

Quarles disse que os descontos foram usados para atrair as empresas de sementes a divulgar produtos da Monsanto quando a tecnologia era nova e os agricultores ainda não a haviam usado. Agora que os produtos estão bem difundidos, a Monsanto não deu continuidade aos descontos, disse ele.

Os contratos da Monsanto revistos pela AP proíbem que as empresas de sementes discutam termos, e a Monsanto tem o direito de cancelar acordos e destruir os inventários de um negócio se as cláusulas de confidencialidade são violadas.

Thomas Terral, diretor geral da Terral Seed, em Louisiana, disse que recentemente rejeitou um contrato da Monsanto porque colocava muitas restrições ao seu negócio. Mas Terral recusou apresentar o contrato não firmado à AP ou mesmo discutir seus conteúdos porque ele tinha medo de q ue a Monsanto o retaliasse e cancelasse o resto de seus acordos.

"Eu estaria tão envolvido com o que seria capaz de fazer que basicamente eu não teria valor nenhum para qualquer outra pessoa", disse ele. "A única pessoa à qual eu teria valor seria a Monsanto e continuaria pagando milhões para eles em taxas".

Os proprietários de empresas de sementes independentes poderiam renunciar a seus contratos com a Monsanto e retornar às vendas de sementes convencionais, mas disseram que isso poderia ser financeiramente desastroso. O gene Roundup Ready da Monsanto se tornou o padrão industrial ao longo da última década, e as pequenas empresas temem a perda de consumidores se renunciarem a ele. Também poderia levar anos de cultivos e investimentos para misturar os genes da Monsanto em uma linha de produtos de uma companhia de sementes, por isso renunciar aos genes poderia ser muito custoso.

A Monsanto reconhece que os advogados do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) estão procurando documentos e entrevistando empregados da empresa sobre suas práticas de mercado o DOJ não quis comentar.

Um representante do procurador-geral de Iowa, Tom Miller, disse que o escritório está examinando possíveis violações antitruste. Além disso, duas fontes íntimas à investigação no Texas disseram que o escritório do procurador-geral do Estado, Greg Abbott, estão investigando as mesmas questões. Os Estados têm a autoridade de fazer valer as leis antitruste federais, e os procuradores-gerais muitas vezes estão envolvidos nesses casos.

O presidente e diretor-executivo da Monsanto, Hugh Grant, disse aos analistas de investimentos durante uma conferência que os aumentos de preços se justificam por causa do estímulo de produtividade que os agricultores tiveram com as sementes da companhia. Os agricultores e os p roprietários de empresas de sementes concordam que a tecnologia da Monsanto impulsionou os rendimentos e os lucros, economizando o tempo que eles antes gastavam eliminando as pragas e o dinheiro que gastavam com pesticidas.

Mas os recentes aumentos de preços ainda têm sido duros para engolir nas fazendas.

"É como se eu tivesse sido atingido por um mal tempo e tivesse tido um rendimento pobre. Isso apenas significa que eu ganhei menos no fim das contas", disse Markus Reinke, produtor de milho e soja perto de Concordia, Missouri, que assumiu a fazenda de sua família em 1965. "Eles podem cobrar porque podem fazer isso e prosseguir normalmente. Nós, agricultores, só nos queixamos, balançamos nossas cabeças e seguimos em frente com isso".

Qualquer caso do Departamento de Justiça contra a Monsanto poderia dar origem a um novo patamar ao equilibrar um direito da empresa de controlar seus p rodutos patenteados ao mesmo tempo em que protege o direito à competição livre e aberta, disse Kevin Arquit, ex-diretor da Federal Trade Commission Competition Bureau e atual procurador antitruste com a empresa Simpson Thacher&Bartlett LLP, em Nova York.

"Há questões muito interessantes e não apenas para as empresas, mas para o Departamento de Justiça", disse Arquit. "Eles estão em uma área em que há incerteza na lei e há implicações sobre o bem-estar do consumidor e sobre as políticas governamentais independentemente do resultado".

Outras empresas de sementes seguiram a liderança da Monsanto incluindo cláusulas restritivas em seus acordos de licenciamento, mas seus produtos penetraram apenas em segmentos menores do mercado de sementes dos EUA. O gene Roundup Ready da Monsanto, por outro lado, está em um conjunto tão amplo de sementes que seus acordos de licenciame nto podem ter um efeito massivo nas leis do mercado.

O crescimento do gigante

A Monsanto era apenas um concorrente de um nicho específico nos negócios de sementes há 12 anos. Ela chegou ao topo graças à inovação de seus cientistas e ao agressivo uso da lei de patentes por seus procuradores.

Primeiro, veio a ciência, quando a Monsanto, em 1996, introduziu a primeira variedade comercial de sementes geneticamente modificadas de soja do mundo. As plantas Roundup Ready era resistentes ao herbicida, permitindo que os agricultores passassem Roundup quando quisessem, em vez de terem que esperar até que a soja tivesse crescido o suficiente para suportar o produto químico.

A companhia logo colocou à disposição outras sementes transgênicas, como os pés de milho que produziam um pesticida natural para afugentar insetos. Mesmo que a Monsanto tivesse produtos que eram um sucesso de venda, ela ainda não tinha um ponto de apoio em uma indústria de sementes feita de centenas de empresas que abasteciam os agricultores.

Foi aí que entraram as inovações legais, quando a Monsanto se tornou uma das primeiras a patentear amplamente seus genes e a conquistar o direito de controlar estritamente como deviam ser usados. Esse controle permitiu-se difundir sua tecnologia por meio de acordos de licenciamento, ao mesmo tempo em que formava o mercado ao redor deles.

Ainda na década de 70, universidades públicas desenvolveram novas variedades para as sementes de milho e de soja que faziam com que crescessem de forma resistente e resistissem às pestes. As empresas de sementes pequenas obtinham as variedades a preço baixo e podiam misturá-las a sementes de espécies superiores sem restrições. Mas os acordos deram à Monsanto o controle sobre a mistura de múltiplas variedades biotécnicas de sementes.

As restrições atingiam até pesquisadores financiados pelos contribuintes.

Roger Boerma, pr ofessor pesquisador da Universidade da Georgia, está desenvolvendo variedades especializadas de sementes de soja que crescem bem nos Estados do sudeste norte-americano, mas sua pesquisa atual está presa por essas restrições da Monsanto e de seus competidores.

"Tornou uma fase da nossa vida incrivelmente desafiador e difícil", disse Boerma.

As regras também podem restringir a pesquisa. Boerma parou uma pesquisa sobre uma linha de novas plantas de soja que continham uma característica de um competidor da Monsanto quanto ele soube que a característica era inefetiva a menos que pudesse ser misturado ao gene Roundup Ready da Monsanto.

Boerma disse que ele nem pensou em pedir permissão da Monsanto para misturar suas características com a variedade do competidor.

"Eu acho que a mistura da tecnologia de características deles com a tecnologia de características de outra companhia provavelmente seria um sério pr oblema para eles", disse.

Ao mesmo tempo, os direitos de patente da Monsanto dão-lhe a autoridade para dizer até que ponto as empresas são independentes para usar suas características, disse Quarles.

"Tenham em mente que, como o desenvolvedor de propriedade intelectual, é nosso direito determinar quem irá obter os direitos sobre nossa tecnologia e para qual objetivo", disse.

"Se as empresas de sementes independentes estão perdendo sua licença e têm que destruir suas sementes, elas não vão ter nada, com efeito, para vender", disse Boies. "Isso requer que elas destruam coisas – destruam coisas que pagaram – se se tornarem competitivas. Esse é exatamente o tipo de restrição sobre escolhas competitivas que as leis antitruste proíbem".

Alguns donos de empresas de semente independentes disseram se sentem crescentemente prejudicados com o fortalecimento da liderança da Monsanto na indústria.

"Eles têm o capital, têm os recursos, são donos de muitas empresas e estão comprando mais. Nós somos uma cidade do interior, eles são a Wall Street", disse Bill Cook, co-proprietário da empresa de sementes M-Pride Genetics, em Garden City, Missouri, que também não quis discutir ou fornecer os acordos. "É muito difícil competir nesse ambiente contra empresas como a Monsanto".

domingo, 25 de outubro de 2009

Apropriação da vida


Guerra de patentes no fundo do mar


Os cientistas se lançam no registro de organismos dos oceanos para desenvolver aplicações médicas ou energéticas. Mas a apropriação de elementos da natureza é vista como uma nova biopirataria.

A reportagem é de Mónica López Ferrado e publicada no jornal El País, 20-10-2009. A tradução é do Cepat.

Nos mares e oceanos, milhões e milhões de microorganismos diminutos, que não chegam a medir nem micra [plural de micron, milionésima parte de um milímetro], são responsáveis por mais de 80% de processos como o ciclo do CO2, a captação de energia ou a mudança climática. Isso sem perder de vista seu papel na cadeia alimentar. Um litro de água marinha pode conter ao menos 25.000 tipos de micróbios. Nos mares mais ricos até 100.000, alguns com propriedades fantásticas como a bioluminiscência ou toxinas para sobreviver. Entender sua complexidade não apenas pode dar respostas a questões tão importantes como a origem da Terra, sua grande biodiversidade ou a mudança climática. Também tem um grande potencial comercial para criar novos medicamentos ou biocombustíveis. As patentes sobre a vida produziram um grande debate em terra firme que agora se reproduzir mar adentro.

Atualmente, não é permitido patentear organismos vivos. Contudo, agora, as novas tecnologias se sequenciamento tornaram acessível a caixa preta destes bichos: seu DNA. O funcionamento de um gene, ou vários, pode converter-se na engrenagem de bactérias artificiais a serviço da humanidade, postas a trabalhar para criar energia ou tratar doenças. E isso é possível patentear.

Visto este potencial, cada vez são mais numerosas as expedições científicas e comerciais (ou ambas, às vezes) que se adentram nos ecossistemas aquáticos do planeta à pesca de novos genomas. De fato, nos últimos seis anos foram registradas mais da metade das patentes relacionadas com recursos genéticos marinhos. Diante disso, os países que contam com uma riqueza marinha pedem regras claras. Muitos já tiveram que lutar contra a biopirataria terrestre, como aconteceu com o México e a tentativa norte-americana de patentear o feijão. Ou no Equador, com uma variedade de ayahuasca. Se as bactérias que são descobertas nessas expedições forem encontradas em águas territoriais (200 milhas da costa), o Convênio para a Biodiversidade da ONU reconhece a soberania dos países sobre seus recursos genéticos. E sobre as sequências de seus genes?

Sem dúvida, a expedição com maior potencial neste campo é a do Sorcerer II, uma iniciativa de Craig Venter, pai do genoma humano, que começou em 2003 e que já rastreou as águas de meio continente. Seu objetivo científico, e sem fim comercial segundo insiste em seus aparecimentos, consiste em desentranhar o metagenoma dos mares (seus microorganismos, seus genes e como interagem). Ninguém está alheio a que entre suas atividades mais lucrativas está a de criar vida artificial com bactérias com poucos genes, mas funções bem concretas. Segundo o próprio Venter, sua expedição ambiciona ser tão revolucionária quanto o foram, na sua época, as descobertas de Charles Darwin. Já detectou seis milhões de novos genes. Na revista Science publicou o metagenoma de um mar inteiro, o Mar de Sargazos.

Atualmente, o Sorcerer II se encontra ancorado entre Valência e Barcelona, à espera das licenças estipuladas pela Convenção sobre Direito do Mar da ONU. No começo de novembro sua equipe científica também se reunirá com pesquisadores do CSIC [Conselho Superior de Pesquisas Científicas] na Espanha, da Itália e da Grécia. Robert Friedman, à frente da expedição do Instituto Venter, insiste em que “a intenção é avançar no conhecimento científico da biodiversidade microbiana”. Como garantia de que suas descobertas não serão monopolizadas pela empresa de Venter, Friedman explica que a sequência do DNA de todos os microorganismos descobertos se encontra à disposição pública e gratuita em uma base de dados, Camera. Além disso, com os países que o solicitaram foram assinados acordos explícitos regidos pelo Convênio da Biodiversidade da ONU e que garantem a sua soberania sobre os recursos genéticos. Isso sim, todos são diferentes. No caso da Costa Rica ou do México, supõe um mero reconhecimento de sua soberania sobre os recursos genéticos, mas não estipula nenhum direito de propriedade intelectual. Na Austrália, o acordo é mais específico: “Todos os direitos de propriedade intelectual em relação com os materiais ou qualquer derivado, incluindo a propriedade intelectual resultante (direta ou indiretamente) do uso destes materiais ou qualquer derivado, investimentos ou outros usos”, explica Friedman. “Se um país pede para assinar direitos de propriedade intelectual, o fazemos”, acrescenta.

Na prática, a expedição cumpre com as normas internacionais, mas o que representa tornar públicos todos os recursos genéticos para os países que não assinaram um acordo claro sobre sua exploração comercial? É certo que a lei de patentes não permite que os genes em si mesmos sejam patenteados. Mas seus usos e derivados. Em consequência, se não há um acordo explícito, o país em questão terá dificuldades para reclamar benefícios sobre a exploração de bactérias únicas encontradas em suas águas.

Para aqueles que criticam a expedição de Venter, colocar o sequenciamento genético à disposição de todos não significa estar em igualdade de condições. O genoma é apenas um mapa. É a tecnologia para interpretá-la que faz com que se possa tirar um proveito comercial. “Em outro mundo, estaria bem, mas a realidade é que para interpretar toda essa informação genética são necessárias ferramentas disponíveis apenas por alguns países ricos, ou seja, podem usar a informação apenas aqueles que tiverem meios para interpretá-la. Para nós, trata-se de uma estratégia, não de autêntica forma de democratizar: é melhor colocar a informação à disposição de todos para que assim ninguém me critique”, afirma Silvia Ribeiro, representante da organização não governamental ETC Group, uma das que lutou de forma mais ativa contra a biopirataria e, precisamente, a que mais desconfia da atividade de Venter.

Mas nem todos veem atrás de Venter a sombra ampliada da biopirataria. Também há pesquisadores que percebem a situação como uma oportunidade para a ciência autóctone de cada país, caso se estabeleça o marco adequado. Muitos cientistas buscam microorganismos no mar há muito tempo e com muitas dificuldades. Não perdem de vista que pouquíssimos no mundo têm o potencial de sequenciamento de Venter. Não é estranho que outra das estratégias que Venter aplicou para adentrar-se no mar seja envolver os cientistas da região a ser explorada.

Entretanto, nas primeiras expedições não foi assim. Na Costa Rica, por exemplo, foi assinado um acordo pelo qual se pactuou a participação dos pesquisadores autóctones. Algo que Giselle Tamayo, coordenadora de bioprospecção do InBio, o maior centro de pesquisa em biodiversidade do país, vê como uma oportunidade perdida. “O convênio de biodiversidade é um marco. Se não pedes nada, perdes tudo. Nesta negociação não se pediu mais do que o custo da permissão e não se tirou o proveito que se poderia ter tirado. Se nos tivessem consultado (seu Governo), teríamos dito ‘sim, vamos em frente’, mas com condições, com a nossa participação para assim poder aprender, e com a informação que já coletamos, que teria permitido recolher dados nas zonas onde sabemos que há maiores possibilidades de futuro”. Tamayo está consciente do potencial de suas águas: “Ninguém perde de vista que, mesmo que a expedição seja científica, também pode ter um interesse comercial, mas se colaborarmos ambas as partes podem se beneficiar”.

Para os pesquisadores espanhóis, colaborar com Venter representa uma injeção de recursos importantes. Os pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar de Barcelona do CSIC ainda têm que negociar os termos da colaboração com o Sorcerer II pelo Mediterrâneo. Não será a primeira vez que trabalham com o Instituto de Venter que, para os pesquisadores espanhóis, também representa uma oportunidade. “Para mim, Craig Venter é um gênio, há pouquíssimas pessoas que têm essa visão excepcional. Estamos encantados com a quantidade de dados que colocou à disposição pública, sua influência vai ser determinante”, afirma Carles Pedrós-Alió, pesquisador do centro encarregado dos contatos com a expedição.

O Instituto Venter já se encarregou de sequenciar os genomas de duas bactérias heterotróficas descobertas pelo Instituto de Ciências do Mar na baía de Blanes. Para sobreviver, extraem a sua energia do consumo de matéria orgânica, mas também da luz. “Poderiam ser comparadas aos carros híbridos, que funcionam em parte com eletricidade e em parte com combustível. Interessa-nos o gene para utilizar a luz”, explica Pep Gasol, um dos pesquisadores do centro. Procedem da baía de Blanes. “O acordo com Venter era que contaríamos com a sequência das bactérias com exclusividade durante meio ano para poder publicar resultados”, explica Carles Pedrós-Alió, pesquisador principal do projeto. Os pesquisadores estão satisfeitos com o fato de terem publicado suas descobertas na revista Nature e na PNAS. “Por isso, acreditamos que Blanes é o primeiro ponto do Mediterrâneo que Venter deveria explorar”, afirma Gasol. Qual é o potencial comercial do genoma desta bactéria? Talvez poderia ser utilizado em processos energéticos. Patentes? Elas não existem. “Nosso interesse é conhecer os organismos do mar”, afirma Pedrós-Alió.

Esta posição contrasta com a de outros pesquisadores com uma visão mais protecionista: “Há muitos cientistas que pensam que todos os recursos genéticos pertencem à humanidade, que não estão limitados pelas fronteiras de um país. Aqui cremos que um país deve ter o direito de decidir o que fazer com seus recursos genéticos e a ser reconhecido”, afirma Tamayo. Seu centro trabalha com genes presentes nas bactérias do trato intestinal dos cupins, o que permitiria aproveitar melhor a energia. Neste caso, contam com um acordo com uma empresa norte-americana que Tamayo reconhece como “vantajoso para o nosso país e para eles”. Em última instância, todas estas descobertas, realizadas com fundos públicos, também podem impulsionar o I+D do país colaborador, e reverter no financiamento de novos projetos públicos.

Outra expedição europeia, o Projeto Mamba, com participação espanhola através do Instituto de Catálise e Petroquímica do CSIC, que busca explicitamente princípios ativos para aplicações médicas nos microorganismos marinhos. Mas enquanto Venter explora águas superficiais, o projeto se centra em fossas do Mediterrâneo que se encontram a mais de 3.500 metros de profundidade, localizadas no Golfo de Rosas, na Líbia e Sicília. Ali se concentram altos níveis de sal, acumulado ali há milhares de anos, quando o Mediterrâneo secou. Nestas zonas se acumula um quilo de sal por litro de água, explica o pesquisador do CSIC Manuel Ferrer. “Ali vivem microorganismos extremófilos, muito interessantes por seu metabolismo, já que são capazes de produzir enzimas interessantes para a biomedicina”, acrescenta.

Neste caso, oito centros públicos colaboram com três empresas privadas. Entre elas, a Pharmamar. “Uma expedição custa entre 30.000 e 40.000 euros por dia. Nossas expedições duram não mais de três semanas e custam meio milhão de euros”, explica. Nesse sentido, Ferrer reconhece o potencial de Venter, que para terminar seu projeto conta com o financiamento da Fundação John e Betty Moore (mais de quatro milhões de dólares) e do Departamento de Energia dos Estados Unidos (outros 12 milhões). As amostras recolhidas são enviadas aos laboratórios de Venter nos Estados Unidos, que têm potencial para produzir 240.000 sequências a cada 24 horas.

Além da relevância científica que, evidentemente, a descoberta de uma nova bactéria tem, dá-se um passo a mais na exploração do potencial comercial destas bactérias? Ferrer indica que aí está o interesse de colaborar com a indústria. No Projeto Mamba ainda não se acertou os termos da divisão dos direitos das possíveis patentes que surgirem entre o sistema público e as empresas privadas. Por suas outras experiências, Ferrer indica que “as empresas costumam querer levar entre 98% e mesmo 100% dos royalties. Este é um problema pelo qual se deve lutar, mas tivemos que passar por aí porque o pesquisador necessita desse dinheiro”.



quinta-feira, 2 de julho de 2009

A culpa dos inocentes


"Nos mandatos republicanos de Reagan e de Bush father & sons a promiscuidade era escancarada: difícil dizer se estávamos diante de um governo eleito ou de um escritório de corretagem", constata Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, e professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, em artigo publicado no jornal Valor, 31-03-2009.

No entanto, continua Belluzzo, "os ex-presidentes republicanos não eram exceções: o democrata Clinton protagonizou a façanha de impor os interesses da alta finança americana em todo o mundo, com o aplauso e o apoio entusiasmado dos endinheirados do planeta.Por essas e outras, William Greider, o editor de economia da revista americana "The Nation" pegou no nervo: a crise de "credibilidade" que ora derruba os mercados e trava o crédito não é fruto de malfeitorias isoladas, mas o resultado lógico do contubérnio entre governos cúmplices e negócios espertos".

Eis um trecho do artigo.

Na terça-feira, 17 de março, a Rosekranz Foundation promoveu, em Nova York, um debate denominado "Blame Washington more than Wall Street for the Financial Crisis". Como o leitor há de perceber, a forma de apresentação do tema já aponta o dedo indicador para os senhores de Washington - aí incluídos o Federal Reserve, o Congresso e o Executivo. Seriam eles os "culpados" pela construção do castelo de cartas que começou a desabar em meados de 2007?

Participaram do conclave, entre outros, o historiador de Harvard Niall Ferguson, o economista Nouriel Roubini, o jornalista do New York Times Alex Berenson e Byron Wien, ex-executivo do Morgan Stanley. A audiência, formada por 700 cidadãos nova-iorquinos, votou antes e depois do debate. No primeiro escrutínio, Washington bateu Wall Street com 42% dos votos contra 30% e 28% de indecisos. No segundo, a coisa piorou para Washington. A culpabilidade do governo foi atestada por 60% dos votos.

O jornalista Alex Berenson discordou da forma pela qual o tema foi apresentado: "Washington-versus-Wall Street é uma falsa dicotomia porque os bancos tornaram-se tão poderosos na esfera financeira que disseram a Washington: se a regulamentação for restritiva, vamos cair fora, criar empregos no exterior e não haverá regulamentação sobre o nada".


(...)

Ao enclausurar as razões da crise na tola dicotomia Washington versus Wall Street, o debate promovido pela Rozenkraz é um exemplo do retrocesso da consciência humana para formas de expressão que o filósofo vietnamita Tran Duc Tao chamou de sincréticas ("nenê sofá sentado").

As formas sincréticas antecedem, na gênese da consciência, a frase capaz de conectar sujeito, verbo e predicado e dar sentido aos substantivos diferenciados. Há quem afirme, como Hanna Arendt, que a degeneração da sociedade dos indivíduos na sociedade de massas produziu a degradação das formas de compreensão do mundo mais abrangentes, próprias da primeira modernidade. As simplificações agressivamente binárias e retrógradas são típicas do pensamento midiático e "internético" contemporâneos, uma forma de dominação eficaz que espezinha o projeto de autonomia do cidadão.


Roleta Genética




Abaixo reproduzo duas matérias extraídas do excelente Blog Orgânicos do Brasil:

O Livro Roleta Genética, de Jeffrey M. Smith foi lançado no Brasil


O livro Roleta Genética, do autor Jeffrey M. Smith foi lançado no Brasil, na semana do dia 7 a 14 de maio, em uma série de debates e palestras sobre os riscos dos OGM - Organismos Geneticamente Modificados.

Em Roleta Genética - seu segundo livro sobre os riscos dos "OGMs" - Jeffrey M. Smith revela documentos com informações, pouco ou não divulgadas, sobre testes de segurança de transgênicos, que revelam como as mais poderosas companhias de agrobiotecnologia do mundo blefam e enganam os críticos, o Congresso e o FDA, sobre a pesquisa de segurança de alimentos dos produtos que os consumidores compram diariamente.

Quem organizou as palestras e a visita de Jeffrey Smith foi a ONG Ética da Terra (http://www.eticadaterra.com/).


Comentários Sobre o autor



Autor Internacional bestselling, Jeffrey M. Smith é um porta-voz líder sobre os perigos à saúde causados pelos transgênicos ou organismos geneticamente modificados. Sua pesquisa respeitada globalmente e seu estilo magnético de comunicação capturaram a atenção do público em 2003, com seu primeiro livro sobre os sérios, mas ainda desconhecidos efeitos colaterais dos alimentos transgênicos, Seeds of Deception.

O livro tornou-se o mais vendido no mundo sobre os riscos à saúde dos OGMs e é creditado como motivador de mudanças nos hábitos de compra de consumidores por alimentos mais seguros, não OGMs. Em Roleta Genética, Jeffrey M. Smith revela documentos com informações, pouco ou não divulgadas, sobre testes de segurança de transgênicos, que certamente provocarão fortes emoções no leitor.

Roleta Genética mostra como as mais poderosas companhias de agrobiotecnologia do mundo blefam e enganam os críticos, o Congresso e o FDA, sobre a pesquisa de segurança de alimentos dos produtos que os norte-americanos compram diariamente. No Brasil, varias marcas de óleo de soja são feitas a partir de grãos transgênicos e estão presentes em nossos restaurantes.

Jeffrey Smith tem assessorado líderes mundiais em todos os continentes, influenciando as primeiras leis estaduais regulamentando OGMs, e está reunindo lideranças para a campanha The Campaign for Healthier Eating in America, um movimento revolucionário da indústria e de consumidores para remover todos os transgênicos da indústria de alimentos naturais.

Reconhecido como palestrante principal, já realizou palestras em 25 países e foi citado por lideranças governamentais e centenas de veículos de mídia de todo o globo, incluindo, The New York Times, Washington Post, BBC WorldService, Nature, The Independent, Daily Telegraph, New Scientist, TheTimes (Londres), Associated Press, Reuters News Service e Genetic Engineering News. Jeffrey Smith dirige The Campaign for Healthier Eating in America, doInstitute for Responsible Technology, onde é diretor executivo. É também, produtor de uma série de vídeo documentários, The GMO Trilogy,e escreve uma coluna mensal internacional, a Spilling the Beans.

O Institute for Responsible Technology
http://www.responsibletechology.org é uma organização sem fins lucrativos dedicada à educação pública, trabalha com cientistas e cidadãos responsáveis de todo o mundo, nas principais iniciativas públicas voltadas à divulgação de principais com cientistas e cidadãosresponsáveis de todo o mundo para trazer informações sobre os perigosdos OGMs.

Antes de fundar o Instituto, Jeffrey Smith era vice-presidente de comunicação com o mercado de um laboratório de detecção de OGMs e um consultor para grupos industriais e organizações líderes. Jeffrey Smith escreve extensivamente sobre o assunto OGM há mais de uma década.


Transgênicos Monsanto ameaçam o mundo

Monsanto, a maior empresa de biotecnologia e agricultura é produtora de sementes geneticamente modificadas.

As sementes Monsanto são alteradas para suportar os efeitos danosos do herbicida Monsanto: Roundup, que dá a companhia US$ 620Milhões/ano e provê 40% de seu lucro operacional.(1)

Inicialmente, fazendeiros de todo o mundo acrecitaram que sementes geneticamente modificadas fossem boas para a agricultura moderna, usando Roundup, eles podiam eliminar milhares de ervas "daninhas" enquando nada acontecia à colheita.

Antes que os fazendeiros comprem as sementes resistentes ao Roundup, eles são obrigados a assinar um acordo de tecnologia que permite à Monsanto executar investigações e definir "que direitos um fazendeiro tem e não tem em plantar, colher e vender sementes modificadas genéticamente".(2)

Isso é ultrajante, mas a Monsanto seguiu adiante pois suas sementes são patenteadas. De acordo com eles, é violaçãodas patentes guardar sementes de colheitas sadias e replantá-las no futuro, ou seja, a Monsanto força os fazendeiros a comprar suas sementes todo ano. De acordo com o Center for Food Safety- CFS(2), o acordo de tecnologia assinado levou a Monsanto a processar agressivamente milhares de fazendeiros que tenham violado a patente das sementes.

O fazendeiro deve pagar multa contratual ou ir para a justiça. O CFS afirma que a Monsanto já recolheu mais de US$ 15 MILHÕES só em processos a seu favor(2). Mesmo fazendeiros que nunca compraram sementes Monsanto nem nunca assinaram qualquer acordo com a mesma são alvo dos processos. Se o polen de uma plantação de sementes Monsanto polinizar um campo geneticamente não modificado ou outra fazenda que resulte em plantas viáveis,o fazendeiro é responsável segundo as leis americanas de violação de patente, MESMO QUE NÃO QUEIRA SEMENTES GENETICAMENTE MODIFICADAS EM SUA FAZENDA.

A Monsanto tem sido tãobem sucedida em processos para dominar o suprimento de alimentos no mundo que estão prontos para dar o grande salto. Em 14 de Abril de 2009,a companhia processou o Governo da Alemanha por recusar usar sua semente de milho (3)!!!!

Embora o milho Monsanto tenha sido permitido na Alemanha desde 2005, a ministra da agricultura Ilse Aigner interrompeu planos da plantação de 8892 acres para a colheita do verão.
Aigner afirma ter tido razões legítimas para acreditar que o milho seria um perigo ao meio ambiente.

As leis da União Européia permitem que países membros imponham tais restrições mas o processo da Monsanto diz que uma vez que uma planta tenha sido aprovada, não pode ser banida, a menos que evidências científicas provem o perigo.

A França baniu sementes de milho Monsanto em 2008 e a Hungria e Austria também planejam fazê-lo embora o European Food Safety Authority tenha concluído que elas não apresentem perigo para humanos ou animais.A senhora Aigner pode estar certa em suas preocupações sobre os efeitos danosos de sementes geneticamente modificadas ao meio ambiente. De acordo com GeneWatch-Reino Unido(4), outras colheitas e plantas silvestres podem ser contaminadas com os genes adicionados ao milho Monsanto.

Novas "super hervas daninhas" podem evoluir e tornar ainda maisdifícil ou até mesmo impossível erradicá-las. Poluição decorrentedo uso de herbicidas tóxicos podem aumentar ou diminuir. A vida selvagem pode ser prejudicada por novas toxinas no meio ambiente ou pela mudança nas práticas da agricultura.

Nos Estados Unidos, hervas daninhas super-resistentes, resistentes inclusive ao Roundup, estão ameaçando colheitas de algodão e de soja(5).

Em 2007, 10 mil acres em Macon County, Georgia, sofreram a praga de hervad daninhas super-resistentes e foram ABANDONADOS.

INACREDITAVELMENTE, a Monsanto está encorajando esses fazendeiros a misturar Roundup com outros pesticidas como 2,4-D (ingrediente usado no Agente Laranja, arma química usada na guerra do Vietnã com consequências catastróficas até os dias de hoje). Três países escandinavos baniram o 2,4-D por causar cancer, deficiência cognitiva e danos reprodutivos.

Uma vitória do Governo Alemão será uma vitória para todos nós,um grande passo na derrubada de mega-corporações inescrupulosas que almejam dominar todos os aspectos de nossas vidas, inclusive que comemos e bebemos. Você pode ajudar a melhorar a segurança alimentar e a responsabilidade ambiental visitando o seguinte website e assinando suas petições :



Referências:









sexta-feira, 11 de abril de 2008

Iraque: quanto pior melhor



A privatização do Estado
Resumo de recente intervenção de Naomi Klein, apresentada por Amy Goodman, de Democracy Now, por ocasião do lançamento em Nova York do primeiro livro de Jeremy Scahill, "Blackwater: A ascensão do mais poderoso exército mercenário do mundo" (Blackwater: The Rise of the World's Most Powerful Mercenary Army)
por Naomi Klein

Quanto mais piora a situação no Iraque, mais se privatiza a guerra e mais lucros rende.

AMY GOODMAN: Continuando a analisar a questão do Iraque e da ocupação dos EUA, contamos agora com a presença da prestigiosa escritora e jornalista Naomi Klein. Escreve regularmente para The Nation e The Guardian, é autora do grande êxito de vendas No Logo e mais recentemente, Fences and Windows (em castelhano: Vallas y Ventanas ). Está em Nova Iorque para o lançamento do livro de Jeremy Scahill sobre a empresa Blackwater, e intervém agora na Ethical Culture Society sobre privatização das forças armadas e do Estado, colocando o fenómeno num contexto histórico.
NAOMI KLEIN: A tendência de privatizar todos os aspectos do estado, do governo, é um processo que se iniciou há cerca de trinta e cinco anos. Muitas pessoas, muitos historiadores situam o seu inicio em 1973 quando se deu o golpe de estado do Chile, o que, em termos da investigação realizada pelo Jeremy, se torna interessante dado que ele aborda a questão da Blackwater estar agora a contratar chilenos para o Iraque, mas não vou abordar esse aspecto, ele o fará mais tarde. O primeiro exemplo da tentativa de construir uma utopia corporativa deu-se no Chile em 1973 depois do golpe de Pinochet, quando este começou a colaborar com uma equipa de economistas da Universidade de Chicago a fim de implementar aquela experiência.
Trata-se de um tipo diferente de projecto colonial. Na América Latina, este projecto que é chamado frequentemente de neoliberalismo, é conhecido por neocolonialismo. A primeira fase do colonialismo foi a abertura das veias da América Latina, segundo as palavras de Eduardo Galeano, a pilhagem das matérias-primas, a exportação dos recursos brutos. A segunda fase de colonialismo – e, claro que a primeira fase nunca desapareceu completamente – foi a pilhagem do estado. Tudo o que foi construído a partir da Grande Depressão e durante os anos de grande crescimento do pós-guerra – o sistema de segurança social, a educação, estradas, caminhos de ferro – foi vendido, no Chile, com a ajuda dos Chicago Boys: o saque a céu aberto do próprio Estado.
O modo como imagino este projecto corporativo, este projecto de privatização, é como se o estado fosse como uma espécie de polvo com todos os seus braços. Durante os últimos trinta anos, e certamente desde Reagan, aqui nos EUA, que a campanha de privatização o que tem feito é arrancar os membros do estado – o sistema telefónico, as estradas, etc, este tipo de serviços "não essenciais", se assim quisermos dizer. Depois de arrancar todos os membros do estado, tudo o que resta é aquilo a que eles chamam de núcleo central.
O que a administração Bush tem feito na realidade é liquidar este núcleo central, privatizar esses serviços governamentais essenciais que são parte inerente do que entendemos como estado, e que parece impossível imaginar que pudessem ser privatizados, serviços esses que podem ser o próprio governo, a segurança social, o bem-estar, as prisões, o exército, etc, sendo que é aqui que se encaixa a Blackwater.
O mais extraordinário que sucedeu no Iraque – e a Amy mencionou o meu artigo "Bagdade, ano zero" – é que se verificaram exactamente todas estas camadas de colonialismo e neocolonialismo, este empenho na privatização, o que provocou um tipo de perfeita tempestade naquele país. Por um lado, temos um tipo de pilhagem colonial da velha-escola, que é do género: vamos ao petróleo!. Como muitos de vocês sabem, o Iraque tem uma nova lei do petróleo que foi aprovada pelo governo mas não foi ainda aprovada pelo parlamento. E essa legislação legaliza a pilhagem, legaliza a exportação de 100% dos dividendos da industria petrolífera iraquiana, que foram precisamente as condições que estiveram na base do nacionalismo árabe, assim como a exigência de se dispor dos recursos petrolíferos, isto entre os anos cinquenta e setenta. Está-se então agora no desenvolvimento deste processo da pilhagem dos recursos seguindo as regras do colonialismo da velha-escola.
Por cima disto tudo, temos um tipo de colonialismo 2.1, que está no âmbito do que estive a investigar no Iraque, e que é a pilhagem do Estado iraquiano, Estado esse que foi construído sob as bandeiras do nacionalismo árabe, a industria, as fabricas, etc. Um tipo de privatização acelerada, uma terapia de choque, de saque a céu aberto como aquele que vimos na ex-União Soviética nos anos noventa. Esta era a ideia formulada para o plano A no Iraque, isto é, os EUA entravam lá com a Blackwater, que protegia Paul Bremer, e tratavam de liquidar todas as indústrias do Iraque. Temos então um colonialismo da velha-escola que logo daria lugar a um da nova-escola.
E assim temos a privatização pós-moderna que se baseia na ideia de que o exército dos EUA ia à guerra para pilhar-se a si mesmo, certo? Há dez anos, Thomas Friedman dizia que dois países que possuíssem estabelecimentos McDonald nunca entrariam em guerra. Agora vamos à guerra com a McDonald, a Taco Bell e a Burger King a reboque. Deste modo o processo de realizar a guerra é uma forma de auto-pilhagem. Não só o Iraque é saqueado, como os cofres deste governo dos EUA também estão a ser pilhados. Temos então a convergência destes três elementos numa perfeita tormenta que caiu sobre este país.
Um dos aspectos mais importantes que os progressistas devem questionar é precisamente o discurso de que todo o Iraque é um desastre. Penso que devemos começar a perguntar com insistência, para quem o Iraque representa um desastre? Porque afinal não são todos os que perdem. Certamente que se trata de um desastre para o povo iraquiano. É também um desastre para os contribuintes norte-americanos, mas o que temos visto – e isto está absolutamente claro se tivermos em conta os números que se conhecem – é que quanto mais piorar a situação no Iraque, mais privatizada se tornará a guerra, e mais lucrativa se tornará para empresas como a Lockheed Martin, Bechtel, e certamente a Blackwater. Existe uma deriva persistente no Iraque: quanto mais são os países da coligação invasora que abandonam o Iraque, mais contratados entram em jogo. Trata-se de um aspecto muito bem documentado por Jeremy, mas disso ele nos falará mais tarde.
E realmente muito perigoso. São estes os riscos que considero que temos de entender. E vou tentar ser breve, de modo a que possamos ter depois um debate proveitoso. Afinal o que está aqui em jogo? Os riscos não poderiam ser mais elevados. Na verdade estamos a perder o incentivo, o incentivo económico para a paz, o incentivo económico para a estabilidade. Quando se consegue criar uma economia tão exuberante à custa da guerra e do desastre á custa da destruição e da reconstrução, vezes repetidas, que incentivo existe para a paz?
Existe uma frase pronunciada na conferencia de Davos deste ano. Invariavelmente, todos os anos existe uma grande ideia que emerge da Cimeira Económica Mundial de Davos. Este ano essa grande ideia foi o dilema de Davos. Em que consiste o dilema de Davos? Trata-se do seguinte: durante décadas fazia parte da sabedoria convencional a ideia de que o caos generalizado era um estímulo para a economia global, isto é, que um choque pontual, uma crise ou uma guerra, tudo se poderia aproveitar para incrementar a privatização, mas que no conjunto -- e esta era a tese de Thomas Friedman – seria necessário existir uma certa estabilidade para se conseguir um crescimento económico estável. O dilema de Davos diz-nos que isto já não é certo. Podemos estar perante uma desordem generalizada, podemos ter guerra no Iraque, no Afeganistão, uma ameaça de guerra nuclear no Irão, uma ocupação israelense cada vez mais dura, um incremento da violência contra os palestinianos, podemos ter terrorismo em face do efeito de estufa, as repercussões da guerra podem ser cada vez maiores para conseguir recursos, podemos ter os preços energéticos cada vez mais elevados, mas, e aqui é que está o aspecto interessante de tudo isto, a bolsa continua a subir sem parar.
ÍNDICE ARMAS-CAVIAR De facto existe um índice chamado índice armas-caviar que durante dezassete anos tem medido a relação inversa entre a venda de aviões de combate e a venda de aviões de luxo privados. Durante dezassete anos, este índice, o armas-caviar – em que as armas são os aviões de combate e o caviar são os aviões de luxo privativos – permitiu concluir que quando as vendas de aviões de combate subia, desciam as vendas de aviões de luxo privativos. Mas de repente, ambos os parâmetros sobem, o que significa que se estão a vender muitas armas que dão para comprar muito caviar. E a Blackwater, é claro, que está no centro desta economia.
A única forma de combater uma economia que eliminou o incentivo para a paz é, obviamente, retirar as suas oportunidades de crescimento. E as suas oportunidades de crescimento são as actuais instabilidades climática e geopolítica. Aquilo que representa uma ameaça para este sistema, a única coisa que pode ameaçar esta economia, são, ao invés, a paz e a estabilidade geopolítica, e climática. De maneira que tendo consciência disto, creio que as coisas para nós ficam claras na hora de combater aqueles que se aproveitam da guerra.
O original encontra-se em http://www.democracynow.org/article.pl?sid=07/04/02/1345218&tid=25 .
Tradução de MJS.
Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .



Veja também a entrevista com Scahill na CNN e um breve documentário do mesmo sobre a Blackwaters em:



http://www.weshow.com/br/p/3170/mercenarios_norte_americanos_no_iraque_audio_em_ingles